Ferradura Narrando Saí do quarto devagar, fechei a porta sem fazer barulho. A cabeça deu um pinote. Olhar pra ela toda quebrada em cima daquela cama me deu uma p***a duma sensação que eu não sei nem nomear. É por causa da Mariane, certeza. Isso aí é resquício daquela merda. Trauma que bate de frente com lembrança. Só pode. E eu jurei pra mim mesmo que nunca mais ia me apegar. Que mulher nenhuma ia entrar de novo no meu espaço, na minha mente, na minha vida. Mas aquela menina ali... p***a, ela parece um vidro trincado. Tu olha, vê que vai quebrar... e mesmo assim não consegue tirar o olho. Desci os degraus da escada com o peso nos ombros. Coisa que ninguém vê, mas que eu carrego desde muleque. Na cozinha, tia Nina terminava de passar um pano na mesa. Me olhou, sem falar nada, como se já

