Russo A noite tá escura lá fora. Lá dentro também. Eu tô na sala, sem camisa, os pés descalços no chão frio. O sofá vazio. A cozinha vazia. O corredor vazio. A cama vazia. Tudo vazio. Até o barulho da TV não preenche nada. Eu liguei, desliguei, liguei de novo. Passando os canais, notícia, novela, filme. Nada prende. Nada distrai. Nada cala ela dentro da minha cabeça. Ando de um lado pro outro. Passo pela mesa, pego o isqueiro, acendo mais um cigarro. O terceiro. Ou quinto. Perdi a conta. A fumaça sobe pro teto, some, e eu continuo aqui. O mesmo lugar. O mesmo vazio. O quarto. Eu evito o quarto. Mas meus pés me levam pra lá. A cama desarrumada do meu lado. O lado dela vazio. O travesseiro sem cheiro. As cobertas frias. Sento na beirada. Passo a mão no lençol. Nada. Olho pro criado-mud

