Prologo

634 Words
Pov's Khadija. Estados Unidos. 🏥 Nova York. 09:30 AM.- Sou muçulmana, larguei a minha família na Arábia Saudita, para vim cursar medicina nos Estados Unidos. Na minha cultura, a mulher é criada para casar e ter filhos. Nós somos ensinadas desde de pequena a seguir os costumes. Meu pensamento é diferente das outras muçulmanas, sempre sonhei em trabalhar e ter uma profissão. Eu fui repudiada pela minha família, por essa escolha. Sou proibida de vê-los. Moro sozinha, exerço a minha religião, mas ainda sim sinto o preconceito dos americanos enraizados. Para uma muçulmana viver num país como este, é sem dúvida uma batalha. — Marabha (olá).— cumprimento o porteiro na entrada, educadamente. Sou ignorada, sinto que é pelo fato de eu usar um hijab e por ser muçulmana. Coloco o meu jaleco em volta da abaya que uso. Hoje começa o meu primeiro dia como residente. Ando pelos corredores do hospital, conhecendo o lugar que eu vou trabalhar. Uma das que presta-socorro vem trazendo um paciente às pressas na maca. — Doutora, eu estou precisando de ajuda aqui.— ela grita por mim. Fico paralisada, imóvel, com os meus sentidos distantes. Meus olhos nem piscam, focalizando no paciente em estado grave. — Doutora—mais uma vez, sou chamada. Até tento dar passos adiantes, mas o meu instinto fala mais alto: é um homem. É proibido qualquer tipo de toque e contato físico. Um médico em disparada toma a frente. Ele nem usa o jaleco, seu cabelo está todo bagunçado, como tivesse acabado de acordar. De imediato, seu primeiro ato é começar a fazer massagens cardíacas com as próprias mãos, no paciente, no meio do corredor. Todos olham para tela que medem os batimentos cardíacos, esperando um sinal vital. Quando o aparelho apita e dá indícios, imediatamente o médico manda: — Leve o paciente para sala UTI. Rápido! As enfermeiras saem puxando a maca, às pressas. A atenção do homem de cabelo loiro; usando um uniforme azul predomina, pro meu rosto marcado pelo hijab. Engulo em seco, desviando o olhar pro chão. Este que está na minha frente é o meu chefe. Por Alláh, estou ferrada! O doutor Dylan Ortez é maior cirurgião nomeado, todos o prestigia; existem até livros publicados em seu nome. O rosto dele está estampado na entrada do hospital, destacando o grau de sua relevância. — Você vem comigo, novata.— ele começa a me puxar pelo braço. – Não me toque.— sussurro, quase inaudível, desconfortável. E ganho o olhar sarcástico, junto com um sorriso irônico. Seus olhos azuis, me analisam de cima abaixo, como se eu fosse inferior. — Você veio para uma igreja ou trabalhar? Troque essas roupas esquisitas.— evidencio a careta que o homem faz, ao mandar. — Não posso usar roupas que marquem o meu corpo, é haram, doutor.— explico, e o mesmo não dá a mínima, revirando os olhos impaciente. — Vá procurar o que fazer, vá para emergência. — Para emergência?— minha voz sai receosa. — Achou que o trabalho ia ser moleza, residente?— vejo-o se colocar em minha frente. Aproximação me deixa nervosa, quando dou passos para trás e sinto as minhas costas serem prensadas na parede; por os nossos rostos estarem tão perto. — E-eu...— suspiro tensa. —Bora, eu tô mandando. A sua aprovação depende de mim, se esforça pelo menos. Coloca um batom nesses lábios...— ele repara, e umedeço a minha boca na hora— Não quero médicas feias ao meu lado. — Doutor Dylan....— penso em chamá-lo. Mas já o vejo no final do corredor, flertando com uma enfermeira. Diferente do mau humor que estava agora a pouco comigo, ele troca sorrisinhos com a profissional descaradamente. Me viro, começando a andar. Eu só ia pergunta-ló onde ficava a emergência. ******
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