Pov's Khadija.
Estados Unidos. 🏥 Nova York.
09:30 AM.-
Sou muçulmana, larguei a minha famĂlia na Arábia Saudita, para vim cursar medicina nos Estados Unidos.
Na minha cultura, a mulher Ă© criada para casar e ter filhos. NĂłs somos ensinadas desde de pequena a seguir os costumes.
Meu pensamento é diferente das outras muçulmanas, sempre sonhei em trabalhar e ter uma profissão.
Eu fui repudiada pela minha famĂlia, por essa escolha. Sou proibida de vĂŞ-los.
Moro sozinha, exerço a minha religião, mas ainda sim sinto o preconceito dos americanos enraizados.
Para uma muçulmana viver num paĂs como este, Ă© sem dĂşvida uma batalha.
— Marabha (olá).— cumprimento o porteiro na entrada, educadamente.
Sou ignorada, sinto que é pelo fato de eu usar um hijab e por ser muçulmana. Coloco o meu jaleco em volta da abaya que uso.
Hoje começa o meu primeiro dia como residente. Ando pelos corredores do hospital, conhecendo o lugar que eu vou trabalhar.
Uma das que presta-socorro vem trazendo um paciente Ă s pressas na maca.
— Doutora, eu estou precisando de ajuda aqui.— ela grita por mim.
Fico paralisada, imĂłvel, com os meus sentidos distantes. Meus olhos nem piscam, focalizando no paciente em estado grave.
— Doutora—mais uma vez, sou chamada.
AtĂ© tento dar passos adiantes, mas o meu instinto fala mais alto: Ă© um homem. É proibido qualquer tipo de toque e contato fĂsico.
Um médico em disparada toma a frente. Ele nem usa o jaleco, seu cabelo está todo bagunçado, como tivesse acabado de acordar.
De imediato, seu primeiro ato Ă© começar a fazer massagens cardĂacas com as prĂłprias mĂŁos, no paciente, no meio do corredor.
Todos olham para tela que medem os batimentos cardĂacos, esperando um sinal vital.
Quando o aparelho apita e dá indĂcios, imediatamente o mĂ©dico manda:
— Leve o paciente para sala UTI. Rápido!
As enfermeiras saem puxando a maca, Ă s pressas.
A atenção do homem de cabelo loiro; usando um uniforme azul predomina, pro meu rosto marcado pelo hijab.
Engulo em seco, desviando o olhar pro chão. Este que está na minha frente é o meu chefe. Por Alláh, estou ferrada!
O doutor Dylan Ortez é maior cirurgião nomeado, todos o prestigia; existem até livros publicados em seu nome.
O rosto dele está estampado na entrada do hospital, destacando o grau de sua relevância.
— Você vem comigo, novata.— ele começa a me puxar pelo braço.
– NĂŁo me toque.— sussurro, quase inaudĂvel, desconfortável.
E ganho o olhar sarcástico, junto com um sorriso irônico. Seus olhos azuis, me analisam de cima abaixo, como se eu fosse inferior.
— Você veio para uma igreja ou trabalhar? Troque essas roupas esquisitas.— evidencio a careta que o homem faz, ao mandar.
— NĂŁo posso usar roupas que marquem o meu corpo, Ă© haram, doutor.— explico, e o mesmo nĂŁo dá a mĂnima, revirando os olhos impaciente.
— Vá procurar o que fazer, vá para emergência.
— Para emergência?— minha voz sai receosa.
— Achou que o trabalho ia ser moleza, residente?— vejo-o se colocar em minha frente.
Aproximação me deixa nervosa, quando dou passos para trás e sinto as minhas costas serem prensadas na parede; por os nossos rostos estarem tão perto.
— E-eu...— suspiro tensa.
—Bora, eu tô mandando. A sua aprovação depende de mim, se esforça pelo menos. Coloca um batom nesses lábios...— ele repara, e umedeço a minha boca na hora— Não quero médicas feias ao meu lado.
— Doutor Dylan....— penso em chamá-lo.
Mas já o vejo no final do corredor, flertando com uma enfermeira. Diferente do mau humor que estava agora a pouco comigo, ele troca sorrisinhos com a profissional descaradamente.
Me viro, começando a andar.
Eu sĂł ia pergunta-lĂł onde ficava a emergĂŞncia.
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