Ferradura Narrando Fiquei um segundo a mais, olhando a Júlia ainda com os olhos meio molhados e a boca vermelha do beijo. Ela é um bagulho bonito de ver. Linda. E agora... era minha. Pelo menos por agora. Desci ela da bancada com cuidado, peguei minha chave no balcão e fui em direção à porta. — Se cuida. — falei baixo, mas firme. Ela balançou a cabeça, me acompanhando com os olhos até eu fechar a porta. Desci as escadas no modo automático. Quando virei a curva do corredor, dei de cara com a coroa subindo. — Tá tudo certo, meu filho? — ela perguntou com aquele olhar que vê mais do que devia. — Tá sim, dona Nina. Só vou resolver um B.O. Daqui a pouco eu colo aqui de novo. — respondi, firme, tentando manter o controle. Subi na moto, liguei com um tranco seco. Antes de dar partida, vi a

