ÍRIS -NO HOSPITAL

941 Words
O dia amanheceu e a Maya me acordou. Apesar de ser um ano mais nova, Maya sempre cuidou de mim, como uma irmã mais velha. Quando ela contou do plano no café da manhã, meu coração pulava no peito, eu tinha certeza que quem passasse perto de mim, conseguia ouvir. Durante todo a manhã, fiz meus afazeres, ajudei no que podia, porém estava em modo automático. Minha cabeça não parava de pensar no plano, na fuga, na mudança da vida. Era possível ter uma vida melhor? Viver uma vida sem abusos, sem medo? Essa ideia martelava meus pensamentos. Quando foi anoitecendo, meu coração batia em ritmo descompassado. Eu tinha certeza, dava para ouvir o barulho das batidas além do peito. Estávamos na garagem, tudo não passava de um borrão pela minha visão, foi quando a Maya pegou a minha mão: - CORRE ÍRIS, NÃO SOLTE A MINHA MÃO! – E me puxou. Eu não conseguia pensar, não conseguia responder. Mas de alguma forma, por algum impulso, meus pés e pernas responderam. E corremos. Corremos sem direção, sem rumo... Meu corpo só registrava detalhes, com o frio da noite, o sereno, as folhas secas... Minha respiração estava irregular, mas quando eu sentia a mão da Maya, segurando a minha, parece que tudo normalizava e pelo correr, eu conseguia. Quando paramos na árvore para recuperar o fôlego, ouvimos barulho de carros, motos. Seguimos naquela direção, parece que quanto mais a gente corria, mais longe o barulho ficava e mais perto os seguranças chegavam. Os cachorros, eu sempre tive pavor dos cachorros. E então chegamos na pista, foi quando eu senti um impacto nas minhas costas e de repente, uma dor imensa. -AAAAAAAAAAAAAAAH! – E eu caí, Maya tentava me segurar, mas a dor era insuportável. Mas eu precisava ser forte, eu precisava pelo menos, que a Maya fugisse. Mesmo que isso significasse a minha morte. Lembro de pouco coisa... Lembro do barulho dos carros e buzinas... Dos faróis, gritos e tiros. E aos poucos, tudo foi ficando distante. Mas do nada, pareceu uma figura na minha frente. Eu não consegui identificar quem era ou que era, porém o cheiro dele era bom. Um cheiro forte, amadeirado, mas que de alguma forma, me dava paz. Quando ele me pegou no colo, disse alguma coisa, mas eu não entendi nada.. Senti quando ele me colocou no seu colo, o calor do corpo era confortável e me passava uma tranquilidade. Foi quando ele sussurrou no meu ouvido: -Calma, eu vou te salvar! Aguenta pequena.... E ali, eu fechei os olhos e me concentrei no cheiro dele, no calor dele. Quando eu abrir os olhos, eu estava deitada em algum tipo de cama, era dura, mas de alguma forma era confortável. Havia luzes muito fortes em cima de mim e uma moça gentil falou: - Oi, eu sou enfermeira. Você está no hospital. Vamos te salvar, só aguenta firme! E então, um sono forte me puxou. Uma batalha foi travada e eu tentei resistir ao máximo. Pensava na Maya, pensava naquele homem que me salvou. Mesmo assim, o sono me pegou. Tive um sonho, que estava com livre, em um campo lindo de flores, com um vestido branco delicado e ao longe, um homem de silhueta firme e forte. Mas algo me trouxe de volta, uma sensação na minha mão e então, tentei abrir meus olhos. E para minha surpresa, ele estava ali, sentado em uma cadeira apoiando a sua mão sob a minha, ele sentiu que acordei e levantou a cabeça. Ali eu pude reparar nos detalhes... Ele era alto, forte, tinha todo o corpo coberto de tatuagens, apenas um espaço sem desenho, entre ombro direito e o pescoço. Uma tatuagem subia até a altura do rosto, próximo ao queixo e uns detalhes finalizavam quase na bochecha. Ele tinha um olhar possessivo, porém ele me transmitia tanta paz e tranquilidade. -Eae mina, como cê ta? Precisa ficar com medo não. Não vou te machucar. - Qu-uem é vo-você? – Eu sentia que estava meio grogue, área e tentava forma as palavras com cuidado. - Pode me chamar de Falcão, eu e meu parceiro achamos você e a sua irmã, tu tinha tomada um tiro. Qual foi essa ideia ai? - Meu nome é Íris. Ca-cadê a Maya? Onde estou? - Fica suave, tua irmã ta em outro quarto. Tu tá no postinho, aqui no Cantagalo, Ele levantou-se e saiu do quarto. Alguns minutos depois, ele entrou com a Maya que veio correndo e me abraçou. No fundo, vi o Falcão e outro rapaz juntos. Na mesma hora, uma enfermeira entrou, verificou o meu curativo e disse que eu ia precisar ficar mais alguns dias internadas, devido à cirurgia e quantidade de sangue que eu havia perdido. -Maya, fica aqui comigo! Não quero ficar sozinho aqui, eles vão vir atrás de gente. – Eu sussurrei, quase como um segredo. E antes que a Maya pudesse responder, o rapaz ao lado do Falcão se pronunciou: - A gente precisa resolver isso. Preciso saber qual o BO. O Falcão vai ficar contigo aqui no hospital. E ela, vem pra casa comigo. O medo, o pânico, o desespero tomou conta de mim e da Maya e antes que a gente pudesse retrucar, meu salvador respondeu: - Fica tranquila. Ninguém vai mexer com você aqui nesse quarto ou com a sua irmã. Vou em casa, trocar de roupa, pagar uma ducha e já encosto. E assim, o Falcão saiu... Deixando a Maya ali no quarto e o outro homem na porta. - Íris, acho que eles não vão nos fazer m*l. Aguenta firme, que vamos resolver isso. E eu dormi novamente...
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