Russo O dia amanheceu estranho. Não o céu. Não o tempo. O mundo continuava o mesmo — o funk longe, os cria na rua, o morro acordando devagar. Mas dentro de mim, alguma coisa tava diferente. Uma agitação. Uma ansiedade. Uma coisa que não era medo, não era nervoso, não era nada que eu soubesse nomear. Hoje era o dia. O ultrassom. Eu ia ver meu filho. Não por foto. Eu ia ver. Com meus próprios olhos. A tela. A imagem. A prova de que aquilo era real. Levantei cedo. Tomei café preto, sem açúcar. Olhei no espelho. A tatuagem "Maya" no peito. A barba por fazer. Os olhos azuis cansados, mas diferentes. Tinha um brilho ali. Uma coisa que não existia antes. — Hoje é o dia, p***a — murmurei pra mim mesmo. Tomei banho. Me vesti. Nada de terno. Não era jantar. Era clínica. Era médico. Era cois

