A noite estava silenciosa demais.
Veluma sentia um peso estranho no ar, como se algo r**m estivesse prestes a acontecer.
Fernando vigiava do escritório, atento a cada som vindo do lado de fora.
De repente, um barulho metálico ecoou do portão principal.
Ele se levantou rapidamente, o coração acelerado.
— Veluma, tranca as portas — disse firme.
Ela o olhou assustada. — O que foi?
— Acho que alguém está tentando entrar.
Enquanto Veluma corria para proteger os gêmeos, Fernando pegou o revólver antigo do pai.
Lá fora, entre as sombras, Félix sorria satisfeito.
Ao lado dele, Cenet observava com frieza.
— Está na hora de derrubar o império do magnata — murmurou ela.
Félix assentiu. — E de acabar com o amor deles de uma vez por todas.O som do portão sendo forçado ecoou pela propriedade.
Veluma tremia, mas manteve a calma — pegou os gêmeos e correu para o quarto secreto atrás da biblioteca, o mesmo que Fernando mostrara meses antes.
Fernando desceu as escadas com passos firmes, o olhar determinado.
A cada estalo vindo do lado de fora, seu coração batia mais rápido.
De repente, o vidro da janela se estilhaçou.
Uma sombra invadiu o salão principal.
Fernando ergueu a arma.
— Apareça, Félix! — gritou ele. — Isso termina hoje!
Do escuro, a risada de Félix soou baixa e c***l.
— Termina sim, Fernando… mas não do jeito que você espera.
Antes que Fernando pudesse reagir, uma bomba de fumaça foi lançada.
A mansão se encheu de névoa, e o som de passos rápidos ecoou por todos os lados.
Fernando tossiu, tentando enxergar.
— Veluma! — gritou desesperado.
Ela ouviu de longe, segurando os bebês contra o peito, lágrimas escorrendo.
— Por favor, meu Deus… protege ele…
Do outro lado, Félix caminhava pela névoa, sorrindo.
— Hoje, o magnata da terra vai conhecer o verdadeiro inferno.A fumaça se espalhava pelo corredor, densa e sufocante.
Fernando m*l conseguia enxergar, mas o instinto o guiava.
Ouviu passos atrás dele — rápidos, leves — e virou-se, o coração disparado.
Era Veluma.
— Eu não podia te deixar sozinho! — disse ela, com os olhos marejados.
— Eu te mandei se esconder! — respondeu ele, furioso e preocupado.
— E deixar você morrer? Nunca!
Um som metálico ecoou — o clique de uma arma sendo engatilhada.
Félix surgiu da névoa, com um sorriso sombrio.
— Que cena bonita… o magnata e sua donzela. Pena que vai acabar em tragédia.
Fernando se colocou na frente de Veluma, firme.
— Se quiser machucar alguém, que seja eu.
Félix riu.
— E perder o prazer de ver ela sofrer? Nem pensar.
De repente, um tiro ecoou — alto, seco.
Veluma gritou, e tudo pareceu parar por um segundo.
Mas o disparo não acertara ninguém. A bala havia atingido o lustre acima deles, que caiu, espalhando vidro e faíscas pelo chão.
Aproveitando a confusão, Fernando puxou Veluma e correu com ela para a escada lateral.
Atrás, Félix rugia de raiva.
— Você pode correr, Fernando! Mas não vai escapar de mim!O fogo começava a se espalhar pelo tapete, iluminando o corredor com um brilho assustador.
Fernando segurava firme a mão de Veluma enquanto subiam os degraus, tentando encontrar uma saída segura.
— Cuidado! — gritou ela, ao ouvir um estalo.
Parte do teto desabou atrás deles, bloqueando o caminho de volta.
— Maldição… — murmurou Fernando, ofegante. — Estamos encurralados.
Veluma apertou os gêmeos contra o peito, o desespero nos olhos.
— Fernando, o quarto secreto! — lembrou ela, apontando para a parede disfarçada no fim do corredor.
Sem pensar duas vezes, ele empurrou a estante, revelando a passagem escondida.
Entraram rapidamente, enquanto a fumaça tomava conta do andar.
Do lado de fora, Félix chutou a porta principal aberta, o rosto coberto de fuligem e fúria.
— Eu sei que estão aqui! — gritou, a voz ecoando pelas paredes. — Nem a terra que você tanto ama vai esconder vocês de mim!
Fernando abraçou Veluma e os filhos, o coração acelerado.
— Shh… vai ficar tudo bem. Eu prometo.
Mas, no fundo, ele sabia que aquela promessa talvez fosse a mais difícil de cumprir.O som das chamas crepitando misturava-se ao eco dos passos de Félix pelos corredores.
Dentro do túnel secreto, o ar era pesado, úmido e escuro.
Veluma tremia, tentando abafar o choro dos gêmeos enquanto Fernando guiava a lanterna antiga que encontrara ali.
— Estamos quase na saída — sussurrou ele. — Aguenta firme, meu amor.
Veluma assentiu, os olhos marejados.
— E se ele nos achar?
— Não vai — respondeu, embora a própria voz tremesse.
Um estrondo fez o chão tremer.
Fernando virou-se — parte do teto do túnel havia cedido atrás deles, bloqueando o retorno.
Agora, não havia escolha: ou seguiam em frente… ou ficariam presos para sempre.
Ele respirou fundo, apertando a mão dela.
— Venha. A gente vai sair disso, eu juro.
Do outro lado da mansão, Félix observava o fogo se espalhar pelas paredes antigas.
Seu sorriso era frio, c***l.
— Queimem… queimem todos. Só assim ele vai entender o que é perder tudo.
Mas no fundo do túnel, a esperança ainda pulsava — fraca, mas viva — nas mãos entrelaçadas de Fernando e Veluma.O túnel se estreitava a cada passo. O som distante do fogo parecia mais fraco, mas o medo continuava forte dentro de Veluma.
Ela olhava para Fernando, exausta, mas determinada.
— Eu não aguento muito mais, Fernando… os bebês estão pesados.
Ele parou, a respiração ofegante, e estendeu os braços.
— Me dá um deles, amor. Vamos revezar.
Enquanto a trocavam rapidamente, um barulho metálico ecoou atrás — uma tampa de ferro sendo arrastada.
Fernando prendeu a respiração.
— Ele achou a passagem…
Veluma arregalou os olhos. — Meu Deus…
Sem pensar, Fernando a puxou para frente.
— Corre, Veluma! Não olha pra trás!
As batidas dos passos de Félix agora ecoavam no túnel, cada vez mais próximas.
— Vocês acham que podem fugir de mim?! — gritou ele, sua voz misturada à loucura.
Veluma apertou o filho contra o peito e correu com todas as forças.
Ao longe, uma réstia de luz apareceu — a saída.
Fernando a empurrou adiante, gritando:
— Vai! Eu logo atrás!
Ela atravessou o buraco estreito e caiu sobre o gramado úmido do outro lado, ofegante.
Um segundo depois, Fernando surgiu, fechando a tampa com um baque surdo.
Eles estavam livres.
Por enquanto.