A madrugada já avançava quando Noah finalmente abriu a porta do apartamento que dividia com Zander Collins.
A sala estava iluminada apenas pela luz quente do abajur no canto, Zander estava sentado no sofá, notebook no colo, claramente o esperando.
Bastou olhar para o rosto do amigo para abrir um sorriso malicioso.
— Uau… essa cara só pode significar duas coisas: ou o trabalho ficou perfeito, ou Nathan Cristian mexeu com a tua cabeça.
Noah jogou a mochila na poltrona e passou a mão pelos cabelos claros, ainda tentando organizar os pensamentos.
— As duas coisas.
Zander fechou o notebook lentamente.
— Sabia.
Noah sentou-se ao lado dele, soltando o ar.
— A cobertura dele é absurda. Parece capa de revista de arquitetura. Tudo impecável, silencioso, elegante exatamente como ele.
Zander arqueou a sobrancelha.
— Você está descrevendo o apartamento ou o dono?
Noah pegou uma almofada e apertou contra o peito.
— O problema é justamente esse quanto mais eu conheço o Nathan, mais percebo que ele não é só aquele cara frio da faculdade.
— E o que ele é?
Noah ficou em silêncio por um instante.
— Alguém que pensa demais, sente mais do que demonstra e me deixa desconcertado.
Zander soltou uma risada baixa.
— Meu amigo, você está ferrado.
Noah sorriu, mas havia nervosismo no gesto.
— Quase aconteceu alguma coisa.
— Quase?
— Ficamos perto demais algumas vezes. Aquela tensão absurda no ar parecia que um dos dois ia perder o controle.
Zander apoiou o cotovelo no sofá.
— E quem recuou?
Noah suspirou.
— Ele.
O sorriso de Zander aumentou.
— Isso significa que ele sentiu também.
Noah abaixou o olhar.
— É isso que está me deixando inquieto.
Na manhã seguinte, o campus parecia mais movimentado do que nunca.
Nathan chegou com Thiago e Yuri, os três impecáveis como sempre, arrancando olhares pelo corredor principal.
Mas naquele dia, Nathan procurava apenas um rosto e o encontrou.
Noah vinha do lado oposto, ao lado de Zander.
Os cabelos claros caindo sobre os ombros, o rosto angelical iluminado pelo sol da manhã, os olhos azuis atentos enquanto conversava com o amigo.
Ao redor deles, vários alunos observavam.
Algumas meninas cochichavam.
Dois rapazes do curso de design acenaram para Noah.
Nathan sentiu algo estranho apertar no peito.
Incômodo.
Irritação,ciúme.
Thiago percebeu imediatamente.
— Ah, não acredito.
Yuri seguiu o olhar do amigo e sorriu de lado.
— O rei do gelo está com ciúmes.
Nathan continuou andando.
— Não estou.
Thiago gargalhou.
— Você literalmente parou de ouvir o que eu estava falando no segundo em que viu o Noah cercado.
Nathan lançou um olhar mortal.
— Continuem falando besteira e eu vou embora.
Yuri aproximou-se, provocador.
— Então por que está encarando o Zander como se quisesse derrubá-lo do prédio?
Nathan fechou a expressão.
— Quem é ele?
Thiago e Yuri trocaram um olhar vitorioso.
— Pegamos você — Thiago disse.
Antes que Nathan respondesse, Noah se aproximou.
— Bom dia.
Nathan tentou manter a voz neutra.
— Bom dia.
Thiago sorriu largamente.
— Noah, prazer. Sou Thiago, esse é Yuri… e aparentemente você já conhece o nosso amigo emocionalmente comprometido.
Nathan fechou os olhos por um segundo.
— Ignora eles.
Noah riu.
— Estou começando a achar divertido.
Zander, ao lado de Noah, estendeu a mão.
— Zander Collins colega de quarto e amigo.
Nathan apertou a mão dele com firmeza demais.
— Nathan.
Zander percebeu o clima no mesmo instante e sorriu de lado.
— Ah… então você é o famoso Nathan.
Thiago quase engasgou de tanto rir.
— Famoso?
Noah tentou mudar de assunto rapidamente.
— Vamos para a lanchonete? Ainda temos tempo antes da próxima aula.
Na mesa perto da janela, o grupo inteiro chamou atenção,o trio dourado do campus, o novo fenômeno Noah e o enigmático Zander.
Era assunto suficiente para metade da universidade.
Entre cafés, croissants e tablets abertos, a conversa começou leve, passando por arquitetura, professores e festas universitárias.
Foi Yuri quem puxou um assunto mais pessoal.
— Então, Noah… Tem Namorada? Namorado? Algum interesse secreto?
Noah levou o copo aos lábios, pensativo.
Nathan observou discretamente, curioso demais para fingir indiferença.
Noah respondeu com sinceridade calma.
— Nunca me envolvi com ninguém.
O silêncio surpreso foi imediato.Thiago arregalou os olhos.
— Espera. Nunca?
Noah balançou a cabeça.
— Nunca senti vontade de viver algo vazio ou só por aparência,Nathan ficou imóvel.
Aquela resposta parecia próxima demais do que ele mesmo sentia.
Yuri inclinou-se.
— Então você está esperando a pessoa certa.
Noah sorriu de leve.
— Talvez. Ou talvez eu só esteja esperando sentir algo real.
Nathan sustentou o olhar dele por um segundo a mais.
Thiago, curioso como sempre, continuou:
— E… homens ou mulheres?
Noah não hesitou.
— Ambos.
O grupo ficou em silêncio por um instante.
Noah continuou, natural:
— Nunca me apaixonei, então não coloco limites sinto atração por homens e mulheres Para mim, sempre vai depender da conexão.
Thiago apoiou a mão no peito dramaticamente.
— Isso foi absurdamente elegante.
Yuri sorriu.
— Faz sentido. Você parece alguém que valoriza essência.
Nathan finalmente falou.
— E o que faria você se envolver com alguém?
Noah virou-se diretamente para ele.
— Alguém que me desafiasse. Que me fizesse sentir seguro e inquieto ao mesmo tempo.
A resposta pairou no ar.
Thiago e Yuri trocaram olhares cúmplices.
Nathan desviou para o café, mas o peito parecia apertado demais.
Porque, no fundo, aquela descrição parecia direcionada exatamente a ele.
Zander, percebendo a tensão crescente, sorriu.
— Acho que o campus inteiro vai parar quando vocês dois finalmente admitirem essa química.
Nathan quase engasgou com o café.
Thiago explodiu em gargalhadas.
— Finalmente alguém teve coragem de dizer.
Noah riu, levemente corado.
E Nathan, pela primeira vez, não negou.
Apenas ficou em silêncio, observando Noah sorrir entre os amigos.
Talvez o ciúme, a curiosidade e aquela conexão silenciosa fossem apenas o começo.
Porque quanto mais conhecia Noah, mais Nathan percebia que o “quase” da noite anterior estava se tornando impossível de evitar.