Pedra Narrando Escutei o ronco das motos lá fora. Eu, como cria de verdade, reconheço o barulho da tropa se movimentando até de olhos fechados. Aquilo não era barulho de ronda normal, era operação. Gritei pela enfermeira, demorou pra aparecer, e quando veio, já chegou com cara de quem queria estar em qualquer lugar, menos ali. — Cadê a loirinha? A outra enfermeira — perguntei, já meio bolado. — Tá com outro paciente, acabou de sair do centro cirúrgico. — Respondeu já mexendo no bagulho do soro. — E a doutora? A que fez minha cirurgia. Cadê? — perguntei sentindo o cheiro da loira como se a praga da mulher estivesse aqui. — Perguntei o que não deveria? Ela ficou meio travada, com aquele olhar de quem não sabia exatamente de quem eu tava perguntando. — A doutora Aline? — perguntou.

