Capítulo 4

1039 Words
"Há horas na vida em que a mais leve contrariedade toma proporções de uma catástrofe ". Camilo Castelo Branco. Saio andando pelo pátio, até que quando estou chegando perto da quadra, vejo a porta da antiga horta comunitária, com algumas madeiras tapando e já que não tenho nada a perder vou lá . Tiro as estacas com uma certa dificuldade, fazendo com que algumas farpas entrem nas minhas mãos, acabo consigo retirá-las já que estão apodrecidas, abro a porta e entro no local e aí lembro que aqui também funcionava o projeto flor todo dia, em que os alunos do ensino médio aprendiam sobre jardinagem mais acabou por falta de interesse dos alunos e incidentes. Apesar do tempo o lugar tá incrível tem ervas daninhas e matos para todos os lados, tem várias flores nas paredes ao redor da cerca viva e um banco no meio do lugar, ficou perfeito para que eu fique tranquila e longe da Amanda. Depois de ficar um tempo pensando, resolvo sair do jardim só que agora tomo cuidado para não ser vista . Chego na sala como sempre primeiro e quem entra é a professora Clara de Biologia que pelo o que pude perceber tá exalando alegria e tenho a impressão que a felicidade dela vai ser minha tristeza. Assim que todos entram ela se pronuncia. - Alunos atenção ! Eu quero falar que no final de semana, as turmas do ensino médio vão fazer uma excursão em uma reserva natural, um pouco afastada da cidade para poder aprender mais sobre plantas, então levem coisas para acampar e esse trabalho vai valer o ponto da prova e do trabalho do professor acompanhante e antes que me perguntem o professor Alex acompanhará vocês. Como sempre ela falou tudo para ninguém ficar perguntando e algumas alunas estavam todas felizinhas que o professor Alex nos acompanharia, por ser o professor mais novo e bonito da escola. E tenho que admitir que ele é bem bonito mas não acho que tenha necessidade pra ficar assim. Depois que a professora acabou de explicar tudo ela começou a passar matéria no quadro e sem querer novamente escutei uma conversa da Amanda com a Carla. - Você ouviu ?! O gato do professor de geografia vai nos acompanhar na excursão. - Verdade, mas não faz diferença alguma pra mim, já que estou namorando. -E quem disse que você iria ficar com ele? -E não estava?! - Claro que não, eu vou ficar com ele nessa excursão e deixar todas com inveja - As duas começaram a dar uns risinhos enjoados delas. Patético ! Reviro os olhos por isso, que falta de respeito com o professor e sem contar que isso é contra as regras da escola ela pode ser expulsa, porém pensando bem não seria de todo m*l. Depois daquela aula o tempo passou super rápido, então logo chegou a hora de ir embora. Quando cheguei em casa por milagre meus pais estavam em casa mas infelizmente estavam discutindo. - Mãe, Pai!- eles nem se quer me ouviram chamá-los, minha mãe estava furiosa e meu pai como sempre não parecia estar com paciência para ouvir minha mãe berrando . - MÃE PAI DÁ PRA VOCÊS PRESTAREM ATENÇÃO EM MIM ! - Quando gritei os dois finalmente notaram minha presença. - O que você quer ? Não vê que estou ocupada com o seu pai não tenho tempo para perder com você - Doeu ouvir isso da minha mãe foi como levar um soco no peito. Ela nem sempre foi fria assim, mas agora... Eu nem a reconheço mais . - Fica tranquila Dona Patrícia é só pra você assinar uma autorização da escola, não vim atrapalhar essa cena ridícula de vocês dois não. - Tentei falar normalmente, mas minha voz saiu falha e senti meus olhos marejados pelas lágrimas que arriscaram cair. - Cala a sua boca garotinha ingrata por mais que não goste, eu sou sua mãe e exijo respeito. - Ela olhou dentro de meus olhos e eu pude sentir em seu olhar todo o ódio que ela sentia. - Ei vocês duas não precisam brigar - meu pai pega o papel de minha mão - Eu assino para você, querida - ele andou meio tonto em direção ao seu escritório, sua voz também estava diferente parecia bêbado e talvez esse seja o motivo para a briga deles . Quando ele saiu ficou apenas o maldito silêncio então decidi falar algo . - O pai está bêbado, por isso estavam brigando ? - perguntei baixinho quase que inaudível. -Isso não é da sua conta - Respondeu com ignorância se aproximando de mim e me olhando nos olhos - E quando ver que estamos discutindo novamente não se meta . Senti novamente meus olhos pesarem pelas lágrimas acumuladas, aquelas palavras doíam como o inferno . - Pronto toma aqui o seu bilhete - Meu pai invadiu a sala não percebendo o clima pesado entre eu e minha mãe, peguei o papel e me afastei dela subindo as escadas em silêncio . Quando entrei em meu quarto tranquei a porta e antes de começar a chorar entrei no banheiro, peguei uma gilete e fiz um pequeno corte no pulso, liguei o chuveiro e sentei no chão enquanto chorava e a água encharcou minha roupa. Alguns minutos depois sai do banheiro e troquei de roupa. Comecei a arrumar minhas coisas para excursão. Quando terminei de arrumar tudo deitei em minha cama para tentar dormir e infelizmente não consegui minha cabeça estava a mil. ▫▫▫ Assim que cheguei no ônibus resolvi sentar no primeiro banco, já que a turma da Amanda iria pro fundão. Coloquei meu fone e comecei a ouvir a música de onde eu tinha parado. Assim que todos entraram no ônibus, o professor veio em seguida e começou a dar as instruções e eu não prestei atenção em nenhuma palavra que ele disse, até que ele terminou e sentou do meu lado para o meu desgosto e aparentemente para o da Carla também . Eu passei o caminho todo ouvindo música, sem nem prestar atenção em nada mais tive a impressão que o professor não parava de me olhar. " Nossa essa excursão vai ser longa ".
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