Ela pareceu surpresa.
Talvez esperasse que ele risse dela. Que achasse infantil.
Mas Oliver não riu. Nem desviou o olhar.
Ele realmente não se importava.
Clarice voltou para o sofá. Enquanto a a******a começava, ela pediu:
— Se quiser dormir ou… sair… não precisa ficar, tá? Eu sei que é meio bobo.
Oliver franziu a testa, quase ofendido por ela pensar isso.
— Clarice, se você está assistindo, eu estou assistindo — disse com firmeza. — E nada do que você gosta é bobo.
Ela respirou fundo e aquele pequeno gesto revelava o impacto que as palavras dele tinham.
Quando o filme começou, Clarice ficou claramente sem jeito.
Mas Oliver prestava atenção de verdade.
Em certo momento, durante uma música, ele comentou:
— A harmonia dessa cena é interessante…
— A harmonia? — Ela riu baixinho, surpresa. — Quem fala isso vendo a Princesa e o sapo ?
— Alguém que faz análise de tudo que vê — ele respondeu, inclinado na direção dela. — Mas eu admito… essa parte é legal.
Depois, quando uma das personagens secundárias fez uma piada boba, Oliver soltou um som discreto de riso pelo nariz.
Não largo.
Não exagerado.
Mas real.
Clarice virou o rosto para ele, como se precisasse confirmar que tinha ouvido aquilo mesmo.
Ele percebeu.
— O que foi? — perguntou, confuso.
— Nada… — ela respondeu, mas seus olhos diziam outra coisa.
Algo como: faz muitos anos que ninguém assiste algo que eu gosto comigo sem reclamar.
Ela voltou a olhar a tela, mas sua expressão estava diferente.
Mais leve.
Mais confortável.
Mais… tocada.
E, pela primeira vez, a ideia de estar ali naquela sala gigante, ao lado de um homem tão complexo quanto Oliver Frankwood não parecia perigosa ou estranha.
Parecia segura.
Parecia simples.
Parecia confortável.
E Clarice pensou, quase sem querer:
Ele realmente presta atenção em mim.
O filme terminou com aquela música suave, a tela ficando escura enquanto os créditos subiam devagar. Clarice pegou o controle remoto e pausou tudo antes que começasse o próximo episódio automático.
Por um segundo, só o silêncio ficou entre eles o silêncio confortável, não tenso. Um silêncio que parecia acolher.
Ela virou-se para Oliver, ainda abraçando a almofada que tinha colocado no colo.
— Obrigada… por assistir comigo. — A voz saiu baixa, sincera, quase frágil. — É a primeira vez em muito tempo que alguém faz isso sem reclamar.
Oliver inclinou a cabeça.
— Eu não tenho motivo pra reclamar de nada que venha de você, Clarice.
Ela sentiu o estômago revirar não de medo, mas de algo novo. Algo que a aquecia por dentro.
Oliver se levantou primeiro, talvez para desligar a TV, talvez para criar algum espaço… mas Clarice também se levantou, quase no mesmo instante, e eles acabaram tão perto que apenas um passo separava um do outro.
Oliver engoliu seco.
— Clarice… — começou, como se precisasse impedir algo — você não precisa—
— Eu sei — ela interrompeu, e foi a primeira vez que tomou controle daquela conversa.
A respiração dela estava mais rápida.
As bochechas coradas.
Os olhos claros tremendo em dúvida… mas não medo.
Ela deu meio passo à frente.
Ele pareceu prendê-la com o olhar, tentando decidir se recuava, se avançava, se respirava.
Mas Clarice decidiu primeiro.
Com as mãos tremendo um pouco, ela segurou o rosto dele, os dedos tocando de leve a barba bem aparada. Oliver ficou rígido por um instante quase um reflexo de choque.
E então Clarice fechou os olhos…
…e o beijou.
Um beijo suave no início, hesitante, cheio de incerteza.
Oliver não correspondeu nos primeiros dois segundos, não por rejeição, mas porque não acreditava que estava acontecendo. Era como se o mundo tivesse parado ao redor dele, como se todo o autocontrole que ele vinha segurando desde o hospital estivesse sendo testado de uma forma c***l.
Clarice afastou meio centímetro, abrindo os olhos com medo de ter errado mas então Oliver a puxou pela cintura, devagar, como se ela fosse algo que ele poderia quebrar com o mínimo toque.
E retribuiu o beijo.
Lento.
Profundo.
Guardado por tempo demais.
Clarice suspirou contra a boca dele, e Oliver sentiu suas mãos deslizarem até a nuca dela, acariciando o início dos cachos.
Quando o beijo terminou, Oliver manteve a testa encostada na dela, respirando fundo, tentando se recompor.
— Clarice… — sussurrou, a voz rouca — você não faz ideia do que isso significa pra mim.
Os olhos dela brilharam.
E pela primeira vez…
ela não sentiu medo.
ela não sentiu culpa.
ela não sentiu que estava traindo expectativas alheias.
Pela primeira vez, sentiu liberdade.
E Oliver… sentiu que tudo no mundo fazia sentido outra vez.
—Clarice,querida, está bem ?
Clarice assentiu envergonhada.
— Pode buscar um copo de água para mim, Clarice?
— S-sim...já volto.
Clarice saiu e Oliver respirou fundo, o beijo de Clarice o tinha deixado e******o, a proximidade com ela era demais para seu autocontrole.