Elisa - Lisa 💝 - 1 Semana depois.
7H - Complexo do Lins. 🌞
Tava enrolando comendo o pão na maior enrolada só para não ir para a nova escola que o Matador me colocou, é aqui dentro do complexo mesmo, não quero parecer uma mimada, mas eu nunca fui em uma escola pública, sei nem como funciona, meu pai sempre quis me dar o melhor.
Matador: tu tá ligada que eu não tenho o tempo todo do mundo né? - falou todo grosso me olhando de braços cruzados, nem respondi, só enfiei o último pedaço de pão na boca e tomei o achocolatado, mastiguei devagar ignorando ele e logo terminei, coloquei as coisas na pia e fui em direção ao quarto que estou ficando, peguei minha escova de dente em cima da penteadeira e fui em direção ao banheiro, escovando os dentes, quando me virei dei de cara com ele, quase morro de susto.
__ aí cara, que susto, vai ficar me seguindo igual um doido é? - falei com raiva e ele riu saindo da frente, chato demais.
Matador: pra tu ficar ligada na tua caminhada. - murmurou andando atrás de mim enquanto eu ia até meu quarto pegar minha bolsa com as coisas. - tu sabe que ninguém aqui vai com essas coisas né? No máximo um caderno e uma caneta, aí tu tá pedindo pra ser zoada e roubada. - falou e eu dei de ombros bufando, não queria ter que mudar de escola e nem queria morar aqui mas fazer o que se o meu pai me deixou na responsabilidade dele né? - tá pronta? - respirei fundo e assenti. - então vamos. - saiu na frente e eu atrás com a bolsa nas costas, calça jeans e uma blusa branca de manga, sapato branco nos pés, cabelo solto e gloss.
Nem precisaria de moto ou carro para ir a escola aqui no complexo mas como o Matador é um preguiçoso safado ele tirou o carro da garagem, entrei tirando a bolsa das costas e colocando no colo, sentei no banco da frente mesmo e ele ligou o carro.
__ cê sabe que dava pra ir andando né? - perguntei enquanto ele dirigia devagar e ele me ignorou. - insuportável. - murmurei baixo e ele me olhou, desviei o olhar olhando para as ruas da favela.
Aqui é bem diferente de onde eu morava, apesar de meu pai ser envolvido ele nunca nos levou em favela ou algo parecido, morávamos em um lugar distante como se fosse uma fazenda, na verdade era uma fazenda, quase uma ilha, só nossa.
Zero barulho ou aglomeração de pessoas como aqui é, em plena sete horas da manhã já tem gente gritando na rua e eu posso estar parecendo uma patricinha falando isso, mas eu acho uo essa bagunça toda, prefiro mil vezes meu silêncio do que o barulho e aglomeração de pessoas em um lugar só.
Sentir o carro parar e quase infartei só de olhar o tanto de gente que tem ali na frente daquela escola, umas meninas tudo de short e sandália, uns meninos com lupa e bermuda e eu tava me perguntando se aquilo ali era uma escola mesmo.
Matador: eu te avisei, quis pagar pra ver. - murmurou e eu quis esganar ele. - qual foi pô, tu está em uma favela e quer pagar de patricinha, ai é f**a. - falou todo estressado.
__ eu não sou patricinha Matador, é apenas meu estilo. - murmurei e ele fez pouco caso. - eu não poderia faltar só hoje? - perguntei com medo de sair daquele carro e ele já negou com a cabeça. - por favor cara, eu ainda não tô pronta, na verdade eu preferia minha antiga escola. - falei e ele bufou me olhando.
Matador: já te disse patricinha, não posso arriscar tua segurança assim, quem sabe no próximo ano tu não volta, mas por enquanto é melhor esperar. - assenti contra gosto. - agora vai lá pô, ninguém vai mexer contigo não, é melhor enfrentar logo do que ficar adiando e guardando a p***a da ansiedade dentro de tu. - respirei fundo assentindo e me preparando para sair do carro. - se liga. - olhei pra ele que esticou uma corrente fininha com a letra L pendurada como pingente. - comprei pra tu usar no teu primeiro dia de aula, sei que deve tá sendo difícil pra tu toda essa mudança, mas apesar de parecer bruto e chato quero que saiba que não tá sozinha jae? - olhei para o colar sorrindo fraco e virei de costas levantando o cabelo pra ele pôr em mim, logo ele colocou e atacou, virei de frente pra ele e me deixei levar pelo momento e me joguei nos braços dele abraçando ele, no começo ele ficou estático mas depois retribuiu colocando a mão na minha cintura e beijando minha cabeça.
__ obrigada por isso e por cuidar de mim, sei que deve ser um b.o cuidar de alguém que você nem conhece e nem é da sua família, obrigada de verdade. - falei olhando para os olhos dele ainda dentro do abraço que assentiu olhando para os meus olhos também, umedeceu os lábios e beijou minha testa, sorrir fraco e sair do abraço pegando a bolsa. - se eu não gostar da escola eu vou embora viu? - falei já saindo do carro e ele riu debochado.
Matador: ai tu acordou do sonho né bela adormecida? - mandei o dedo do meio pra ele como resposta e respirei fundo caminhando em direção a escola atraindo olhares de todo mundo que estava ali na frente, vi algumas meninas cochichando entre si e rindo baixo, uns caras tirou as lupas cruzando os braços e me olhando, me sentir bem desconfortável, mas só fiz apressar os passos e entrar na escola indo em direção a diretoria para saber em qual sala estaria e entregar alguns documentos que faltou.