Estava olhando as pessoas lá fora e tudo que eu via eram pessoas felizes. Pessoas essas que não sabiam como eu estou por dentro. Pessoas essas que talvez nem se importe com que me aconteceu para eu estar aqui. Assim como antes eu estou sozinha. Me via dia após dia buscando uma solução para o problema da minha mãe, enquanto à mesma já tinha me vendido. Meu mundo acabou ao saber da verdade. Ela não me deu escolhas e ele também não, e hoje estou aqui para me enterrar de vez no vazio e na solidão que me segue desde sempre. Vejo à porta se abrir e à cerimonialista entra junto com meu futuro sogro todo sorridente.
- Está pronta minha mais nova filha? Ele pede com maior sorriso do mundo. Se fosse em outro momento, eu estaria sorrindo junto com ele, estaria sendo receptiva com ele e amaria todo esse carinho que ele me transmite. Eu somente aceno em concordância.
- Então vamos. Nós vamos te ajudar à descer. À cerimonialista diz alegre também. Ela pega meu buquê que estava em cima da cama e assim nos encaminhamos para fora do quarto.
Fomos descendo com calma, mas não demorando para chegar o jardim da mansão dos pais dele. À decoração que não foi escolhida por mim, mas sim por minha mãe e à mãe dele que estavam mais empolgada com esse casamento do que eu, foi toda organizada de dourado e branco.
Foi feito um corredor com vasos de flores para chegar até o altar que foi decorado com madeiras e um pano branco. Meu sogro me deu seu braço. Respirei fundo e à marcha nupcial começou à tocar. Fomos caminhando lentamente para o altar, onde meu fim estava próximo. As pessoas à minha volta sorriam, umas estavam admirada por ver o meu vestido que também não foi escolhido por mim, mas sim minha mãe. Eu só tive o desprazer de ir no ateliê provar e ver se estava tudo certo para ser usado nesse dia. O vestido é branco com silhueta de sereia, ombros decotados e com renda.
À cada passo que eu dava, eu me sentia mais infeliz. Eu não seria nunca feliz ao lado dele. E por mais que ele ache que não, tenho certeza que ele sabe que vamos pede o divórcio assim que ele dê conta que tudo não passou de um erro. Um erro e******o dele por ter cismado comigo, por achar que realmente me ama, à ponto de fazer qualquer coisa para eu ser dele.
Cheguei no altar e meu sogro me entregou para meu futuro marido. Olho para o lado e minha mãe é todo sorriso. Kate está atrás dela com uma cara triste. Olho para frente e isso me faz lembrar do dia que soube que eu estava sendo jogada no poço sem fundo.
- Então mãe, eu estou esperando que você me diga o que à Sra fez. Digo cansada disso tudo.
- Eu não tive escolha. Já estávamos para perder à casa e os agiotas estavam atrás de mim. Ela respira e eu olho para ela. Aquele homem que quer casar com você assumiu todas as nossas dívidas em troca de casar com você. Eu não posso acreditar nisso.
- Eu não vou me casar com ele. Se ele assumiu em concordância com à Sra, eu sinto muito, mas eu não assumirei esse compromisso. Me levanto exaltada.
- Se você não casar com ele filha estaremos no olho da rua e ainda iremos presas por não cumprir com o documento que eu assinei para evitar que perdêssemos nossa casa e também à dívida que ele pagou com o agiota. Eu não acredito que ela foi capaz disso.
- Você não poderia ter feito isso. Grito com raiva.
- O que você queria que eu fizesse Ana? Ela pede se aproximando de mim, mas eu à evito.
- Tudo, menos me vender dessa forma. Você não tinha esse direito. Grito mais ainda. Começo à chorar de desespero.
- Filha não pense dessa forma. Olha agora estamos salvas. Essa casa vai continuar sendo nossa e ainda teremos dinheiro para nos manter.
- Eu não me importo com nada disso mãe. Será que você não me entendeu? Será que você não percebeu que minha preocupação era sua vida e nada mais?
- Pois então não precisa se preocupar mais. Minha vida está salva e devo isso à você, pois se casando com esse homem rico você me salvou de tudo.
