Júlia Narrando Ele saiu… e o silêncio que ficou parecia gritar dentro de mim. O cheiro dele ainda tava ali, impregnado no ar, nas almofadas, em mim. Me joguei no sofá como se meu corpo pesasse mais que o mundo, fechei os olhos e me deixei ir… E fui. Fui direto pra noite do jantar — mas não era no restaurante. Era com ele, me carregando nos braços, correndo comigo como se nada mais importasse, como se o mundo lá fora não existisse. O calor do toque dele ainda queimava minha pele, e por um segundo eu acreditei que podia me perder nesse delírio sem fim. — Júlia! Vem almoçar, menina! Pisquei algumas vezes, percebendo que ainda tava sentada no sofá da parte de cima da casa. A mesma casa que o Ferradura disse ser minha também, como se fosse simples assim. Como se a vida dele fosse um terren

