Lia quase não acreditava que aquilo estava acontecendo, após anos sonhando e esperando aquele momento, ele finalmente tinha chegado. Estava grávida e apesar de não estar mais com Lucca, aquilo não anulava a felicidade dela, de qualquer forma, era um bebê deles, fruto do amor deles. E a felicidade não foi só dela, ao chegar à casa em lágrimas, causando preocupação nos pais que a olharam assustados ao ver como ela chorava de soluçar, mas a felicidade deu lugar assim que souberam que teriam um netinho ou netinha.
Apesar de terem se passado duas semanas desde a descoberta da gravidez, ela ainda não tinha contado nada para o ex marido e nem para os amigos, ela ainda queria curtir aquele momento só ela e o bebê, aquela felicidade que transbordava o peito ao saber que estava gerando seu filho. E também se preparando para contar ao ex marido. Ela ainda não sabia como fazer isso, mas tinha plena consciência de que ele deveria saber, afinal de contas, mesmo sem planejarem, aquele bebê também era dele e fora o fato de ter que estar cara a cara com ele depois de um certo tempo em que não se viam e nem se falavam.
Lia tinha marcado de ficar na casa de Joanna, ela atravessaria a ponte Rio Niterói e logo estaria na casa da amiga, apesar de não estar viajando para outro estado, os pais ficaram preocupados dela enfrentar aquele transito do Rio de Janeiro, as noticias não eram boas, sempre ocorriam acidentes e sem contar a violência diária no transito. Mesmo com todas as recomendações feitas, não deixariam de se preocuparem nunca, ainda mais com ela grávida. Lia se despediu dos pais com um sorriso de felicidade e um abraço e garantiu que avisaria assim que chegasse a casa da amiga.
Joanna ficou feliz em receber a amiga por aqueles dias, fazia tempo que as duas não passavam um tempo juntas, Joanna não queria atrapalhar a privacidade de Maria e Eric ainda mais com o fato do casal ainda estar discutindo a respeito do doador. E Joanna não perdeu a oportunidade de convidar a amiga, seria bom ficar com ela um tempo e até Analu iria gostar, com Ian fazendo tantos plantões na delegacia, as vezes se sentia um pouco sozinha, principalmente quando a filha ficava na casa dos pais de William.
Claro que Lia foi recebida com muitos abraços e beijos pelas duas.
Analu: Tia Lia, estava morrendo de saudades. Disse abraçando Lia bem forte.
Lia: Eu também estava morrendo de saudades de você, minha princesa. Disse sorrindo.
Joanna: Ai amiga, nem acredito que vai ficar esses dias aqui, temos tantas coias para conversar.
Lia: E nós vamos, quero saber de tudo em, ainda mais o que não dá para contar por telefone. As duas riram.
Analu: Vem, tia. Vamos lá no meu quarto. Quero te mostrar o jogo novo que o tio Ian me deu.
Joanna: Analu, filha, calma um pouquinho. A Lia acabou de chegar, deixa ela se acomodar primeiro.
Lia: Deixa ela, Joanna. Eu gosto de ver essa animação toda com a minha presença. Brincou
Joanna: b***a! Você está tão feliz, radiante, com um brilho no olhar, sabe? Estou te achando bem diferente.
Lia: Eu estou, Jô. Estou feliz, como nunca estive antes. E preciso contar umas coisinhas a você e a Maria, só que eu não podia falar por telefone.
Joanna: Então me conta logo, mulher, estou curiosíssima.
Lia: Não posso, antes tenho que contar para uma pessoas. Disse deixando Joanna desconfiada.
Joanna: Está saindo com alguém? Perguntou curiosa, se aquilo fosse verdade, Lucca iria enlouquecer.
Lia: Claro que não, doida. O que eu menos quero agora é me envolver com alguém. Joanna assentiu.
Analu: Conversa de adulto é chata. Disse emburrada ao não ter atenção das duas.
Joanna: Ana Luisa, não me faça passar vergonha. Já terminou suas tarefas.
