Capítulo 4

1233 Words
Nunca vi minha amiga desabar desse jeito em situações semelhantes, então desisto da minha pequena viagem para Santos(SP) e faço um esforço enorme para conseguir convencê-la a ir comigo para um barzinho muito badalado aqui mesmo, no centro de São Paulo, e aqui estamos porque o que eu quero, eu consigo; vamos para a casa dela, um espaço amplo e muito requintado, um pouco luxuoso, nos arrumamos e saímos de motorista de aplicativo. Entramos muito gatas no bar lotado, ela em um vestido preto com um decote "nada revelador" (em pensamento faço aspas com os dedos) e o comprimento do vestido vai até o meio das suas coxas malhadas, e eu, bem... Estou com uma blusinha decotada de veludo na cor vinho e um shortinho jeans combinando com meu salto alto, minhas pernas grossas estão à mostra, não estou mega produzida, contudo sei que estou gostosa pois, recebi caretas das mulheres e olhares de alguns homens e algumas mulheres também, nenhum que realmente me chame a atenção, porém meu foco agora é distrair a Nat que está abalando, pedimos nossas bebidas, aproveito para mandar mensagem para Titi: — Oi bandida não pude ir, nossa amiga está precisando de companhia. Ele responde: — Oi, não disse que a Nat ia roubar você de mim? Não estou podendo falar agora, estou numa balada muito top com vários gatos, agora fica aí chupando dedo e ouvindo lamentações dessa beata. Passa alguns segundos e ele manda outra: — Fala pra ela procurar um gostoso com um p*u bem grande pra ela subir, que isso aí é falta rsrsrsrs. Ele sempre fala isso pra ela, ele é assim mesmo desbocado fala o que quer, na hora que quer, não é à toa que é meu amigo. Mostro para ela que manda uma foto com a língua de fora e ele responde. — Vai dar a piriquita e deixa a Léia dar a dela também muié rsrsrsrs. Ela retruca de imediato: — Vai dar a b***a Tião. — Adoroooo é pra já. Ele manda alguns emojis com a língua de fora e outros com baba escorrendo. — Beijocas minhas piranhas preferidas, distribuam essas suas bocetas, a vida é única e a piriquita só estraga se deixar suja ou quando morre. Nós duas gargalhamos com a loucura do nosso amigo. Nunca vi minha amiga beber até perder a razão e a primeira que ela pede é tequila então, a coisa é realmente séria, ela fica meio alegrinha um minuto depois, ela é muito fechada com sua vida amorosa, ao contrário de mim que falo pelos cotovelos, ela sabe cada mico que já passei, cada enrascada que entro mesmo quando quero apenas dar alguns pegas em algum ficante de alguns minutos, coisa que quase nunca dá certo, sempre tem algo para atrapalhar e eu continuo na seca do deserto, o Saara perde feio pra mim, eu sempre brinco que estamos na seca mas para ser sincera a única que deve estar na seca sou eu, vejo ela se arrepiar e olhar para os lados, olho também e vejo um loiro de olhos negros, muito, muitíssimo lindo, daqueles que por onde passa deixa uma poça de baba feminina, e uma fila de corações partidos e aposto que um desses corações é o da minha amiga, que ao contrário de mim não acredita em relacionamento sério. — Que ódio! Esse infeliz mudou, só que ao contrário do que desejei mudou pra melhor! Eu queria que ele estivesse barrigudo e casado com uma baranga, mas não, esse desgraçado volta mais bonito do que nunca. Ela diz, nervosa e agitada, não sei de quem se trata aquele cara, o que sei é que ele tem poderes especiais, nunca ninguém a deixou tão à flor da pele, estou ficando cansada de esperar a Nat se abrir comigo sobre o que aconteceu para se tornar assim, respeito muito seu jeito fechado, porém já provei várias vezes que ela pode confiar em mim, mesmo assim ela não se abre. Ela toma mais uma dose sacode a cabeça e diz: — Fica olhando...— Ela anda sensualmente até o cara, ele a acompanha com os olhos, fica nervoso, se ajeita em seu assento, passa a mão pelo cabelo, contudo Nat passa por ele que fica parado com cara de b***a. Encontra seu alvo, um moreno também muito bonito, e o agarra pelo colarinho da camisa o beija tão sensualmente que até eu fico com vontade, e não era ela que não queria vir? Escuto uma conversa ao meu lado: — Ela vai me dar um fora! Olha só como é gostosa, com certeza vai me dar um fora! — É uma gordinha irmão, pode até ter um rostinho bonito, mas ainda é uma gordinha, E deve estar na seca igual a amiga gata dela, que agarrou o primeiro que viu, coitado do nosso amigo Lúcio, você também percebeu a cara dele de cachorro que pegou chuva?— poderia ter deixado passar, mas fiquei cega de ódio pois só escutei a parte que ele fala gordinha. Gritei por cima da música: — Gordinha é o teu rabo... Seu viado, eu sou mulher demais pra você dar conta, aposto que não aguenta meia hora comigo. Só percebo o erro depois que ouço os gritos de "Uuuhhh" "mostra pra ela" " franguinho amarelinho" " uuuhhh" "fracote" de alguns homens que estavam por perto, algumas mulheres me olham orgulhosas, pois parte das pessoas que estavam perto escutaram, alguns riem de mim, porém não me intimido, me conheço, sei o que sou e pra que vim, não vou deixar que me pisem, muito menos me humilhem. Ele se aproxima mais de onde estou com sangue nos olhos, ignorando as mãos do seu amigo que tenta impedir que avance. Me arrependo quando ele chega parecendo um armário, de tão alto, é uma visão do céu de tão bonito, onde estava, fiquei de olhos bem abertos, imaginem aí: um homem alto, musculoso mas não bombado, forte mesmo, cabelo cortado um pouco mais baixo dos lados e um pequeno e estiloso topete na parte de cima. Ele chega bem perto, suas íris negras estão cobrindo parte dos olhos castanhos claros penetrantes e o fogo que vejo neles não deve ser apenas raiva, isso me assusta, embriaga e me atrai como abelha no pote de mel, um mel muito estragado, por que o que diz apaga meu encantamento e traz de volta a ira. — Era tudo que você queria não? Que eu te pegasse de jeito para te mostrar o quão errada está, mas sabe de uma coisa... você pode até ser bonitinha, mas não faz meu tipo. – Discursou demais, para quem tanto despreza não deveria dar tanta explicação, isso é o que despeito por eu ser admirada por seu Crush? pode ficar tranquilo, o mundo tem homem demais para eu querer roubar o seu. As pessoas só assistem nossa batalha, a tensão s****l, apesar das nossas palavras, estala no meio do salão, a música um pouco mais baixa tem um quê de suspense, ele está próximo demais, seu rosto ganha uma tonalidade vermelho arroxeado que eu nunca vi em mais ninguém, tudo bem que me ofendeu, mas não posso negar que é um homem e tanto, senti ele roçar suas coxas grossas e grandes em mim, muito próximo, estou em um estado de alerta e excitação e ódio, talvez hoje eu seja presa por assassinato.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD