Capítulo 1

3146 Words
P.O.V Taylor Deveria ser apenas mais um dia comum, como sempre eu tinha muito trabalho a fazer, ainda nem era meio dia e já estava pronta para arremessar alguém pelas janelas de vidro do prédio. Ser dona da Love sempre foi a minha maior realização, aos 21 já estava avançada nos negócios empresariais muito mais que meus concorrentes, não se tratava apenas de fazer dinheiro ou ter uma linha de doces, a Love era minha paixão de criança, meu sonho sempre fora tornar o mundo mais doce e eu amava cozinhar. Esta sempre fora uma área concorrida, afinal, quem não ama doces!? Eu mesma sempre fui apaixonada por bolinhos de chocolate, e apesar de trabalhar agora mais com questões burocráticas por ter muitos funcionários para pôr a mão na massa por mim eu ainda adorava tudo isso. O único problema é que as minhas filiais estavam se tornando pouco populares, não se tratava só de doces, tudo era questão de marketing, e por ser muito reservada e apenas dedicada ao trabalho, a mídia não tinha muito o que falar de mim além das brigas aleatórias que eu tinha com minha irmã Victoria, ou alimentar a minha fama de demônio m*l humorado. - Como me tornar popular? - questionei encarando cada rosto que transpirava desespero, eu não queria prolongar aquela reunião mas nenhum daqueles estúpidos sabia como melhorar minha imagem. - A Mercedes faz.. - Qualquer frase que comece com o que a Mercedes faz resultará em demissão. - espalmei a mão na mesa de vidro irritada, escutei alguém engolir a seco, sorri por saber que causei a reação que esperava. - Você podia criar novos tipos de doces pa... - Estamos falando de marketing, céus! - suspirei chateada. - De que me adianta fazer novos doces maravilhosos se tudo que lembram ao ouvir meu nome é que sou a segunda Evans, que sou um demônio m*l amado na sombra da Victoria? - respirei fundo ao ver a mão de uma funcionária que eu sequer sabia o nome ser erguida meio trêmula. Ela não tem nem atitude para erguer a mão, quem dirá para ter uma boa idéia. - Senhorita Evans, talvez se o público visse o quanto é amada e doce, podem acabar associando sua imagem aos seus produtos. - eu estava pronta para xingá-la e sabia que esperava por isso só pelo modo como tentava não gaguejar enquanto falava. - Têm razão. - deixei aquilo escapar por meus lábios causando espanto em todos, até mesmo em mim. - Eu preciso de uma namorada! - falei aquilo como se fosse um objetivo a ser alcançado, e era. Não se tratava de amor, isso é para os fracos, se trata de dinheiro e fama. - Taylor... - Justin interrompeu o que eu pretendia falar soando temeroso, segurando seu tablet em uma mão e seus dois celulares em outra ele se levantou de onde estava sentado na mesa ao longe e caminhou até mim. Inclinando-se sobre meu corpo pude sentir sua respiração pesada recair sobre minha pele antes que sua voz sussurrada se tornasse presente. - Seu avô morreu ontem a noite. - respirei fundo tentando entender suas palavras, parecia que eu havia levado um soco no estômago, entregando-me seu tablet li a mensagem deixada no meu email deixada pela Victoria. "Victoria: Vovô Evans morreu ontem enquanto dormia, seu advogado, o Robert, pediu que nós duas voltássemos a Purgatório hoje para que o testamento seja lido, parece que somos as únicas herdeiras. Te encontro lá Tay." Só me dei conta de que chorava quando uma lágrima tocou a tela, ergui meus olhos encarando o moreno ao lado, rapidamente ele pediu que todos saíssem, Justin sabia o quanto eu odiava demonstrar fraqueza, me sentei na cadeira e sentando-se ao meu lado ele me abraçou lateralmente. Eu sequer sabia que ele estava doente, fazia apenas dois meses que nos vimos e ele parecia tão bem e alegre, sempre fora o pacificador entre minhas discussões com a Victoria, e apesar de não gostarmos de estar no mesmo lugar, sempre nos uniamos por causa dele. - Eu já reservei sua passagem de avião, iremos em três horas, já pedi para sua empregada arrumar uma pequena mala para você, irei mandar o motorista buscar. - ele fala enquanto digitava rapidamente em seu celular, assenti apesar de não ter prestado atenção no que era. Em momentos como este eu percebia que estava sozinha, minha família foi reduzida a somente a Victoria já que nossos pais morreram durante um acidente e agora meu avô se foi. - Cancele toda minha agenda nos próximos dois dias, e avise ao Luke que quero