Chanyeol conseguiu ir dormir depois de conversar com Baekhyun, e apesar de ainda estar magoado com Kris, pelo menos havia tido algo de bom naquela noite. Baekhyun era capaz de fazer isso consigo.
Deitou na cama com suavidade, para nem ser notado, como de fato não foi, Yifan sempre teve um sono pesado. Perguntava-se como ele era capaz de dormir tão facilmente enquanto Chanyeol perdia noites em claro pensando nas atitudes dele, pensando nos dois, em como as coisas tinham desandado.
Não demorou a pegar no sono, acordando na manhã seguinte com olheiras um tanto fundas por conta da noite m*l dormida. Não fez a menor questão de esconder e também ninguém notou. Assim que chegou no trabalho recebeu uma mensagem que alegrou sua manhã:
Bom dia!
O que acha de sair para almoçar comigo hoje?
Foi bom da última vez.
Bom dia!
Sim, foi muito bom.
Eu quero, mas pode ser um restaurante perto do seu trabalho desta vez?
Claro, como você achar melhor, Channie.
Não trocaram mais mensagens depois daquilo, Chanyeol contou os minutos, até se tornarem horas para aquele momento tão aguardado que era a hora do almoço. Normalmente já se sentia ansioso pelo horário só pela possibilidade de sair do escritório sem parecer que estava procrastinando. Não era como se odiasse o trabalho na empresa do pai, mas seus objetivos de vida nunca foram trabalhar na frente de um computador o dia inteiro.
Quando chegou mais uma mensagem de Baekhyun avisando que estava o aguardando em baixo, seu coração deu um salto.
Pronto? Estou te esperando.
Era o que faltava para Chanyeol sentir as pernas tremerem como um adolescente em seu primeiro namoro, fez tudo tão rápido que quando deu por si estava no elevador chegando no térreo.
Logo percebeu o carro de Baekhyun na entrada e o rapaz bonito, como sempre, na porta do motorista, um sorriso sedutor somado aos óculos escuros e roupas formais.
— Oi, gracinha. — Chamou após fazer um “psiu” e ser ignorado por Chanyeol, que olhava para os lados assustado com a possibilidade de serem vistos.
Era mais preocupante um homem o chamando de gracinha no meio de todos do que estar saindo com outro enquanto era casado.
— Você perdeu o juízo? — Não conseguiu evitar achar graça enquanto entrava no carro e colocava o cinto de segurança.
— Perdi. — Foi a única coisa que Baekhyun disse antes de segurar o rosto de Chanyeol com ambas as mãos e beijá-lo. Novamente um selinho, dessa vez mais demorado, mas ainda assim menos do que Chanyeol gostaria. — Podemos ir? — Bateu de leve na coxa esquerda do Park, descendo os dedos em direção ao joelho deste.
— Po-podemos! — Chanyeol estava sem reação. O rosto queimava como brasa, sequer teve coragem de olhar para fora e possivelmente dar de cara com alguém do trabalho assistindo a cena.
(...)
Baekhyun o levou em um caríssimo restaurante, afastado tanto do prédio em que moravam, quanto do trabalho de Chanyeol. Mas o motivo de ter escolhido aquele lugar não foi o preço ou a localização, apesar desta ser importante, mas sim a discrição que proporcionava aos clientes, por ser um restaurante frequentado maioritariamente por executivos que gostavam de discutir seus negócios sem interrupções. Estava acostumado a participar de reuniões em locais como aquele, que além da área comum, possuía salas fechadas para as refeições que exigiam ainda mais privacidade.
A luz baixa e as mesas bem afastadas, protegidas por meias paredes de madeira, valeria o preço, o que fez um sorriso malicioso nascer nos lábios do Byun quando sentaram-se à mesa.
— Então, Park, vai me contar o que te tira o sono?
— Eu odiaria ser sincero com você e isso acabar, porque queria dizer que você é a razão para eu ficar acordado. — Disse debilmente, olhando para baixo. — Ainda que, de certa forma… Também fosse.
— Você acha que eu finjo que não sei que você é casado? Acha que se me falar do seu marido eu vou levantar da mesa e ir embora como se estivesse sendo enganado por todo esse tempo? — Perguntou risonho, Chanyeol poderia até dizer que ele estava beirando o deboche. — Pode me dizer que você tem um cara que não dá valor nenhum ao que tem em casa, eu não vou me sentir ofendido de estar aqui com você. Dá pra ver no seu olhar. — Brincou, enquanto encarava Chanyeol com firmeza.
