Capítulo 2:

2074 Words
?Vincenzo Battaglia Rossetti: — Surgiu uma viagem para Escócia , no próximo final de semana. Haverá uma feira para exposição de vários tipos de whisky , e como sei o quanto o senhor gosta da bebida , pensei em lhe avisar , caso ainda não saiba. — Ellen comenta , depois de passar toda a minha agenda. — E como uma boa secretária , já averiguei e notei que não haverá nada importante nesse mesmo final de semana. — Está inchirida de mais Ellen , sabe como isso me irrita. — Sim senhor. — Ela diz , olhando no tablet que tem em mãos. — Devo comprar a passagem e fazer a reserva? — Sim , reserve para quatro dias. — Digo e ela assente , voltando a mexer no equipamento. — Compre as passagens , para dois dias antes da feira. — Sim senhor. Mais alguma coisa? — Só isso. Ela não espera que a dispense , simplesmente sai. Já havia ouvido falar dessa feira que acontece todo ano na Escócia. Por ser um dos países a mais produzirem whisky no mundo , eu já o visitei algumas vezes. Tenho negócio lá também . Sou associado com algumas distribuidoras nacionais e internacionais da bebida , e de tempos em tempos preciso verificar como anda o negócio , se me favoreceu ou não. Hoje é quarta-feira , típicos dias que a minha mamma vem me visitar . Me surpreende ela ainda ter chegado. — Filho meu! — Simplesmente invade a minha sala . É sempre assim , ela não espera ser anunciada , diz que por ser mãe não precisa disso. — Mãe , que surpresa. — Finjo a surpresa na verdade. — Eu tenho que vim aqui te visitar , já que se esqueceu completamente de onde é a casa dos seus pais , seu filho ingrato. — Bate em meu ombro , nada delicada,com sua bolsa cara. — A gente cria os filhos , dá amor e carinho , e quando crescem simplesmente somem no mundo.E é meu papel de mãe ir juntando um a um. Qual foi a última vez que estivemos todos juntos reunidos? E quando digo todos , são todos mesmo. — Não seja dramática. — Digo me levantando e dando dois beijinhos em seu rosto. — E nós temos que trabalhar . E no final de semana passado estávamos todos em casa como nos velhos tempos. — Eu vou dá uma surra nos três qualquer dia desses , isso sim.—Ela revira os olhos.— Micaela viajou por dois meses pra Austrália , e ainda não levou as crianças para m***r a saudade dos velhos esquecidos. Nicollo só vive pelo mundo fazendo filho a doidado , nunca para num canto. Não posso nem ligar pra casa dele , afinal eu nem sei em qual casa ele está. E você , você é o pior de todos. Mora a uma hora da minha casa , e ainda é um sacrifício para me visitar. O que eu fiz de errado com essas crianças? — Nicollo já está voltando para Nova York , ele me avisou que estava a negócio no Japão. Micaela também está voltando pra cá esse final de semana. De tanto alguém em especial ligar se m*l dizendo e recordando quais foram seus erros por ser abandonada pelos três filhos ingratos. — Eu liguei mesmo. — Coloca uma mecha de cabelo de volta no lugar. Me olha com seus incríveis olhos verdes , parecendo que está lendo a minha alma. — E eu vim aqui avisar , que amanhã haverá o jantar na minha casa , como antigamente. E claro , que eu quero a presença do meu filho mais novo. Fique a vontade para levar uma acompanhante. — Eu estarei lá mamãe , mas creio que não levarei ninguém.— Digo e ela dá um suspiro derrotado. Ela fica decepcionada com o fato de eu não está namorando com ninguém. — Quando você irá nos apresentar uma namorada? Eu estou velha , e ainda não conheci uma mulher que faz meu filho verdadeiramente feliz. — Diz com a voz embargada. Ela sempre murcha quando se toca nesse assunto.