Analu: Ah não, mãe. Depois eu faço. Reclamou
Joanna: Agora! Disse séria e a menina voltou para o quarto emburrada.
Lia: Tadinha, amiga. Disse com pena da menina.
Joanna: Se eu deixar ela me passa a perna. Nunca vi tão esperta, o pai que era assim. Deixa só quando tiver o seu, aí eu quero ver. Lia sorriu ao imaginar, aquilo não estaria tão distante como ela pensava, já que o seu bebê estava ali, dentro dela.
Mas enquanto Lia e Joanna jogavam conversa fora, Maria saía de casa atrasada para o trabalho, após mais uma discussão com o marido, ela acabou se atrasando, os dois pareciam não se entender, ele dizia que já tinha o doador ideal, ela ainda não se sentia segura com a opção, a ideia de um doador desconhecido ainda não a agradava, e co isso os dois brigavam com frequência, ela nem viu o marido sair para trabalhar, só escutou ele bater a porta com força ao sair de casa, enquanto ela ainda estava no banho, e apesar da vontade de chorar, ela jurou não fazer isso, principalmente com Lia, na cidade, queria curtir aquele momento de meninas, e não ficar contando seus problemas para as amigas. Por isso foi trabalhar e de lá iria direto para casa de Joanna.
Mas assim como ela, Eric não estava com cabeça mais para trabalhar e assim que colocou os pés na delegacia os amigos perceberam, Lucca que por ser o mais próximo já té sabia o motivo da briga, parecia que a bruxa andava solta para os casais dos grupos de amigos.
Lucca: Brigou de novo com a Maria? Perguntou, porém ele já sabia a resposta.
Eric: Nós não conseguimos nos entender mais, toda vez que falamos sobre o doador brigamos.
Lucca: Ela esta insegura, Eric. É normal, é um passo muito importante que vocês estão dando.É só respeitar o tempo dela que as coisas se ajeitam.
Eric: Não é o esse o problema, as vezes eu acho que ela espere que aconteça um milagre e o filho seja meu, que os exames estejam errados. Não é a escolha do doador, é o fato de não ser eu entende? Ela se frustra e eu também, porque eu queria poder dar isso a ela, mas eu não posso,cara. Isso dói em mim, mas fazer o que?
Lucca: Complicado, mas ainda acho que é uma questão de tempo.
Diana observava os dois conversando e fica admirava cada vez maiso Lucca, a cada dia que se passava ela se encantava com ele. Camila riu ao ver a amiga.
Camila: Disfarça essa cara de safada. Disse rindo.
Diana: Não dá. Olha como ele é sexy com aquela cara de sério.
Camila: Diana, pelo amor de Deus, o Cara já disse que não quer nada com você.
Diana: Eu sei, eu escutei com todas as letras, já não sei mais o que fazer para ter esse homem. Minha calcinha está molhada só de olhar para ele assim, fico pensando em como seria o sexo com ele.
Camile: Poupe meus ouvidos, Diana. Não quero saber o que você anda pensando com o investigador, mas acho que devia desistir, está claro para qualquer um aqui que ele não quer se envolver com ninguém, não é só você quem está interessada nele, as mulheres parecem que caíram em cima assim que souberam da separação, mas ele não deu moral para ninguém. Desiste, Diana.
Diana: Não dá, eu quero muito esse homem. E não sou de desistir fácil. Candice balançou a cabeça em sinal de negação. - E você só fala isso, porque esta flertando com o delegado, pensa que eu não vi os olhares de vocês? Você e o Paulo de sorrisos e olhares. Camila ficou sem graça.
Camila: Você está vendo coisas, não tem nada acontecendo, somos só colegas de trabalho, o mínimo é manter uma boa convivência.
Diana: Sei, vou fingir que acredito nessa.
