***CAPÍTULO 5***
CRISTAL EMERSON NARRANDO
Eu estava começando a ficar irritada, depois de passar quase todo dia arrumando o quarto da Yasmin, assim é como a chamam, me livrando dos cremes, algumas roupas inadequadas para crianças, desmontei aquele berço horrível, só faltou eu tacar fogo nas paredes, fiz encomenda de uma nova cama, livros e papel de parede, é provável que chegue entre 6h da noite a 8h. Olhei para meu relógio, são 5h da tarde, o tal patrão ainda não chegou como combinado.
- Menina, você só sabe me olhar, diga alguma coisa.
Jasmim olhou-me com curiosidade, eu a coloquei dentro de uma bacia ajudando-a a ficar na posição sentada, alguns travesseiros estão à sua volta para não sentir dores.
- Crianças da sua idade, já fazem barulho, bagunçam a casa, você é tão quieta que assusta.
Falei pensativa.
- Amanhã vamos dar um passeio no parque...
- Quem te autorizou a sair com minha filha?
Uma voz picante encheu meus ouvidos, minhas costas ficaram rígidas por um momento, depois relaxei. Yasmin abriu a boca para começar a chorar.
- Não chore, seu pai é um i****a, nós iremos ao parque.
Eu comentei e ela ficou quieta, fiquei em pé e virei o corpo para encontrar um homem alto parado à minha frente, ele é muito bonito, ombros largos e corpo provavelmente esculpido.
- Você deve ser Crow Ricci.
Falei.
- Senhor Crow Ricci.
Ele retificou-me.
- Não se exige respeito.
Rebati.
- Não estou exigindo, eu sou seu chefe.
Eu quase sorrio, um homem entrou na sala, ele parou bem distante do seu chefe, Crow Ricci, fuzilou-me com os olhos.
- Chefe, um carro de entregas está na porta...
O homem terminou as palavras falando baixo.
- Não encomendei nada, mande-os embora.
Ele falou irritado.
- Eu encomendei.
Ele franziu o cenho.
- Quem te deu autorização?
Ele levantou o tom de voz.
- Se você fizer Yasmin chorar pelo seu maldito tom de voz, o fará calar.
Ele olhou-me depois olhou para filha que está quieta na bacia. Engoliu seco, depois respirou profundamente, levou os dedos para ponta dos olhos.
- Só sabem me estressar, nunca tenho um minuto de paz.
Ele reclamou.
- Vai pagar a conta ou não?
Estou nem aí para seu drama, quero o que quero e prontos. Ele caminhou em direção a saída da mansão, levou alguns minutos e seus seguranças entraram carregando encomendas de compras em direção as escadas, quando Crow Ricci passou por me, eu digo.
- Ainda não terminamos de conversar.
Ele parou surpreso, deu alguns passos para trás ficando bem a minha frente.
- Eu quero folga depois das 3h da tarde do sábado até domingo.
Ele ficou pensativo.
- Para voltar na segunda feira pela manhã?
- Exatamente.
- São muitas horas fora.
Ele reclamou depois de olhar para filha.
- Eu tenho uma vida além de ser babá.
Cruzei os braços impaciente.
- Tudo bem, tudo bem.
Ele falou por fim.
- Eu não uso esses uniformes curtos, quero calças.
- Combinado.
- Sou apenas babá, não faço outros serviços de casa.
- Combinado.
- Eu uso minha metodologia para educar crianças, você não deve interferir, salve se for violência.
- Ela é minha filha.
Ele reclamou.
- Que não senta nem gatinha, sua filha só abre a boca para chorar, é a única coisa que ela sabe fazer.
Ele olhou-me intrigado.
- Tudo bem.
Ele finalmente concordou.
- Não estranhe ver recibos de compras, eu farei muitas compras.
Já fui avisando para ele não reclamar.
- Minha filha tem tudo.
Ele reclamou.
- Tem certeza disso? Eu não vi nada de especial, além de cremes alérgicos, berço desconfortável e leite que ela odeia.
Ele franziu o cenho.
- Alergia? Que história é essa? Eu sempre optei por comprar coisas de qualidade para ela.
- Yasmin é uma criança, bem tudo que é bom aos seus olhos são bons para ela.
Ele deu um suspiro profundo.
- Está bem, você cuida disso, eu estou cansado, vou descansar.
Ele deu alguns passos.
- Quem disse que terminei?
Eu podia ouvir sua garganta gritar irritado, ele está impaciente, mas não é problema meu, eu não me importo com seus dramas.