— Eu irei morrer sem conhecer um filho seu Vincenzo. — Ainda não chegou o momento. — A abraço de lado , beijando seu cabelo. — Quando menos esperar,estará com a casa cheia com meus filhos correndo para todos os lados e quebrando seus objetos caros de decoração. — É o que eu mais quero. — Diz e funga. — Ter todos os meus netinhos me deixando de cabelos brancos. Um sonho. — A senhora já está com cabelos brancos. — Não estou não. — me afasta. — Você está me chamando de velha Vince? Foi isso mesmo que eu ouvi? Eu vou bater na sua cara. Onde já se viu , estipular uma coisa dessas para uma dama. — Não foi isso que eu quis dizer. A senhora está ficando de cabelos brancos devido aos hormônios mamãe , está uma loucura nesse organismo. — Verdade. Ainda bem que você me entende. — Ela diz e volta a sorrir.— Eu só tenho 50 anos. Há mais de 10 anos que ela só tem 50 anos. E ninguém ousa contestar , se ela diz que tem , ela tem. — E está em boa forma. Melhor que muita mulher jovem por aí. — Ah obrigada meu bebê. — Aperta minha bochecha. —Queria demorar mais um pouquinho , mas ainda preciso ir encher o saco do seu pai. Lembrar do tempo que eu era jovem e ia fazer nada , só dá uma atrapalhada básica. — Nos vemos na quinta. — Beijo sua bochecha mais uma vez,ela faz o mesmo comigo. — Tchau tchau filho lindo que saiu de mim. — Sai cantarolando. Minha mãe é uma graça. Apesar de já ter passado dos 60 , está em forma. Não perdeu a aura jovem dela , e às vezes até quer se comportar como se tivesse voltado no tempo. Tadinho do meu pai. Outro dia , ela inventou de ir em uma balada. Bebeu horrores e dançou até cansar . Claro que um segurança de confiança acompanhou os dois , para que nada desse errado no passeio. Eles são estranhos às vezes. Eu sou o filho mais novo do casal. Tenho 31 anos. Micaela é a mais velha , com 37 e Nicollo o do meio , com 35. Os dois já se casaram e tiveram filhos. Mica continua casada até hoje , e têm três filhos. A mais velha Stela de 10 anos , e os dois gêmeos Missy e Jerry de 6 anos. Nicollo é divorciado atualmente , e tem dois filhos registrados , Abigail de 15 e Tom de 10. Dizem que ele possui mais filhos,o que nunca foi comprovado e ele nunca assumiu também. E eu sou o que ainda não casou e nem teve filhos. Não pretendo me casar por agora , seria um passo muito grande a ser dado. Prefiro continuar com o título de solteirão da família. Meus sobrinhos são um verdadeiro terror. Quando vão para a minha casa de praia , quebram tudo que encontrar no caminho , molham tudo sem se preocupar com nada. Agora até que aliviou um pouco , já que estão grandinhos. Abigail é a rebelde , que quer ser astronauta da Nasa. Apesar de ser rebelde , é de longe a que dá menos trabalho. Começou a esquentar a cabeça do pai , agora que está começar a arrumar as paqueras na escola . Meu irmão surta e diz pros quatro ventos que não quer um genro de jeito nenhum,o que será impossível. Minha sobrinha é linda , quase um clone da mãe. Amanhã será um dos raros dias que a família estará toda reunida. São poucas as ocasiões do ano que minha mãe consegue a proeza de nos reunir. E apesar de muitos disserem que eu não tenho sentimentos , com a minha família eu me sinto em paz , eu gosto de estar com eles. Me faz bem , mesmo não parecendo. Ligo a secretária eletrônica , e chamo por Ellen. — Peça o almoço de sempre pra mim. — Digo. — Sua mãe já fez a encomenda senhor , já está a caminho. — Ótimo. — Desligo. Eu não sei porque eu ainda liguei pra pedir. Lá no fundo eu já sabia que dona Lena iria pedir meu almoço. Aposto que ela escolheu o prato mais saudável possível , é obcecada por uma boa alimentação , não é atoa que nos criou só comendo coisas saudáveis. Era um saco ter uma mãe nutricionista , agora eu agradeço a ela por não ceder as nossas birras quando crianças. ~Dia do jantar~ — Meu Deus! Quanta criança barulhenta. — Abigail diz tampando os ouvidos. —Achei que você já estava acostumada.