um encontro com ele quando retornar de Hope Garden. - sequei meu rosto e assumi minha pose imponente outra vez, eu não tinha tempo para chorar ou sofrer o luto, os negócios não param. - Não acho que a idéia de ser vista como doce e amada signifique que tem que voltar para aquele namorado horrível que quase te destruiu. - ele falou chateado, suspirei massageando minhas têmporas, Justin tinha razão mas eu não tinha muitas opções além daquele e******o que com certeza aceitaria qualquer coisa por um pouco de mídia, ou alguma modelo querendo seus quinze minutos de glória. - Você não precisa pensar nisso agora. - Logo terá a campanha de lançamento da revista da Victoria, Mercedes está ganhando espaço em Nova York e eu estou sendo passada para trás, eu estou ficando sem tempo. - falei exasperada me levantando da cadeira por sentir a impaciência percorrer meu corpo. - Como seu assessor eu concordo.. - ele falou após um tempo em silêncio. - Como seu amigo, eu acho que você esteja sufocando com tantos problemas e agora com o que aconteceu tudo piorou, você precisa descansar. - Preciso do meu assessor no momento. - me limitei a dizer antes de sair da sala de conferências. Após organizar tudo para que nada desse errado durante minha ausência, entrei no carro com o Justin e segui até o aeroporto, a viagem até Hope Garden não foi longe, por não haver aeroporto naquela cidade minúscula, tive que pousar em Boston e seguir de carro, retornar à aquele lugar sempre me trazia lembranças boas mas também ruins, eu não sabia se a Victoria já havia chegado mas assim que adentrei a mansão onde fui criada pude ouvir os barulhos de tiros. Justin levou minha mala até meu antigo quarto enquanto eu segui até a sala onde encontrei Victoria jogando vídeo game com um cara que eu já havia visto em algum site ou revista. - Voltei direto para o passado quando você passava o dia jogando porque queria que essa fosse sua profissão. - murmurei chamando a atenção dos dois, ela riu e largou o controle do jogo vindo ao meu encontro. - Eu ainda posso fazer carreira com isso. - ela me abraçou apertado, suspirei em seu ombro rodeando meus braços em sua cintura. Eu não sabia que precisava tanto do seu abraço até senti-lo. - Vamos dar uma trégua nessas brigas pelo vovô. - ela se afastou um pouco me olhando nos olhos, assenti com a cabeça ao sentir sinceridade em seus olhos castanhos. - Olá pequena Evans. - encarei primeiro seu bigode espesso e depois seu jeito meio de cawboy, mas logo sorri em cumprimento. - Taylor esse é o Jack, meu.. - ela travou parecendo procurar a palavra certa, sorri sabendo que para Victoria era muito difícil assumir um relacionamento com alguém e o modo como ele coçou a nuca só confirmou que parecia conhecer bem minha irmã. - Bom, ele é ator e faz aquela série com demônios, sabe!? - Sim! - falei animada estendendo a mão para cumprimentá-lo. - Sabia que te conhecia de algum lugar. - Pode me dar algum spoiler sobre a irmã do seu par romântico? Queria tanto que ela casasse logo com aquela namorada fofa dela. - falei empolgada os fazendo rir. - Talvez se eu comer alguns bolinhos seus possa dizer algumas coisas. - sorri largo ao vê-lo piscar para mim mas o que me fez sorrir mesmo foi ver como os olhos da minha irmã brilhava ao olhá-lo. Deixando de lado o rancor, eu estava feliz por ela. - Senhoritas. - ouvi uma voz rouca se fazer presente ali, encarei o Robert e corri para abraçá-lo que prontamente me agarrou com seus braços largos. - Olá meu anjo. - Senti falta do melhor advogado do mundo. - disse assim que ele me pôs no chão, ele sorriu bagunçando meus cabelos como sempre fazia. - Eu sinto muito a ocasião, mas estou feliz por encontrá-la. - assenti com a cabeça dando-lhe um sorriso triste. - Já que não falta mais ninguém, podemos ir até o escritório do seu avô ler o testamento. Justin se pôs do meu lado e abraçado a mim seguimos até as cadeiras no escritório, o Jonh, assessor da Victoria apareceu e cumprimentou a todos. - Eu lerei primeiro e só depois poderão fazer perguntas. - ele olhou diretamente para a Victoria fazendo-a revirar os olhos. Respirei fundo procurando a mão da minha irmã sentada ao meu lado e ela prontamente entrelaçou nossos dedos fazendo um carinho em minha palma. - Referente ao Testamento de Norman Berry Stapp Evans, escrito antes de seu falecimento quando ainda tinha consciência de suas faculdades mentais, deverá ser aberto somente doze horas após seu falecimento em presença de seu advogado e suas duas únicas herdeiras Victoria e Taylor Evans. - ele parou para tomar um fôlego antes de continuar a ler. - Por terem suas próprias carreiras, deixo toda minha herança consistente em 7 bilhões de dólares para que dividam igualmente.. - Victoria interrompeu sua leitura com uma tosse engasgada, soltei sua mão dando tapas bruscos em suas costas enquanto a repreendia com um olhar. - Continuando, a casa fica para as duas, sendo terminantemente proibida a venda, a destruição da propriedade ou a negociação das partes. - A casa é nossa mas não podemos fazer nada com ela? - Victoria me fez revirar os olhos ao interromper novamente, o Robert a fuzilou com um olhar me fazendo sorrir baixinho. - Se você esperasse um pouquinho eu poderia ter lido que, - seus olhos voltaram para o papel. - a casa foi deixada a ambas com o propósito de que tenham um lar em Hope Garden para que possam descansar e esquecer um pouco do mundo da mídia que as cerca, e que possam esquecer as divergências mantidas desde a infância visto que agora só tem uma a outra. - encarei a morena ao meu lado dando-lhe um sorriso. - a única condição imposta é que, - ele me olhou e depois olhou para a Victoria com uma expressão indecifrável. - Vocês duas tem que estarem casadas a pelo menos seis meses. - por sorte não estava com nada na boca senão cuspiria. - A cláusula do contrato é que o dinheiro só será dado quando as beneficiárias se casarem? - pela primeira vez a voz do Justin foi ouvida, o encarei apavorada e tudo que recebi foi um olhar de compreensão. - Por que isso? - Me recuso a casar! - Victoria falou exasperada se levantando da cadeira. - O avô de vocês acreditava que ter alguém para amar e cuidar de vocês era essencial e que esta cláusula seria motivação para que isto realmente acontecesse um dia. - revirei os olhos para o Robert indignada. Até morto o vovô continua pregando peças na gente. - 3,5 bilhões de dólares é a única coisa que eu preciso. - resmunguei cruzando os braços. - Acompanharei a vida de vocês, e a cada mês receberão uma carta escrita por seu avô com instruções e pensamentos dele. - Victoria ia abrir a boca para dizer algo mas Robert se levantou da cadeira a nossa frente. - Seu avô quis assim Evans. - ele saiu do escritório deixando nós cinco ali. - Ele nem falou sobre o enterro. - murmurei atônita, aquilo era definitivamente coisa demais para absorver de uma vez só. - Ele já havia me dito que será amanhã no final da tarde. - Victoria descansou sua mão sobre meu ombro e então saiu dali sendo seguida pelos dois homens. - Eu estou controlando a mídia para que ninguém apareça por aqui para perturbar vocês e acredito que o Jonh esteja fazendo o mesmo pela Victoria, vamos tentar dar o máximo de privacidade a vocês nesse momento. - assenti em agradecimento a ele. - Que tal tomar um ar enquanto tudo ainda está tranquilo? E foi então que eu tive uma grande idéia. - Pegue o carro, vamos até o Sweet comprar bolinhos. - ele arqueou a sobrancelha me encarando cético. - Guarde seus comentários para si. - Tá bem, vamos lá comprar bolinhos na concorrência só para observar a ruiva bonita. - sorri revirando os olhos saindo dali com ele em meu encalço. Ao chegar lá estranhei o fato dela me atender como se eu fosse uma qualquer, como eu já estava de m*l humor apenas escolhi coisas aleatórias e sai dali, depois era só mandar entregar no orfanato como sempre. Esperando do lado de fora aproveitei para ver como andava as notícias, havia saído em tudo quanto era lugar a morte do meu avô, a PeaceMaker, revista da Victoria havia apenas soltado na revista online que devido às circunstâncias não daria entrevistas ou falaria até estar pronta, enquanto isso Mercedes espalhava seu veneno online publicando em redes sociais que a perda do nosso avô era a última coisa que faltava para que fôssemos destruídas e é esquecidas pela mídia. - Ninguém merece. - murmurei apertando meu celular na palma da mão, eu não a responderia diretamente mas comecei a escrever no Twitter uma nota sobre como meu avô me tornou forte e eu permaneceria assim. Nem notei que o Justin havia colocado as coisas dentro do carro, ele deu tchau para a ruiva que agora eu sabia se chamar Alexa Harris e abriu a porta para que eu entrasse. Enquanto dirigia em direção a mansão eu usei