AMÉLIA Quando cheguei em casa após mais um dia de trabalho na comunidade, encontrei Agenor sentado na sala, o olhar frio fixo em mim. Sabia que ele estava esperando uma oportunidade para me intimidar, e hoje não seria diferente. — Está tarde, Amélia. Onde você estava? — ele perguntou, sua voz carregada de sarcasmo. — Estava na ação social, ajudando quem precisa — respondi, tentando manter a calma. Ele levantou-se devagar e caminhou até mim, seus olhos brilhando com uma malícia que me deixava enjoada. — Ação social... — ele repetiu, cada palavra carregada de desdém. — Sempre a mesma historinha... Só a Jussara para acreditar nesse seu papinho. — Não estou me mentindo, Agenor. Estou ajudando as pessoas. Algo que você nunca entenderia — rebati, sem conseguir esconder minha irritação. El

