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918 Words
Elisa - Lisa 💝 22H - Complexo do Lins. 🌛 Olhava a lua da janela do quarto que estou e chorava, não sei o motivo que estou chorando, mas algo dentro de mim diz que alguma coisa aconteceu com a minha família, meu pai não atende minhas ligações, minha mãe não responde minhas mensagens e meu irmão não foi me buscar na escola, quem apareceu lá foi um homem desconhecido que me jogou aqui nessa casa e não voltou mais, eu estou com muito medo, não sei como agir ou o que fazer, a não ser chorar. Ouvir um barulho na porta lá em baixo e me assustei, sentei na cama encolhida, enquanto as lágrimas descia eu ouvia os passos de alguém e logo a porta do quarto abriu, ele paralisou me olhando e eu não entendia o que se passava na cabeça dele. __ cadê meu pai? - perguntei em meio ao choro e vi ele respirar fundo e se aproximar. - eu já posso ir pra casa? - perguntei e ele sentou na cama, ainda calado esticou a mão enxugando minhas lágrimas. __ eu não sei como te falar isso, mas eu preciso falar, então só me escuta e fica calma tá?. - aí eu já estava chorando horrores por que eu sabia que algo tinha acontecido e quando alguém pede para a pessoa ficar calma, a merda já tá feita. - invadiram a tua casa. - falou de uma vez e eu arregalei os olhos com o susto. - infelizmente tua família foi atingida, ninguém sobreviveu. - neguei com a cabeça com o choro entalado na garganta. - teu pai conseguiu me ligar antes de pegarem ele e pediu para que eu te protegesse, tentei mandar uns caras pra lá, mas já era tarde, só tava os corpos lá e um recado que os caras viriam atrás de tu. - me arrepiei dos pés a cabeça, morrendo de medo e não aguentei segurar mais o grito de dor que tava dentro de mim. Levantei da cama atordoada com o tanto de informação e neguei sentindo um aperto forte no peito, uma falta de ar e já sabia que era a crise, crise de pânico, sempre tive, por conta das invasões. __ eu...eu tô sozinha. - murmurei chorando. - eu não quero ficar sozinha, meu Deus, eu quero minha família. - gritei com raiva e ele levantou me segurando. __ qual foi pô, tenta ficar calma, sei que deve tá sendo difícil pra você, mas é a vida. - falou e eu neguei com a cabeça. __ não, não é a vida, é a vida de merda que vocês escolheram e as consequências acaba caindo no colo de quem não tem nada haver. - eu estava muito brava, estava triste e com medo de tudo, mas ainda sim brava, brava por meu pai ter escolhido essa vida e deixar chegar onde chegou. __ mas foi essa vida que te deu tudo que tu tem né? Do bom e do melhor.- murmurou cheio de deboche e eu rir indignada. __ você queria que eu fizesse o que? Virasse mendiga e deixasse minha família de lado? Eu não pedi pra nascer não, já nasci nessa vida de merda que vocês tanto ostenta, se acham os certos e acaba com a vida de pessoas que não tem nada haver com a escolha de vocês. - não sei por que estava discutindo com ele, só queria descontar o ódio que eu tava, ninguém tem o direito de tirar a vida de outras pessoas assim, ainda mais de pessoas inocentes, meu pai eu sei que colheu o que plantou, mas e minha mãe, meu irmão, eu? Onde temos culpa nessa história toda? __ não generaliza p***a. - falou puto. - nem todo mundo tem direito de escolha como tu, nem todo mundo tem um pai e uma mãe massa como os teus que bancam tudo o que tu quiser, tu odeia tanto essa vida que vivia ostentando também né não? Ou os passeios de barco, shopping, cinema, museu e os c*****o a quatro com tuas amigas foi tu que pagou com o dinheiro do teu suor? - perguntou puto e eu nem quis responder, eu só estava m*l e ele acabou piorando tudo, se no primeiro dia já está assim, imagina os outros que vou passar com ele? __ desculpa, não quis ofender você. - murmurei sentando na cama e ele apenas assentiu. - posso tomar banho? - perguntei morrendo de vergonha e medo, apesar de meu pai confiar nele para cuidar de mim e me proteger, eu nunca vi esse cara na minha vida e isso tudo é novo pra mim, eu nunca dormi fora ou longe dos meus pais, hoje vai ser a primeira vez e só de imaginar meu peito já aperta. __ pode pô, mandei trazerem umas roupas pra tu lá da tua casa, ta lá no quarto onde fica o guarda roupa, segunda porta a direita. - apontou para o corredor. - o banheiro é de frente a ele, depois tu desce pra jantar, vou te esperar, jae? Assenti fraco e ele saiu do quarto, respirei fundo sentindo um vazio enorme dentro de mim e meus olhos encher de lágrimas, nunca parei para imaginar minha vida sem meus pais e meu irmão, e agora vou ter que viver sem eles, eu só tenho dezessete anos, como vou viver sem ver, ouvir ou ao menos abraçar eles? Isso tudo só pode ser um pesadelo, não é possível.
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