aquele silêncio para pensar, nos prós, nos contras, na loucura que aquilo parecia. - Justin? - o chamei baixinho, assim que ele me olhou pelo retrovisor como sinal de que eu podia falar respirei fundo tomando coragem. - Acho que sei como resolver meus problemas na empresa e ainda por cima receber a herança em breve. - ele ficou quieto como se avaliasse minhas palavras e então fez um som nasalado me motivando a continuar. - Eu vou namorar e casar com a Alexa. - Você bebeu quando que eu não vi? - ele perguntou soando sério, revirei os olhos querendo que ele entendesse que eu não estava brincando. - Ela não tá nem aí pra mim, vive nesse buraco trabalhando para a Mercedes, eu posso dar a ela uma vida melhor e em troca ela assina um contrato e finge ser minha mulher por uns meses. - falei rapidamente tendo esperança de que ele concordasse comigo. - Contrato? - ele estacionou em frente a mansão. - Achei que pela quantidade de bolinhos que você compra só para vê-la no mínimo gostasse dela. - cocei a garganta incomodada com suas palavras. - Eu não gosto dela. - franzi os lábios ao dizer aquilo. - Me responde como meu assessor, é uma boa idéia né? - Não sei se ela aceitaria isso, nem se conseguiria cumprir todos os requisitos.. mas sim, é uma boa idéia. - sorri empolgada. Desci do carro rapidamente animada, hoje mesmo eu a procuraria, eu nem precisava pedir pois já sabia que o Justin redigiria o contrato e pesquisaria tudo sobre a vida da Alexa. Jantei sozinha já que a Victoria havia saído para passear com o Jack, me arrumei e por volta das onze peguei o carro e o endereço que o Justin havia me dado, dirigi até chegar em uma casa simples, a ruiva estava parada na sala com a porta aberta conversando com um gato. Tenho pavor de gatos, senti um calafrio percorrer minha pele só de lembrar, desci do carro morrendo de frio e me aproximei dela, que parecia muito surpresa com minha presença ali, até eu estava surpresa com minha decisão. Tentei ser o mais cordial possível mas a maneira como me olhava e seu tom de voz eram rude, ela sequer me conhecia e já estava julgando. Ao me aproximar dela percebi que seu corpo reagia a mim, uma brecha para conseguir o que eu quero, eu evitei sorrir quando ela deduziu que eu queria ter ter um encontro com ela. - Um contrato? - ela repetiu minhas palavras parecendo processar. - Você bebeu? - É simples. - ignorei sua pergunta de propósito. - Eu te pagarei dez mil dólares por mês, te darei roupas, jóias, te levarei a eventos chiques e tudo que precisa fazer é fingir que namora comigo por um tempo e depois ficamos casadas por seis meses, ao fim do contrato lhe darei vinte mil a mais pelos seus serviços. - falei do melhor modo possível, ela caminhou até o sofá e se jogou nele. Fiz uma nota mental, aulas de etiqueta. - Acha que sou o que? - ela perguntou entredentes parecendo muito irritada. - Não acho nada. - falei firme para que ela não tivesse dúvidas. - Eu preciso melhorar minha imagem perante a mídia e preciso receber uma herança, mas preciso estar casada. - ela abriu a boca parecendo incrédula. - Eu poderia arrumar uma acompanhante de luxo ou qualquer outra pessoa mas preciso de alguém.. - desviei meus olhos dos seus por um instante buscando a palavra. - Comum. - Dá o fora da minha casa, eu não estou a venda! - ela levantou furiosa caminhando até mim, porém permaneci parada ali no meio da sala. - O inacreditável é que eu diria sim se me chamasse para um encontro. - Acredito que não tenha sonhado viver de aluguel aqui trabalhando turnos dobrados naquela padaria sem nunca ter realizado seus sonhos, acho que sua mãe queria mais para você. - sei que peguei pesado ao ver seu olhar perdido e seus lábios tremerem, mas eu precisava tentar de todas as maneiras. Retirei o contrato de dentro do sobre-tudo e caminhei até a mesinha de centro o deixando ali. - Lhe dou até amanhã as quatro para pensar, se aceitar, assine e vá até a mansão. - ela continuava a me encarar estática. - Espero que tome uma boa decisão. Sai de sua casa e assim que entrei no carro soltei o ar que eu nem sabia que estava segurando. Eu não sabia se ela aceitaria mesmo, mas eu não conseguia pensar em mais ninguém para este serviço. Ela não era famosa, nem parecia ser interesseira, sem contar que era linda e isso me daria mais credibilidade. Agora era só esperar.
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