—Digo me sentando ao lado dela. —Tom já está grande , não faz tanto barullho quanto Missy e Jerry. Essas crianças são um terror juntas.—No mesmo instante somos bombardeados por bolinhas de plástico. Olhamos e vemos os quatro nos jogarem as bolinhas enquanto riem.—Eu vou pegar vocês seus pirralhos. — Aí que meda! — Stela diz e sai correndo , sendo seguidos pelos outros três. Já acabamos de jantar e agora é o momento que todos começam a socializar. As crianças aproveitam a companhia uma das outras e pintam o 7. — E você como está tio? — Ela pergunta olhando diretamente pra mim. Minha sobrinha está se tornando uma bela mulher , herdando a beleza da mãe. — Já arrumou uma namorada? — Até você com esse papo de namorada? — Digo indignado e ela começa a rir. — Vejo o quão decepcionados vocês ficam comigo quando eu não trago alguém para o jantar. — Eu não fico. — Dá de ombros. — Ao menos você não é igual o meu pai. Engulo em seco , ao ouvir ela falar naquele tom de voz do meu irmão. Nicollo não é um dos melhores homens que eu conheço , mas também não é nenhum carrasco. Ele foi imprudente , não soube aproveitar e ser feliz com a família. Mas eu sei que ele ama os dois filhos mais que qualquer coisa. E aposto todas as minhas fichas que ele ainda é apaixonado por Irina. — Sabe tio , eu queria ser tratada igual o tio Dany trata a Stela e a Missy. — Ela sorri. Eu também olho e vejo Daniel , marido de Micaela carregar as duas filhas uma de cada lado. Eles gargalham e aparentam estar muito felizes. — Tio Vince , por que o meu pai não quis conviver comigo e com o Tom? A mamãe diz que ele era jovem pra assumir tanta responsabilidade , mas ela era mais nova que ele e cuidou de nós dois da melhor maneira possível. — Seu pai passava por uma fase difícil na vida. Ele não foi forte o suficiente pra segurar a barra. — Ele teve opção , a minha mãe não. — Ela ri ao mencionar a mãe. — Eu tinha cinco anos e o Tom era um recém nascido. Ela tinha vinte anos. Segurou a barra por não ter nenhuma opção. Enquanto o homem que se diz meu pai curtia em baladas espalhadas pelo mundo , acompanhado sempre de muitas mulheres. E enquanto isso, minha mãe se afundava na depressão. Tendo duas crianças pra cuidar, sem ter nenhum suporte. — É um assunto complicado , e eu não quero debater com você.Sei que está na razão , sei o quanto sua mãe é batalhadora e meu irmão um bundão.Mas não é dia de falar sobre isso. — Bagunço seus cabelos,igual quando ela era uma criancinha.— O que acha de uma disputa,como nos velhos tempos? — Sabe que eu vou ganhar não sabe? —Ela me olha desafiadora.—Eu fiquei muito boa. —Isso é o que nós vamos ver pirralha.—Digo rindo , em desafio. Passamos por um Nicollo cabisbaixo. —Quer jogar Nico?—Chamo e ele levanta o olhar para Abigail que não esboça nenhuma reação. —Vamos tio , quero ganhar.—Ela sorri me puxando.—Se quiser pode vim também pai. O olhar de Nico se iluminou depois do pedido da filha. Mesmo tendo errado de mais , o amor pelos filhos é perceptível.
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