Caio
Não estava acreditando que aquilo estava acontecendo. Os empregados arrumando a casa para receber os amigos e parentes. Estava sentado no sofá da sala observando tudo até o meu amigo, Fabrício, se aproximar.
— Caio? Caio? — Toca no meu ombro, meus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar. Não falo uma palavra. Ainda estou em choque com aquilo tudo, na verdade penso que é um pesadelo e que a qualquer momento meu pai vai entrar na sala e me dar um sermão.Fico olhando para porta e nada. Ele não vai entrar… Ele se foi… — Bebe um pouco desse café, está acordado a madrugada inteira… Sei, quer dizer, imagino que não está sendo fácil…
— Fácil? — Me levanto e o encaro. — MEU PAI MORREU E VOCÊ ACHA O QUÊ? PERDI MINHA MÃE E AGORA O MEU PAI! — Os empregados começam a nos olhar, Fabrício põe o café sobre a mesa, pega no meu braço e me tira dali. Relutei um pouco, mas acabei cedendo e fomos para o escritório do meu pai, em seguida fecha a porta para não sermos incomodados.
— Desculpa, não podia falar daquele jeito, mas você tem que se acalmar… — Ele levanta o pulso para ver a hora. — Daqui a meia hora vai acontecer o funeral do seu pai, então tenta ficar calmo. — Estou encostado na mesa que havia sido dele com as mãos na cabeça. Vem em minha mente a nossa discussão, depois ele caído lá embaixo. Lágrimas voltam a cair. Sacudo a cabeça para afastar aquela lembrança.
— É culpa minha… — Sussurro. Meu amigo se aproxima.
— O que você disse? — Pergunta.
— EU DISSE QUE ISSO É CULPA MINHA! — Pego as coisas que estão sobre a mesa e começo a jogar na porta com muita raiva, meu amigo se abaixa para não pegar nele. — EU DESEJEI AMORTE DELE! ISSO É CULPA MINHA! — Enquanto estou jogando as coisas na porta e gritando, meu amigo vem por trás dando um "abraço de urso" golpe de JiuJitsude quando éramos adolescentes, me deixando imóvel. — FABRÍCIO, ME SOLTA!
— Não vou soltar até você se acalmar! — Faço força pra sair, ele continua me segurando com força. Aos poucos vou perdendo a força e a raiva que estava sentindo estava indo embora. Ele solta e me sento na cadeira. — Está calmo agora? — Quando ia dizer algo, alguém bate na porta.
— Entra! — Grita o Fabrício. Entra um dos empregados e avisa que está tudo pronto para o funeral. Fabrício libera os empregados para descansarem e pede para voltarem no horário marcado. Logo ele fecha a porta e vem até a minha direção, encostando na mesa e ficando na minha frente. — Que tal um banho? — Balanço a cabeça concordando, em seguida me levanto da cadeira e vou indo na frente e meu amigo atrás de mim. Abri a porta, mas antes de sair, me virei e me joguei nos braços do meu melhor amigo que não entendeu nada.
— Obrigado… Por você estar aqui… Agora você é a única família que tenho. — Ele me abraça também e depois dá dois tapas nas minhas costas.
— Que isso, mano. O que você precisar, sempre vou estar aqui. — Aperta o meu ombro. Sacudi a cabeça e cai uma lágrima, sem demora enxuguei o meu rosto e fomos para o quarto. Tomei aquele banho e me arrumei para me despedir do meu pai.