Vivia uma vida de casado com Yifan há muito tempo, ainda que só tivesse sido devidamente pedido poucos dias antes. Não viam necessidade disso, ainda mais quando não poderiam fazê-lo oficialmente.
— E-eu não quero que pense que eu estou usando você ou qualquer coisa do tipo, p-porque eu não estou, eu gosto de você, Baekhyun, gosto de conversar com você.
— Eu também gosto de você, Chanyeol, e sou bem crescidinho para entender o que acontece aqui. — Sorriu maliciosamente, fazendo as bochechas de Chanyeol enrubescerem.
Não tocaram no assunto novamente, Baekhyun fez o pedido e puxou uma conversa descontraída, fazendo Chanyeol sorrir e não sentir-se tenso com aquele almoço. Achava difícil se sentir tenso ao lado de Baekhyun, o máximo que sentia era um aperto no estômago, uma sensação de euforia por estar fazendo algo proibido.
Mas era óbvio que o Byun não perderia a chance de tocar naquele assunto outra vez.
Assim que entraram no carro, ele virou-se de frente para Chanyeol.
— Sabe, Channie, a mensagem que você me mandou ontem à noite, me deixava implícito que você queria algo além da minha amizade, mas acho que devemos esclarecer as coisas antes que eu cometa um erro.
— Vo-você quer que eu diga? — Olhou para o Byun e o viu assentir, com um sorriso largo. — Eu sinto atração por você e… eu tenho medo de acabar estragando o que temos, mas também mentiria se dissesse que não quero você como mais que um amigo. — Chanyeol respirou fundo, estava nervoso com aquela conversa, dentro daquele carro, em um lugar propício. Os vidros escuros não permitiam que as poucas pessoas que passavam vissem qualquer coisa que acontecia no interior do veículo.
— Calma, eu não vou fazer nada que você não queira. — Disse com a voz suave, aproximando-se devagar, tocando com o indicador o queixo marcado de Chanyeol, como se tocasse algo muito frágil e valioso, atento a cada detalhe.
Baekhyun selou os lábios alheios algumas vezes, levando mais tempo entre um toque e outro, até sentir que Chanyeol estava, de fato, lhe dando a******a para algo a mais. Foi naquele momento, no estacionamento subterrâneo de um restaurante, que deram o primeiro beijo. Foi algo singelo e delicado, algo para conhecer um ao outro, que durou infindos segundos, e Chanyeol não queria que tivesse que se afastar da boca de Baekhyun em algum momento, mas o Byun se afastou, sentando corretamente no banco do motorista e colocando o cinto de segurança.
— Vou te levar de volta, gracinha. — Sorriu e deu partida no carro, ficando em silêncio no trajeto de volta, mas deixando sua mão na coxa do Park, como fez desde a primeira vez em que saíram juntos.
Durante o resto do dia, Chanyeol queria fingir que não, mas seu coração estava disparado e suas pernas tremiam, não tanto por ter de fato traído seu noivo desta vez, mas estava sentindo aquelas borboletas no estômago, sentia-se um adolescente e até mesmo sorria bobo ao lembrar do beijo.
A sensação dos lábios de Baekhyun estava em sua boca, assim como sentia as ondas do mar depois de passar muito tempo dentro da água mesmo quando já tinha saído. Não conseguiu evitar passar os dedos por seus lábios e mordê-los em seguida, tentando conter um novo sorriso.
— Chanyeol, está atrasado. — Disse o pai, batendo na porta e o acordando de seus devaneios. — Você tem que terminar esses balanços ainda hoje. — Falou, fazendo o mais novo voltar para a realidade e ver as pastas sobre a sua mesa, suspirando e tentando focar em seu trabalho.
Era difícil ser filho do chefe, a cobrança era maior e os olhares de fora também, não podia se dar ao luxo de ficar no mundo da lua pensando em Baekhyun, por mais que quisesse.
(...)
Chanyeol terminou de fazer o que o pai pediu e deixou as pastas na sala dele, logo em seguida pegando suas coisas e indo para casa sem procurar se despedir. Não conseguia evitar ficar ansioso para chegar, sabia que atualmente seus horários na academia eram os mesmos de Baekhyun. Ficava feliz só de pensar em ver o mais velho novamente naquele dia.