- Pois eu não te salvei de nada. Eu não vou me casar com ele. Prefiro ir presa. Digo subindo.
- Você não pode fazer isso comigo, pois quem será presa sou eu. Ela fala chorando.
- Então eu ficarei livre para arrumar um advogado para você. Falo e subo com raiva. Ela não vai conseguir que eu me case com aquele maldito. Ele pode ter o contrato que for que eu não vou me vender à ele.
Fui para meu quarto naquele dia e me afundei na minha cama. Minha mãe que deveria me proteger de gente assim, não faz. Mas o que eu poderia esperar da minha família. Meu pai morreu e deixou sua fortuna para Kate, à mesma não está nem aí para os meus problemas, e agora minha mãe que quer me vender à qualquer custo. Minha vida não poderia ser pior.
No outro dia minha mãe e eu tivemos uma discussão intensa. Ela me disse que preferia morrer do que perder sua casa. Eu não me abalei com isso. Talvez John estivesse certo. Minha mãe não está nem aí para mim. Porém eu estava custando à acreditar que ela me vendeu, e me vendeu por nada. Porque agora eu estava desacreditando na história do agiota, porque nem isso mais ela se preocupava. Tudo era essa maldita casa que meu pai nos deu de esmola, só para não dizer que desamparou nós duas. Mas ele desamparou, nos deixou na ruína total e à mais prejudicada nisso tudo sou eu.
Dias se passaram e eu estava no meu quarto pensando em uma maneira de devolver cada centavo para ele. Eu não tinha lido o documento que minha mãe havia assinado e nem sei se queria fazê-lo. Uma batida na porta me traz de volta. Espero que não seja minha mãe, na verdade não queria falar com ninguém. Outra batida é dada é eu respiro fundo. Peço que entre.
- Achei que eu teria que bater novamente. Olho para à porta não acreditando em quem é.
- O que você faz aqui? Como conseguiu meu endereço? E pior quem te deixou entrar? Indago com raiva me levantando da minha cama.
- São muitas perguntas Anastásia. Mas eu acredito que temos que conversar.
- Não temos nada para conversar. Quero que vá embora.
- Eu não vou antes de conversarmos. Olho para ele com raiva. Sua mãe já deve ter conversado com você.
- Sobre sua intromissão em nossas vidas? Sobre eu ser vendida para o Sr? Grito com raiva.
- Eu estou perto de você, não precisa gritar. Ele pede numa calma que eu se pudesse matava ele aqui.
- Eu grito o quanto quiser. Você está na minha casa. Ele sorriu de canto.
- Neste momento essa casa pertence à mim. Enquanto você não cumprir com o acordo que fiz com sua mãe, essa casa continua no meu nome. Olha incrédula para ele.
- Eu não vou cumprir. E se o Sr quiser mande nos prender. Nos jogue na rua, faça o que tiver que fazer, mas eu não vou fazer o que você quer.
- Estou vendo que eu terei que fazer isso. Imagina sua mãe presa por assinar documento vendendo à filha? Ela iria pegar quantos anos de prisão por isso? Perpétua?
- O Sr não presta. É um homem horrível.
- Não no meu ponto de vista. Eu sou um homem bem importante e generoso quando tenho que ser. Eu disse à você que agiria com as minhas armas e aqui estou. Eu quero o que é meu. Não me interessa se você se sente comprada, vendida, suja, sei lá. Me interessa que eu tenho você. Você é minha e temos que começar à ser um casal.
- Nunca, está me ouvindo? Nunca.
- Essa palavra não existe para mim. Você não tem mais saída Anastásia. Ou você começa à agir como se fossemos um casal para que daqui uns meses oficializar a nossa união ou sua mãe receberá perpétua.
- Eu vou dar um jeito de te devolver cada centavo que você pagou nessa casa e também o que você deu ao agiota.
- Não me faça rir Anastasia. Sua mãe nunca deveu nada à agiota. Ela devia à mim que estava em contato com ela desde que te vi naquele café.
- Do que você está falando? Ele se aproxima de mim e eu dou um passo para trás.
