Thalia
_ Vou ficar de castigo até quando, Matteo? _ Perguntei apertando os punhos.
Ele deu uma risada carregada de ironia, e da mesma forma que eu estava com raiva, deu para ver que ele também.
_ Até quando eu decidir, Thalia! _ Ele disse meu nome com uma breve pausa, como se me chamasse para a briga.
O ódio começou a inflamar ainda mais forte dentro do meu peito. Ao mesmo tempo que a ânsia por fazer as pazes com a minha mãe e meu pai gritava. Mas não, não darei o braço a torcer.
Virei as costas e subi as escadas, batendo meus pés com força contra os degraus. Sei que não vai adiantar de nada fazer birra como uma criança mimada, mas a essa altura até meu nível baixou.
_ Ok, fique calma. _ Murmurei observando meu reflexo no espelho.
Por sorte, ele e a mamãe estão de saída. Por mais que ele tente colocar os soldados atrás de mim, nada vai me impedir de sair, de curtir pelo menos uma noite de paz, ou loucura.
Escorei meu corpo no batente da porta que dá para a varanda. Meu quarto é grande, espaçoso e tem uma varanda maravilhosa, com vista para o jardim. Arrisco dizer que esse é o melhor lado da casa, e pedi que minha mãe redesenhasse o quarto três vezes, até ficar do jeito que eu quero.
Observei os soldados agitados, porque obviamente o senhor Matteo Rizzo vai mobilizar meio mundo para fazer sua p******o e a p******o de sua amada esposa. Meu pai é exagerado quando se trata da minha mãe. Há quem admire, mas acho que isso é uma fraqueza muito exposta. Eu particularmente não tenho como objetivo amar um homem a ponto de dedicar minha vida a ele. Na realidade, meu único interesse é um herdeiro com saúde, depois, do homem eu me livro.
Sei que parece muito c***l da minha parte pensar assim, mas quantas mulheres morreram ao longo dos anos na máfia italiana? Quantas foram agredidas? Eu só vou dar o troco no s**o oposto, apenas isso. Eu tenho objetivos, e não vai ser um p*u no meio das pernas que vai me convencer de mudar.
Agora, preciso ter foco e relaxar um pouco, colocar minha cabeça no lugar e botar meu plano em ação.
Quando meus pais retornarem da viagem vou conversar, tentar soar o mais convincente possível e vou dar um jeito do meu pai procurar por uma aposentadoria. Nem que para isso eu precise colocar um contra o outro. Sei que eles se amam, mas eu amo ainda mais o poder. E sei que a aposentadoria do meu pai faria minha mãe feliz. Na verdade, os dois.
Esperei até que a noite caísse, coloquei um vestido prata brilhante, curto mas não vulgar. Um salto e me maquiei.
Andei despreocupada pela casa, entrei em um dos carros do meu pai e dei partida.
Assim que cheguei ao portão fui interceptada, e justamente pelo soldado que eu imaginei.
_ Boa noite, senhorita Thalia, o Dom Matteo não autorizou sua saída.
_ Eu sei, mas voce vai me deixar passar, Tom.
_ E por que eu deixaria, senhorita? _ Perguntou em um tom de deboche. Odeio esse homem.
_ Porque se você não permitir a minha saída, contarei ao meu pai e aos outros soldados que você enterra o p*u em um homem todos os dias. _ Seu rosto ficou pálido. _ E você sabe bem o que todos pensam sobre homossexuais! Aqui, não é permitido. _ Ergui uma sobrancelha, provocando-o. _ E aí? Vai empacar a minha f**a de hoje ou eu empaco a sua?
Tom engoliu seco, e com movimentos duros acionou o portão elétrico. Em meia hora cheguei na boate.
Paguei o camarote com dinheiro vivo, já que não me arrisco a usar nenhum cartão quando consigo fugir a noite, meu pai certamente saberia.
Tomei um copo de whisky, e em seguida um shot de vodka. Tenho o sangue Rizzo forte, sou resistente a bebida e dificilmente fico bêbada.
Desci até a pista de dança e me misturei ao restante das pessoas, dançando e movimentando meu corpo ao som. Senti mãos me tocarem, deslizarem pela minha cintura, enquanto um calor tomava conta de mim. Senti uma barba áspera roçar no meu pescoço, enquanto as mãos saiam da minha cintura e circulavam meus s***s. Todos estavam alheios à situação, cada um em seu próprio mundo, e eu estava no meu. Ter qualquer um nas minhas mãos é a melhor sensação de poder que uma mulher pode sentir. E eu sei me aproveitar desse benefício.
Abri meus olhos, e mesmo com a luz piscante que seria capaz de cegar qualquer um, observei o homem que me tocava. Um homem alto, loiro e de olhos claros. Do jeito que eu gosto. Minha preferência sempre foram os loiros, assim como eu.
_ Vem, tem um lugar mais reservado logo ali. _ Disse ele com um sorriso de canto.
Mordi o lábio, aprovando a ideia. Caminhamos entre a multidão até chegarmos próximos ao banheiro, e óbvio que saquei o que o bonitão quer.
_ Se quer f***r a minha b****a, vai ter que me levar em um motel, que seja no mínimo cinco estrelas, querido. _ Ergui uma sobrancelha provocando-o.
_ Se quiser, podemos fazer meu carro de motel, querida. Mas quero f***r você agora! _ Disse ele com os lábios colados ao meu ouvido.
Ele agarrou minha mão e caminhamos para fora da balada, e assim que parei próximo ao carro dele avistei um rosto conhecido me encarando.
Merda, os soldados…
_ d***a… _ Murmurei ao perceber que estávamos rodeados de soldados. _ Preciso ir. _ Falei irritada.
O homem apertou meu pulso e franziu a testa.
_ Por que? _ Perguntou com indignação.
_ Isso não é da sua conta, i****a! Agora me solta! _ Puxei meu pulso com força e caminhei rapidamente até meu carro. Porém, ao colocar a mão na maçaneta do meu carro fui parada.
_ Ei, senhorita, não pode dirigir, a senhora bebeu! _ Advertiu Matheus.
_ Isso não é da sua conta.
_ Sim, é sim. Se quiser, posso dirigir para você. _ Ofereceu. Dei uma risada cheia de ironia. Com certeza ele nunca colocou as mãos em um carro de luxo como esse, e se depender de mim não vai ser agora que vai. _ Ou se quiser, podemos lhe colocar a força no carro de serviço. A senhora pode decidir.
Arregalei meus olhos, completamente impactada com a ousadia de Matheus. E derrepente, o garoto i****a passou a ficar mais interessante.
Dei um sorriso malicioso, fiz a volta e sentei no carona. Matheus assumiu o volante, e******o ao sentar no no banco de couro. Ele deu partida, colocando o carro em movimento.
_ Acelera. _ Ordenei. Ele franziu a testa confuso. _ Anda! Acelera! Ou é covarde demais para isso?
_ E-Eu não sou covarde…
_ Então acelera, p***a! Até parece que não tem culhões. _ Resmunguei entediada.
Matheus afundou mais o pé no acelerador, fazendo o vento entrar pela janela aberta do carro, e a adrenalina tomou ainda mais conta de mim.
Encarei o garoto que estava se divertindo. Acho que encontrei a minha f**a da noite.