Foi para sua casa e tomou um banho, o que normalmente só tomava depois de ir para a academia, deixando seu corpo perfumado antes de colocar a roupa. Ao chegar, para seu desânimo, o vizinho não estava ali.
Chanyeol seguiu para o fundo da academia e começou a fazer seu alongamento, logo vendo que havia alguém de pé em sua frente.
— Oi, eu sou seu vizinho, que curioso te encontrar aqui agora. — Disse Baekhyun, rindo e sentando no aparelho logo à frente.
— Hm, nós temos os mesmo hábitos. — Entrou no jogo.
— Que bom né, podemos ser parceiros de academia e nos ajudar nos exercícios. — Sorriu um tanto malicioso, começando a sua sequência.
Chanyeol achou a brincadeira divertida, mas além disso, ela era um álibi. Aos olhos dos outros, e até mesmo de Kris caso precisassem, eram apenas vizinhos que coincidentemente iam no mesmo horário na academia.
Acabaram conversando um pouco mais sobre exercícios enquanto seguiam sua rotina, Baekhyun de vez em quando pedindo ajuda ao instrutor para saber o que faria a seguir, já que diferente de Chanyeol ele não ligava muito para os exercícios. A verdade era que ia praticamente arrastado e era a presença do outro que o estava animando a sair do sedentarismo.
O Park estava animado até com aquilo, sentindo as borboletas dançando no estômago enquanto saía da academia do condomínio.
— Ei, Chanyeol. O que acha de ir no meu apartamento? — Estavam em silêncio até aquele momento, que foi quebrado pela pergunta repentina de Baekhyun, pegando Chanyeol de surpresa.
— S-seu apartamento?
— Relaxa, somos parceiros de treino, vamos só conversar, beber alguma coisa… Sabe, essas coisas de “brothers”. — Fez aspas com os dedos e riu da própria brincadeira enquanto andava em frente a Chanyeol, que olhou para todos os lados antes de entrar no prédio vizinho e subir até o apartamento do Byun. — Pode se sentir em casa, gracinha. — Apontou para a sala, que era o primeiro cômodo do local, indicando os sofás ao redor.
O apartamento do Byun era aparentemente menor do que o de Chanyeol e Kris, o que era compreensível por ser solteiro.
— Eu tô todo suado.
— Estamos, é isso que a academia faz com a gente. — Disse rindo e chegou mais perto de Chanyeol. — Mas você está bem cheiroso também. — Usou um tom mais baixo, passando a mão pelo peito do Park. — Será que você está assim por minha causa?
— T-talvez…
— Eu gosto de ouvir isso. — Baekhyun levou as mãos à nuca de Chanyeol, o puxando para um beijo. Aquela foi a primeira vez que o maior teve a determinação de levar as mãos até o corpo do Byun, com coragem suficiente de tocar em cada parte com cautela, explorando cada curva com as mãos grandes. Baekhyun tinha iniciativa e era muito mais firme em suas ações do que Chanyeol.
Era diferente sentir um corpo menor que o seu, estava acostumado com Yifan, que era um pouco mais alto. Era diferente e gostoso poder apertar a pele dele e a sentir quente entre seus dedos, assim como os lábios. Os lábios de Baekhyun também eram deliciosamente quentes.
— Eu tenho um bolo na cozinha, você quer? — Foi a primeira coisa que o Byun perguntou, ainda recuperando o fôlego, assim que se separaram.
— N-não. — Disse um tanto aéreo ao ter os lábios longe dos seus, mas aquilo não durou muito tempo.
Baekhyun conduziu ele e o ajeitou sobre o sofá, e sentou no colo do Park, apenas para poder aproveitar melhor o beijo. Apesar da posição e do desejo em que os dois se encontravam, os toques não tinham segundas intenções, nada além daquele beijo. Isso apenas porque o Byun achava que era cedo demais para tal avanço, mas também não queria manter-se longe dos lábios dele.
Chanyeol não saberia dizer quanto tempo ficaram apenas daquele jeito, mas não conseguiu evitar o suspiro frustrado quando Baekhyun afastou-se de si.
