Maya O grave do funk bateu no meu peito antes mesmo de eu pisar na quadra. Era aquele som que não entra pelos ouvidos, entra pelos ossos. Vibra no chão, sobe pelas pernas, se aloja no peito e faz o coração bater no ritmo errado. As luzes coloridas cortavam o escuro em fatias, vermelho, azul, verde, piscando igual fogos de artifício presos no tempo. O cheiro de bebida, suor e fumaça misturados no ar — aquela mistura que eu conhecia tão bem, que por dois anos foi o fundo de cada noite minha. Fazia meses que eu não pisava em um baile. Desde aquela noite. Desde o morro do Jogador, quando eu vi o Edy pela primeira vez, quando o Russo me segurou contra a parede e eu tive medo. Desde que tudo desmoronou. Agora eu tava de volta. No mesmo lugar. Mas diferente. Tudo diferente. Subi as escadas

