Sete/Oitos anos atrás
Eu estava chegando da escola junto com a minha melhor amiga, a Íris. A escola era próxima de casa e como éramos vizinhas, íamos e voltávamos juntas.
Acho que era quinta-feira, porque nesse dia tivemos aula de educação física.
Chegamos no portão da minha casa e ouvimos os gritos da minha mãe.
- Maya, vamos ficar em casa comigo.
A Íris sempre viu as brigas de perto e sempre tentava me ajudar, mesmo sendo mais nova.
- Tá tudo bem Íris. Mais tarde, eu te chamo.
Quando entrei em casa, minha mãe brigava com meu padrasto. O motivo como sempre, era dinheiro.
- Eu tô cansada de viver nesse miséria. Não aguento mais isso, eu não nasci pra isso. Você precisar da um jeito nisso, Manoel! - minha mãe gritava pela sala.
- Você acha que eu gosto de viver assim? C@r@lho! Eu quero usar minhas coisas, minhas bebidas. Você é uma inútil, poderia ter engravidado de alguém rico! - Meu padrasto retrucava.
Passei por eles, subi para meu quarto e fui tomar banho. Essa era minha rotina.
Acabei deitando e pegando no sono, porque não gostava de ver eles brigando... E m*l sabia, que o pior estava por vim.
Acordei com alguém me pegando pelos braços, era um homem, alto, forte e estava todo de preto.
Quando comecei a gritar, ele tampou minha boca e me arrastou pela casa. E quando, eu sai do quarto, para meu desespero, minha mãe estava na sala com o Manoel e ninguém me ajudou.
Me lembro deles rindo, se abraçando, enquanto aquele homem, me levava para fora de casa. Eu era pequena, não tinha força, não consegui lutar. Quando chegamos no portão, eu chutei minha bicicleta e ela acabou caindo- com o barulho, Íris saiu pra fora e foi tentar me ajudar.
Outro homem, agarrou a Íris e a única coisa que ouvimos, foi minha mãe dizendo:
- Pode levar essa outra aí, a vó dela é de idade.. Não vai dar falta da menina. Vocês se comportem, ouviram?
E assim, a porta do carro se fechou. Eu e a Íris, lá dentro, abraçadas e chorando.
Minha mãe com o Manoel do lado de fora, rindo e comemorando.