— Apesar de estar gostando muito de beijar você, eu sei que está ficando tarde e você precisa ir pra casa. — Sussurrou, já que estavam pertinho um do outro enquanto mexia com os cabelos próximos à orelha de Chanyeol, em um carinho despretensioso.
— Eu tenho, mas foi muito bom ter vindo. — Disse levantando-se do sofá e coçando a garganta, tentando esconder a ereção que acabou se formando com os beijos. Cada vez mais pensava que estava agindo como um adolescente.
— Espero ter oportunidade de fazer isso outra vez. — Respondeu risonho e levou Chanyeol até a porta, lhe dando um último beijo.
O Park foi para seu prédio sentindo as pernas tremendo, havia feito uma coisa terrivelmente errada, mas estava ao mesmo tempo tão feliz e satisfeito com aquilo. Entrou em seu apartamento e não conseguiu tirar o sorriso do rosto enquanto ia para seu quarto e tirava a roupa de academia em frente à sacada, com as cortinas parcialmente abertas. Precisava tomar um banho rápido, para resolver a ereção que mantinha entre as pernas antes que Kris chegasse.
Espero que da próxima vez a gente tenha mais tempo.
E que eu possa resolver o seu probleminha, mas enquanto isso não acontece, tome seu banho pensando em mim, assim como eu vou pensar em você.
Chanyeol leu a mensagem e abriu o vidro da sacada, vendo que Baekhyun estava ali, como se esperando o momento que ele fosse chegar em casa.
(...)
Kris não demorou a chegar, já estava no quarto quando Chanyeol saiu do banho com a toalha enrolada na cintura. Era uma visão que qualquer pessoa consideraria sexy, contudo Yifan sequer pareceu notar a presença do marido no quarto.
— Já chegou, amor. — Não foi uma pergunta, afirmou enquanto desenrolava a toalha do corpo em frente ao espelho que havia na porta do armário. — Como foi no trabalho?
— Você e sua péssima mania de se trocar no quarto. — Yifan não respondeu a pergunta de Chanyeol. Levantou rapidamente e foi em direção à janela. — Quantas vezes eu já te disse pra não fazer isso? Ainda mais com a janela aberta? Você não tem noção?
Yifan parecia com raiva. Realmente, ele já tinha falado sobre aquilo com Chanyeol várias vezes. Mas não tinha o costume de se trocar no banheiro, sempre deixou a roupa no quarto, ainda mais quando já estava indo dormir
— Estou na minha casa, eu não posso andar como eu quiser? — Juntou uma coragem que não sabia de onde vinha para rebater o marido pela primeira vez. — Ninguém me viu, nem cheguei na janela. E se visse também, qual é o problema?
Não olhou para Yifan quando perguntou, se tivesse feito o teria visto vindo em sua direção e o virando com força pelo braço.
— Não está se achando demais não, Chanyeol? Se eu estou falando para você não fazer uma coisa, espero que você não faça essa coisa. — Forçou ainda mais o braço. Chanyeol tentou afrouxar o aperto mexendo o braço, sem sucesso. — Estamos entendidos? Não quero saber se alguém viu ou deixou de ver.
Não conseguia entender como Yifan era mais forte, mesmo sendo só um pouco mais alto, ele sequer passava tanto tempo na academia como Chanyeol.
— Tá me machucando. — Chanyeol murmurou sentindo os olhos arderem indicando que choraria. Que tipo de homem era afinal? Que não conseguia sequer revidar?
Kris soltou seu braço com brusquidão, o que doeu tanto quanto o aperto.
— O que aconteceu para você ficar assim? — A voz de Chanyeol saiu baixa e chorosa. — Quem te deixou tão irritado, Yifan?
Aquela foi a primeira vez que Kris levantou a mão para Chanyeol, não concretizou seu objetivo. Mas se tinha a intenção de intimidá-lo, conseguiu.
— Já deu pra mim, vou dormir no quarto de hóspedes. — Esbarrou em Chanyeol enquanto saía do quarto. — Não me procure.
Mesmo sendo grande, Chanyeol se sentiu pequeno diante da ameaça, a mão estendida no ar em sua direção fez com que se encolhesse esperando pelo t**a que não veio.
Mesmo que não tivesse concluído sua ação, ela doeu. Doeu quando Chanyeol sentiu seu coração se apertar como se alguém o esmagasse.
Pelo resto da noite, abafou seus soluços no travesseiro até cair no sono.