Julia Narrando Eu ainda tava tentando entender tudo. A água do chuveiro tinha lavado o sangue seco, a dor no corpo, mas não levou embora o medo. Nem a vergonha. Mas aí veio ela… tia Nina. E foi como se alguém tivesse me puxado do fundo do poço com as duas mãos. Ela me lavou com tanto carinho, lavou minha alma. Quando disse que eu ia ser alguém, que ia ser a melhor na tecnologia da informação… eu quis acreditar. Pela primeira vez em dias, eu quis acreditar. Mas aí, veio aquela mulher. Suelen. Ela entrou no quarto com o olhar cortante, como se eu tivesse invadido um território proibido. Primeiro olhou pra tia Nina, depois pra mim. Quando os olhos dela bateram nos meus, eu vi. Não era só espanto. Era ciúme. Era uma raiva disfarçada de preocupação. — Essa daí? — ela falou meio baixo, mas

