Amigo da Família

1093 Words
Mila Bueno Acho que posso dizer que aquela entrevista foi um completo desastre. Não tenho certeza se posso continuar vivendo normalmente, pois tenho certeza de que dentro daquela caixa estava uma cabeça, mas mesmo assim, parei na mesa da assistente de Matteo e marquei um horário para o almoço. O que tem de errado comigo? Estou tão desesperada por um emprego assim? E o que foi aquilo? Eu estava quase derretendo em seus braços! Eu estava praticamente babando nele! Que patética... Só consigo imaginar como papai vai reagir quando eu contar a ele essa noite, quer dizer, será que eu devo contar a ele o que ouvi? Se eu contar, ele provavelmente vai me impedir de aceitar esse emprego, e talvez isso seja o melhor... Mas, algo parece estar me atraindo para Matteo, eu só penso em vê-lo novamente, ver o rosto perfeito dele... Droga, estou fazendo isso de novo! Esse homem vai ser minha ruína, tenho certeza disso. Deixando meu crachá de visitante na recepção, saí pelas portas, mais uma vez sendo recebida por Luca e seu exército de seguranças, além de três SUVs pretos. Parece que papai aumentou minha segurança de propósito durante minha entrevista. Ah não, ele deve saber sobre a entrevista! Não deveria ter sido tão estúpida a ponto de suspeitar que ele não saberia, mas tudo bem... Acho que não será uma surpresa afinal... “Olá, Srta. Bueno, para onde?” Luca pergunta alegremente enquanto abre a porta do SUV para mim. “Apenas para casa, obrigada.” Dou um sorriso, e o carro parte em direção ao meu apartamento. Abro a porta do meu apartamento e caio com tudo no sofá, dando um suspiro profundo. Chuto meus saltos para o alto, alcanço o controle remoto da TV e ligo a Netflix. Acho que vou fazer uma maratona até o jantar. Não faço ideia do que vestir para o jantar. Reviro meu armário, já tenho cinco vestidos jogados na minha cama e nenhum deles parece o certo. Não tenho nada chique o suficiente para o restaurante, e não esperava ver papai enquanto estava em Nova York. Todos os meus trajes são ou muito casuais ou muito ousados. Alice e eu sempre saimos para baladas nos fins de semana, então estou bem preparada para o bar, mas não para o jantar de inauguração do restaurante cinco estrelas de propriedade do meu pai bilionário. Finalmente, pego um vestido preto, justo ao corpo, que é quase colado à pele e com finas alças de espaguete. Parece que isso terá que servir. Vou apenas enrolar um lenço nos ombros ou algo assim para cobrir um pouco e dar um ar mais chique. Verificando a hora no meu celular, percebo que são quase seis e quinze. Preciso me vestir agora, senão ficarei presa no trânsito de horário de pico, e a última coisa que quero é chegar atrasada para o jantar com meu pai. Quando tenho certeza de que estou pelo menos razoavelmente apresentável, depois de aplicar alguma maquiagem básica e pegar uma bolsa, saio do meu apartamento e desço para onde imagino que Luca e seus homens estão quando não estou por perto. Que trabalho entediante. Digo oi para eles, e presumo que papai já tenha orientado todos sobre para onde ir, porque dessa vez eles não me perguntam nada. Após vinte e cinco minutos, chegamos ao restaurante, e o carro para na área de estacionamento na frente do prédio. Minha boca fica aberta enquanto encaro o belo prédio em todo o seu esplendor. É enorme e muito alto. De dentro, uma luz quente irradia e o suave som de música instrumental flui para a movimentada rua de sexta-feira à noite. Estacionados ao longo das vagas estão carros que valem mais dinheiro do que posso imaginar, todos em condições intactas. Luca abre minha porta, e eu saio, consciente da minha aparência. Embora não haja muitas pessoas andando por ali, aquelas que estão, vestem belos vestidos e estão adornadas com joias luxuosas, enquanto os homens usam smokings caros. Envolvo meu xale mais ao redor de mim. Luca estende a mão e eu a pego quando começamos a caminhar pela entrada, cercados por muitos homens do meu pai, muitos para contar. Por dentro, é tão bonito quanto por fora, com grandes mesas redondas espalhadas pelo local ocupadas por pessoas de alto status. Grandes e belas cortinas vermelhas e douradas estão penduradas no teto, separando cada mesa, é como o cenário de um filme. Aquele restaurante foi realmente construído para ser o melhor da cidade. Luca me guia até uma mesa, e assim que vejo a figura familiar do meu pai, corro até ele e o abraço antes mesmo dele ter tempo de se levantar. “Papà mi sei mancato così tanto(Pai, eu senti tanto a sua falta)” sussurro enquanto repouso minha cabeça em seu ombro, querendo que ele nunca me deixe ir. “Lo so tesoro, mi sei mancato anche tu (Eu sei querida, eu também senti sua falta)” sua voz rouca responde. É tão surreal, finalmente estar aqui com papai, poder tocá-lo e ouvi-lo respirar. Sem precisar falar por telefone ou computador. Eu nem acredito que agora ele está bem na minha frente, em meus braços, e ele é real. Depois de alguns longos segundos, nos soltamos um do outro e ocupamos nossos lugares à mesa. “Você está linda esta noite, Mila” papai diz com um sorriso no rosto. Um alívio me envolve. “Obrigada, papai,” eu respondo, certificando de observar cada detalhe de seu rosto, de cada ruga e covinha que aparece quando ele sorri. “Como você tem estado? Quero saber de tudo, como vai a faculdade?” Depois de pedirmos nossa comida, contei a papai sobre tudo. Sobre minha amiga Alice e como está indo a faculdade. E, por sua vez, ele me conta sobre todos os lugares bonitos ao redor do mundo que teve a oportunidade de visitar em seus empreendimentos comerciais. Após terminar o primeiro prato, que inclusive estava magnífico, peço licença para ir ao banheiro, me levanto da mesa e espero que não seja muito difícil de encontrar. Depois de vagar por alguns minutos, finalmente avisto a placa para o banheiro feminino. Olhando para o meu celular para verificar a hora, caminho até lá, mas sou imediatamente impedida quando esbarro em algo sólido. Será que esbarrei em uma parede? Tenho certeza de que não havia uma parede na minha frente. Levantando os olhos do meu celular, meu rosto fica congelado quando faço contato visual com um rosto familiar. “Sr. Giovanni?”
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