O amanhecer era frio e cinza quando Sofia acordou no galpão. O som da chuva fina batendo no telhado era quase um consolo. Ela se virou e encontrou Lorenzo ainda adormecido, o rosto sereno, a respiração lenta. Por um instante, esqueceu o caos lá fora — o mundo que os chamava de fugitivos, traidores, heróis. Mas a lembrança do chip do Projeto Raiz sobre a mesa devolveu o peso à respiração. Sofia se levantou devagar, envolta no cobertor, e se aproximou do pequeno objeto. O reflexo do amanhecer o fazia brilhar como se fosse algo vivo. “O que o mundo tenta esquecer…” As palavras do pai ecoaram na mente dela. Horas depois, Lorenzo acordou e a encontrou sentada no chão, cercada por anotações antigas e mapas. — Você não dormiu. — disse, com voz baixa. — Não consegui. — respondeu. — Acho

