O Plano em Ação

1067 Words
A noite estava silenciosa demais. Veluma sentia um peso estranho no ar, como se algo r**m estivesse prestes a acontecer. Fernando vigiava do escritório, atento a cada som vindo do lado de fora. De repente, um barulho metálico ecoou do portão principal. Ele se levantou rapidamente, o coração acelerado. — Veluma, tranca as portas — disse firme. Ela o olhou assustada. — O que foi? — Acho que alguém está tentando entrar. Enquanto Veluma corria para proteger os gêmeos, Fernando pegou o revólver antigo do pai. Lá fora, entre as sombras, Félix sorria satisfeito. Ao lado dele, Cenet observava com frieza. — Está na hora de derrubar o império do magnata — murmurou ela. Félix assentiu. — E de acabar com o amor deles de uma vez por todas.O som do portão sendo forçado ecoou pela propriedade. Veluma tremia, mas manteve a calma — pegou os gêmeos e correu para o quarto secreto atrás da biblioteca, o mesmo que Fernando mostrara meses antes. Fernando desceu as escadas com passos firmes, o olhar determinado. A cada estalo vindo do lado de fora, seu coração batia mais rápido. De repente, o vidro da janela se estilhaçou. Uma sombra invadiu o salão principal. Fernando ergueu a arma. — Apareça, Félix! — gritou ele. — Isso termina hoje! Do escuro, a risada de Félix soou baixa e c***l. — Termina sim, Fernando… mas não do jeito que você espera. Antes que Fernando pudesse reagir, uma bomba de fumaça foi lançada. A mansão se encheu de névoa, e o som de passos rápidos ecoou por todos os lados. Fernando tossiu, tentando enxergar. — Veluma! — gritou desesperado. Ela ouviu de longe, segurando os bebês contra o peito, lágrimas escorrendo. — Por favor, meu Deus… protege ele… Do outro lado, Félix caminhava pela névoa, sorrindo. — Hoje, o magnata da terra vai conhecer o verdadeiro inferno.A fumaça se espalhava pelo corredor, densa e sufocante. Fernando m*l conseguia enxergar, mas o instinto o guiava. Ouviu passos atrás dele — rápidos, leves — e virou-se, o coração disparado. Era Veluma. — Eu não podia te deixar sozinho! — disse ela, com os olhos marejados. — Eu te mandei se esconder! — respondeu ele, furioso e preocupado. — E deixar você morrer? Nunca! Um som metálico ecoou — o clique de uma arma sendo engatilhada. Félix surgiu da névoa, com um sorriso sombrio. — Que cena bonita… o magnata e sua donzela. Pena que vai acabar em tragédia. Fernando se colocou na frente de Veluma, firme. — Se quiser machucar alguém, que seja eu. Félix riu. — E perder o prazer de ver ela sofrer? Nem pensar. De repente, um tiro ecoou — alto, seco. Veluma gritou, e tudo pareceu parar por um segundo. Mas o disparo não acertara ninguém. A bala havia atingido o lustre acima deles, que caiu, espalhando vidro e faíscas pelo chão. Aproveitando a confusão, Fernando puxou Veluma e correu com ela para a escada lateral. Atrás, Félix rugia de raiva. — Você pode correr, Fernando! Mas não vai escapar de mim!O fogo começava a se espalhar pelo tapete, iluminando o corredor com um brilho assustador. Fernando segurava firme a mão de Veluma enquanto subiam os degraus, tentando encontrar uma saída segura. — Cuidado! — gritou ela, ao ouvir um estalo. Parte do teto desabou atrás deles, bloqueando o caminho de volta. — Maldição… — murmurou Fernando, ofegante. — Estamos encurralados. Veluma apertou os gêmeos contra o peito, o desespero nos olhos. — Fernando, o quarto secreto! — lembrou ela, apontando para a parede disfarçada no fim do corredor. Sem pensar duas vezes, ele empurrou a estante, revelando a passagem escondida. Entraram rapidamente, enquanto a fumaça tomava conta do andar. Do lado de fora, Félix chutou a porta principal aberta, o rosto coberto de fuligem e fúria. — Eu sei que estão aqui! — gritou, a voz ecoando pelas paredes. — Nem a terra que você tanto ama vai esconder vocês de mim! Fernando abraçou Veluma e os filhos, o coração acelerado. — Shh… vai ficar tudo bem. Eu prometo. Mas, no fundo, ele sabia que aquela promessa talvez fosse a mais difícil de cumprir.O som das chamas crepitando misturava-se ao eco dos passos de Félix pelos corredores. Dentro do túnel secreto, o ar era pesado, úmido e escuro. Veluma tremia, tentando abafar o choro dos gêmeos enquanto Fernando guiava a lanterna antiga que encontrara ali. — Estamos quase na saída — sussurrou ele. — Aguenta firme, meu amor. Veluma assentiu, os olhos marejados. — E se ele nos achar? — Não vai — respondeu, embora a própria voz tremesse. Um estrondo fez o chão tremer. Fernando virou-se — parte do teto do túnel havia cedido atrás deles, bloqueando o retorno. Agora, não havia escolha: ou seguiam em frente… ou ficariam presos para sempre. Ele respirou fundo, apertando a mão dela. — Venha. A gente vai sair disso, eu juro. Do outro lado da mansão, Félix observava o fogo se espalhar pelas paredes antigas. Seu sorriso era frio, c***l. — Queimem… queimem todos. Só assim ele vai entender o que é perder tudo. Mas no fundo do túnel, a esperança ainda pulsava — fraca, mas viva — nas mãos entrelaçadas de Fernando e Veluma.O túnel se estreitava a cada passo. O som distante do fogo parecia mais fraco, mas o medo continuava forte dentro de Veluma. Ela olhava para Fernando, exausta, mas determinada. — Eu não aguento muito mais, Fernando… os bebês estão pesados. Ele parou, a respiração ofegante, e estendeu os braços. — Me dá um deles, amor. Vamos revezar. Enquanto a trocavam rapidamente, um barulho metálico ecoou atrás — uma tampa de ferro sendo arrastada. Fernando prendeu a respiração. — Ele achou a passagem… Veluma arregalou os olhos. — Meu Deus… Sem pensar, Fernando a puxou para frente. — Corre, Veluma! Não olha pra trás! As batidas dos passos de Félix agora ecoavam no túnel, cada vez mais próximas. — Vocês acham que podem fugir de mim?! — gritou ele, sua voz misturada à loucura. Veluma apertou o filho contra o peito e correu com todas as forças. Ao longe, uma réstia de luz apareceu — a saída. Fernando a empurrou adiante, gritando: — Vai! Eu logo atrás! Ela atravessou o buraco estreito e caiu sobre o gramado úmido do outro lado, ofegante. Um segundo depois, Fernando surgiu, fechando a tampa com um baque surdo. Eles estavam livres. Por enquanto.
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