- Eu dei dinheiro à sua mãe desde o começo. Ela me garantiu que você seria minha. Ela me garantiu que tudo que eu tinha que fazer era esperar para ela fazer à sua cabeça. Não pode ser. Minha mãe não é esse monstro.
- Ela não tinha o porque fazer isso. Grito. Ela não é esse monstro que você está desenhando.
- E eu que sou? Não Anastásia. Eu sou estou aqui para cumprir o que foi acordado com ela. Ela achou mesmo que estava me enganando, e eu dei corda à ela. Ela achou que eu estava dando dinheiro à ela a meses sem se importar com nada, achando mesmo que nunca à cobraria do nosso acordo, mas eu sou um homem de negócios, jamais perco um.
- Então eu sou um negócio para você? Sou um objeto que você comprou e agora está vindo buscar. Eu não posso acreditar que minha mãe armou tudo isso para mim.
- Eu não vejo você como um produto. Fiz sim um negócio vantajoso com sua mãe, já que você não quis ir para os meios práticos de um relacionamento, mas não te vejo como um produto. Só quero que tenhamos uma convivência. Que possamos conhecer um ao outro antes de nos casarmos.
- Eu não quero nada disso com você. Eu tenho um namorado e é com ele que pretendo ter à minha vida.
- Sobre o tal John, eu recomendo à você que termine logo com ele, isso é, se você não quiser que eu me meta nisso que você chama de relação. Ele fala com desdém de John.
- Isso que eu chamo de relação? Pois é o que tenho com ele, e você não vai destruir isso.
- Relação com um cara que não tem nada para te oferecer? Um moleque que não pensa na vida.
- Isso não é da sua conta. Estou com tanta raiva dele.
- Se você não quer que seja da minha conta, comece acabando com esse namorinho de colegial.
- Eu não vou fazer. E como disse que pagarei cada centavo para me ver livre do Sr.
- Você acha mesmo que eu colocaria um documento para sua mãe assinar sem me resguardar Anastásia? Eu não sou t**o. Sabia que você viria com essa história de me pagar cada centavo, e eu não quero dinheiro nenhum. Sua mãe assinou o documento dizendo claramente que você séria à moeda de troca diante dos valores dado à ela, e que nenhum outro valor ou objeto, ou até mesmo pessoa poderia pagar tal dívida. Meus olhos enchem de lágrimas. Minha mãe nunca poderia ter feito isso comigo. Te darei uma semana para você terminar com esse John. Depois disso eu marcarei em um local para conversarmos e sermos devidamente anunciados como namorados. Lágrimas escorrem pelo meu rosto. Eu não sou m*l Anastásia. Só quero você e nada vai mudar isso. Ele diz e sai do meu quarto.
Tudo em minha volta parecia desmoronar. Eu queria fugir disso tudo. Queria não dar tempo dele me achar. Queria poder tomar minhas próprias decisões sem pensar duas vezes nas pessoas, mais exatamente na minha mãe, que de mãe não tem nada. Como uma mãe vende à própria filha? Como ela teve coragem de fazer comigo? Volto à realidade do meu dia triste ao ouvir o reverendo se pronunciar.
- Estamos hoje reunidos na presença de Deus para darmos Graças pelo dom do casamento e para testemunharmos a união do Sr Christian Grey e da Srta Anastásia Kavanagh. Em várias tradições o casamento é um sinal da intenção do Nosso Deus para a plenitude da sua criação. Desde o caos Deus trouxe a ordem e esse propósito criativo de Deus ainda está hoje funcionando. A união de duas pessoas é única, íntima e criativa. A união do casamento é uma demonstração de amor e do bom funcionamento da sociedade. O casamento é uma celebração da criação de Deus. A união de duas pessoas de famílias e passados diferentes com vista a estabelecerem uma nova família é um acontecimento importante e memorável. Para aqueles de nós que estamos ligados ao Sr Grey e à Srta Kavanagh por laços especiais de amizade, amor ou afeto a sua união de corpo alma e coração é motivo para todos nós celebrarmos. O Casamento não é só mais uma cerimónia nem tem apenas a haver com um relacionamento entre um casal. Casamento deve ser feito com responsabilidade e oração. Este casamento trás hoje a união entre duas pessoas, duas famílias. O casamento é no meio de uma sociedade em desmembramento um sinal de esperança. Merece o nosso apoio e o empenho da família e amigos ao apoiar a união do Sr Grey e da Srta Kavanagh no seu desejo de continuarem juntos as suas vidas. Sr Grey é de livre espontânea vontade que o Sr está aqui hoje? O reverendo termina seu discurso e faz à pergunta que eu queria gritar ao quatro ventos que não.
