MAYA — O AMOR E A GUERRA

1761 Words

Maya Eu tava deitada de lado, de frente pra ele, o braço dobrado embaixo do travesseiro, os olhos passeando pelo rosto dele devagar, igual quem lê um livro que não quer acabar. A luz da manhã entrava pela fresta da cortina, desenhando uma linha dourada no chão. O resto do quarto ainda tava escuro, silencioso, como se o mundo lá fora tivesse resolvido dar uma trégua. Russo dormia. Tranquilo. Os lábios entreabertos, a respiração pesada mas calma, o peito subindo e descendo devagar. Ele tava tão quieto que até parecia que a guerra lá fora não existia. Que os tiros não tinham acontecido. Que os milicianos não tavam rondando o morro atrás dele. Eu sabia que ele só tava dormindo tanto por causa dos remédios. A enfermeira tinha dado uns comprimidos fortes pra dor, e o corpo dele, exausto, tin

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