O que ninguém esperaria naquele dia tão pacato, era um Lia entrar na delegacia, sorrindo, cumprimentando a todos com toda simpatia do mundo, alguns homens admiravam como a ex esposa do investigado estava ainda mais bonita, mais gostosa. Diana e Camila a olharam estranhando como ela conhecia todos.
Lucca tomava café com Pauo, Ian e Eric quando um policial entrou na sala do delegado.
- Lucca...O chamou e ele que ainda conversava com com os amigos se virou.
Lucca: Sim?
- Sua esposa está aqui...quer dizer...ex esposa. Disse atrapalhado sem saber como se dirigir a ele. O coração de Lucca parecia que ia sair pela boca, parecia um adolescente nervoso sem saber o que dizer para a garota que gostava.
Lucca: A Lia...está aqui? O Policial assentiu rino de leve ao ver como Lucca tinha ficado.
Paulo: Está esperando o que, i****a? Vai lá ver a sua garota. Incentivou o amigo Que m*l colocou a caneca de café na mesa e saiu da sala. Fazendo Ian, Paulo e Eric gargalharem.
Eric: Está todo bobo.
Ian: Ele ainda arrasta um caminhão por ela.
Paulo: Caminhão? Ele é louco por ela, espero que ela tenha vindo para os dois se entenderem.
Eric: Acho difícil. Mas não custa nada torcermos né.
Lucca m*l conseguia acreditar que era ela mesa ali , na sua frente, ainda mais linda do que ele se lembrava.
Lia: Oi, Luc. Disse sem jeito.
Lucca: Oi, amor..er..quer dizer..Lia... Disse sem jeito. Os velhos hábitos.
Lia: Está muito ocupado? Se tiver, eu posso voltar outra hora. Deveria ter avisado que vinha, desculpe.
Lucca: Não! Se apressou em dizer. - Não estou e mesmo se tivesse eu daria um jeito só para estar com você. Disse sincero e ela corou, ele ainda tinha esse efeito sobre ela. Os dois nem perceberam, mas toda atenção da delegacia era deles, alguns curiosos em saber se os dois tinham voltado. Quem não gostava nada daquilo, era Diana. Ela tinha olhado Lia e percebeu como era bonita, o corpo escultural, que além de bonita, era elegante, mas que parecia ter simplicidade também. E ela podia ver como os dois eram íntimos e a forma como Lucca sorria e admirava aquela mulher.
Lia: Será que podemos conversar em lugar mais reservado?
Lucca: Claro, eu vou buscar minha coisas. Disse e segurou uma das mãos dela. - Me espera, eu não demoro. Ele sorriu e ela admirou aquele sorriso, era o mesmo sorriso que a encantava há dez anos.
Lia: Tudo bem, não vou sair daqui. Disse sorrindo.
Lucca: Senti falta dele. Disse sem se conter.
Lia: Dele?
Lucca: Seu sorriso. Confessou
Lia: E eu senti sua falta. Quando ela percebeu o que disse já era tarde demais, ele sorria de orelha a orelha, para ele era como ganhar na loteria ao escutar aquilo.
Lucca: Também senti a sua falta, todos os dias. Ela abaixou a cabeça sem graça, mas um sorriso brotou em seu lábios e ele tinha percebido. -Já volto. Ela assentiu. Ele nem demorou muito para pegar suas coisas e sair com ela, que mais uma vez por força do hábito a abraçou pela cintura e ela não fez questão de tirar a mão dele ali. Quem não tinha gostado da cena era Diana.
Diana: Quem é ela? Perguntou sem se conter, tantos dias investindo nele e agora aparecia outra mulher, será que era por isso que ele a evitava? Por que já estava saindo com outra? Era o que ela pensava até alguém responder.
- A esposa dele. Diana se virou e encarou Sherlyn.
Sherlyn disse aquilo de boca cheia, com um prazer enorme, ela torcia muito para que o casal voltasse e de alguma forma, provocar Diana ou a deixar com raiva, era um prazer, uma satisfação. Diana engoliu a seco ao saber que aquela mulher que acabava de sair dali era a ex mulher dele.