- Sim. Meu futuro marido diz com maior felicidade do mundo. Queria saber onde ele achou essa felicidade que não tem em mim.
- Srta Kavanagh é de livre espontânea vontade que está aqui hoje. Vejo o reverendo e meu futuro marido me olhar.
- Sim. Respondo à contra gosto. Eu queria gritar aqui que não, que eu fui vendida da pior maneira para esse maníaco, mas eu não podia. Por pior que seja o que minha mãe fez comigo eu não viveria bem sabendo que à mesma está para morrer na cadeia.
- Vamos então aos votos. Sr Grey. O reverendo diz. O Sr Grey vira para mim e pega à minha mão olhando nos meus olhos.
- Não foi por acaso, nem planejado. Foi uma mistura do amor e ser amado. Uma vontade imensa de cuidar, proteger, estar perto em todos os momentos, inclusive da solidão, sofrimento e a saudade. Foi um querer de te laçar pelos braços, te roubar pra mim, te dizer que eu sou o teu verdadeiro anjo da guarda, tomar todas as dores e beber todas as lágrimas como se fosse minhas. Não foi uma atração física, foi um desejo vindo da alma. Uma vontade de juntar nossos corpos, grudar meu coração no teu, para viver um ser só. Uma urgência de morar nos teus braços, que nunca se teve, mas era como se já tivesse tido antes, por perceber a intensidade de você em mim. Uma necessidade de te ter, fazer planos e viver esse tal de nós. Não foi amor à primeira vista. Foi amor. É amor, sempre vai ser amor. Ele recita seus votos como se realmente ele sentisse o que ele falou, mas eu não acredito.
- Srta Kavanagh, por favor os seus votos. O reverendo pede para mim e eu respiro fundo. Eu não fiz meus votos. Nem pensei em fazê-lo. Vou recitar os que já são tradicionais, eles representam uma coisa que tenho por obrigação fazer e não o que eu sinto.
- Eu, Anastasia Kavanagh prometo diante de Deus e de todos aqui presentes a tomar a este homem Christian Grey por meu legítimo esposo, para viver com ele segundo foi ordenado por Deus, prometo honrá-lo, consolá-lo e conservá-lo, tanto na saúde como na enfermidade, na prosperidade como em seus sofrimentos, todos os dias da minha vida. Recito sem nenhum ânimo.
- Agora vamos as trocas das alianças. Embora pequenas em tamanho o seu significado é muito grande. As alianças são de metal precioso, lembrando-nos que o amor é igualmente precioso. Uma amor tem um custo a pagar. Estes anéis são um círculo represento que o amor nunca tem fim. Enquanto vocês usarem estes anéis estejam vocês juntos ou afastados serão por eles lembrados dos votos que aqui estão declarando. O reverendo diz com as alianças na mão. Meu marido pega à mesma e coloca no meu dedo. Faço o mesmo. Agora que o Sr Grey e à Srta Kavanagh se entregaram um ao outro através dos votos solenes de casamento diante de nós e de Deus como testemunhas. Tendo já trocado os seus votos e as suas alianças. Tendo igualmente assinado os documentos que consumam legalmente este casamento. Pelo poder investido em mim como ministro do evangelho. Eu vos declaro marido e mulher, juntos para toda a vida. Aqueles que Deus uniu o homem não separa. Sr Grey pode beijar à Sra Grey. O reverendo diz e meu agora marido levanta o véu sorrindo. Vem até à mim e me beija buscando minha língua, mas eu não dou. Ouço os aplausos e me distancio dele.
Meu fim já estava determinado. Eu não tinha mais para onde fugir. Agora era esperar que à cada dia minha infelicidade se tornasse maior do que sinto hoje.