06: O Confronto no Voo Cifrado

1767 Words
(Cenário: Cabine de luxo de um jato particular, sobre o Atlântico. Sanem está acordada, Yusuf está prestes a acordar.) Eu guardei o celular, fingindo calma. Yusuf me levou para o avião, e eu sentei no assento, olhando pela janela enquanto decolávamos. Nova York sumia embaixo, e Istambul me esperava como uma armadilha. O beijo de Efe ainda queimava, o sangue dele na minha memória. Eu era refém, mas tinha o Manifesto. Em 24 horas, tudo se resolveria no Bósforo. Eu precisava ser esperta, sobreviver e salvar meu filho. A mensagem de Efe ecoava na minha cabeça, uma mistura de amor e controle. Ele me usava, mas eu o usava também. O voo era longo, tempo para planejar. Yusuf dormia ao lado, mas eu ficava acordada, pensando em cada detalhe. O ar no avião era frio, como o gelo no bar. Eu sentia falta de Efe, mesmo no caos. Ele sobreviveria? Eu acreditava que sim. E no final, eu seria a vencedora. Yusuf se mexeu no assento. Ele acordou abruptamente, como quem sai de um pesadelo. Seus olhos duros e sem expressão pousaram em mim, instantaneamente retomando a postura de Raptor. “Você está acordada?” (A voz dele era rouca, cheia de nojo e desconfiança.) “É difícil dormir quando a sua vida e a vida do seu filho estão sendo negociadas com o Chefe da Máfia.” Respondi, mantendo a voz estável. “Não tente ser esperta, Sanem. Você falhou. Você nos traiu com o Efe Karaman. Você quase acabou com a nossa operação. Se eu não tivesse agido, a polícia estaria agora na sua cola, e o Aziz Selim estaria furioso.” “Você está errado. Eu não traí. Eu falhei em roubar o Efe, mas eu me salvei. E salvei você. Se eu não tivesse ligado para o Sr. Selim, você estaria fugindo como um rato sem ter nada para entregar. Eu tenho o Manifesto. Você não.” “Onde está o Manifesto? O original.” (O tom dele era tão arrogante quanto o de Efe. Usei isso contra ele. ) “Em um servidor que só eu conheço. E que só eu posso acessar.” “Você está blefando.” “Você quer arriscar? Se eu sumir, o Manifesto some. E o Sr. Selim não vai perdoar você por ter deixado o seguro dele escapar. Você precisa de mim para sobreviver tanto quanto eu preciso de você para chegar em Istambul. Somos parceiros nisso, Yusuf. Parceiros no fracasso.” Yusuf inclinou a cabeça, os olhos fixos. A raiva dele começou a se misturar com uma ponta de respeito. “Você aprendeu rápido a falar a nossa língua. Foi o Karaman que te ensinou?” “Foi o meu desespero. E o seu.” Minha resposta foi imediata. « O Início do Interrogatório» Yusuf se ajeitou no assento, abrindo uma garrafa de água. A cabine estava silenciosa, apenas o zumbido dos motores preenchia o espaço. “Vamos falar sobre o Karaman. Você estava disposta a dormir com ele para roubar o Manifesto?” “Não é da sua conta.” Respondi, desviando o olhar. A pergunta me atingiu como um soco. “É claro que é da minha conta. O Sr. Selim vai querer saber. Você se deitou com o inimigo. É traição.” “Eu fiz o que foi preciso. Se o Sr. Selim quisesse que eu fosse para a cama com ele, eu iria. A minha lealdade é para salvar o meu filho, não para você. E o Karaman...” Olhei para ele, sentindo a raiva me dar força. “Ele é um homem doente, cheio de vingança. Ele usaria qualquer um.” “E você? Você o usou?” “Eu o usei para chegar ao Manifesto. Quando ele percebeu o meu jogo, eu o usei para me salvar. Ele é um criminoso arrogante.” “Ele te beijou. No meio do caos, ele te beijou. Por quê?” “Por possessividade.” (Menti, endurecendo a voz.) “Ele achou que eu era dele. Ele acha que é o dono de tudo. Foi uma marca, Yusuf. Ele quis me humilhar na frente do bar.” Yusuf riu, um som seco.“Você está mentindo. Eu vi o olhar dele quando ele caiu. Não era de ódio. Era de... de posse. E talvez, desejo.” “Ele é o nosso inimigo. E eu o usei. Isso é tudo.” “Ele te mandou aquela mensagem. Eu ouvi. ‘Eu te amo. E você é minha.’ ” “É a última manipulação dele. Ele está morrendo e quer que eu o vingue. Ele quer controlar a minha fúria. E eu não vou cair nessa.” Monólogo Interno: Onde está a verdade? Eu o odeio ou o amo? Eu sou a isca, e ele está me usando mesmo à beira da morte. O diálogo ficou mais tenso. Yusuf parou de questionar meu relacionamento com Efe e foi direto ao ponto. Ele queria saber o que eu tinha para oferecer ao Aziz Selim. “Qual é o seu plano, Sanem? Você acha que o Sr. Selim vai te perdoar por um Manifesto copiado?” “Eu tenho o Manifesto completo. E, mais importante, eu tenho a prova de que Efe Karaman estava sabotando a rede de lavagem dele. O Efe não é só um sócio; ele é um traidor. Eu sou a única que pode dar ao Sr. Selim o acesso para destruir a Karaman Global de dentro para fora.” “O que você sabe sobre a rede?” “Eu sei que o Projeto X não é apenas o Manifesto. É uma rede de ativos da Máfia que o Efe construiu e estava usando para se vingar. Ele estava movendo o dinheiro para offshores inacessíveis. Eu posso reverter isso. Mas só se eu estiver viva e o meu filho estiver seguro.” “Você quer a cabeça do Karaman?” “Eu quero a segurança do Leo. Se o Sr. Selim me der a garantia, eu entrego o Manifesto e o acesso para destruir a vingança do Karaman. Ele vai odiar ter sido vencido por uma ‘secretária’.” Yusuf respirou fundo. Ele olhou para mim com uma nova avaliação. Monólogo Interno: Estou plantando a ideia de que sou mais valiosa viva do que morta. “Por que você faria isso? Por que se expor a nós?” “Porque a vingança do Karaman não teria fim. Ele usou a morte da mãe para justificar tudo. Ele ia me destruir depois de me usar. Eu estou sendo leal ao Sr. Selim porque ele pode me dar o que eu quero: paz e o meu filho.” “O Sr. Selim quer garantias. Ele não confia em você.” “E eu não confio nele. Eu só entrego o Manifesto depois que o Leo for liberado e estiver fora do alcance de vocês. Vocês o soltam, e eu dou o acesso.” “Você está sendo ingênua. Não funciona assim.” “Não funciona do seu jeito, Yusuf. Se o Sr. Selim quer destruir o Efe antes que a polícia pegue o resto da rede dele, ele precisa de mim. Ele precisa de tempo. E a única que pode dar isso sou eu.” O Segredo do Yusuf e o Medo do Chefe O silêncio voltou. O avião tremia suavemente. Yusuf parecia estar considerando o peso das minhas palavras, mas eu precisava de mais. Eu precisava saber o ponto fraco de Aziz Selim. “E por que você está tão tenso, Yusuf?” (Perguntei, mantendo o tom suave, mas inquisitivo.) “Eu? Eu sou leal. Eu não traio.” “Não é isso. Você está com medo. O Sr. Selim não é um homem que perdoa falhas. Você falhou em me vigiar em Nova York. Você permitiu a fuga do Manifesto.” Yusuf cerrou os dentes. A máscara dele se quebrou por um instante. “Eu fiz o que foi preciso. Eu trouxe você.” “E isso não é suficiente. O Sr. Selim é um homem de controle absoluto. Ele não tolera que ninguém, exceto ele, tenha o poder. Você está arriscando tudo. O Karaman, mesmo ferido, ainda é um problema.” “O Karaman está no hospital. E o Manifesto está com você. Você é o problema.” “Não, Yusuf. O problema é o Medo. O Sr. Selim tem medo de que, se o Karaman morrer antes de entregar a rede, o dinheiro dele suma para sempre. Ele quer que o Karaman sofra, mas ele quer o dinheiro de volta. É por isso que ele precisa de mim.” (Olhei para ele, desafiando-o a me corrigir.) “Você está falando demais.” “Eu estou falando a verdade. Se o Sr. Selim soubesse que você me deixou viva, ele ficaria furioso. Mas se eu entregar o acesso, ele vai te perdoar. Eu sou a sua única salvação, Yusuf. E você é a minha garantia de vida até Istambul. Não me subestime.” (Yusuf suspirou, apoiando-se no assento. A derrota em sua voz era palpável.) “Se você for mesmo capaz de fazer isso, você não é uma secretária. Você é um demônio.” “Eu sou mãe, Yusuf. É quase a mesma coisa.” «A Chegada e a Ordem Final» O avião começou a descer, e as luzes de Istambul apareceram no horizonte. A cidade era uma tapeçaria de ouro e sombras, o Bósforo esperando como um abismo. A tensão na cabine era insuportável. Yusuf pegou o celular criptografado. Era uma mensagem de Aziz Selim. Ele leu a mensagem, e seu rosto ficou pálido, mais pálido do que quando Efe levou o tiro. “O que foi?” (Perguntei, sentindo um frio na espinha.) Yusuf levantou a cabeça. Seu olhar não era mais de raiva, mas de pena e medo. “O Sr. Selim mudou o plano.” “Mudar o plano? O Leo?” “O Leo está seguro... por enquanto. Mas o Sr. Selim não vai te encontrar no Bósforo.” “Onde?” “Ele vai te levar para o Palácio dele. Você não vai negociar, Sanem. Você vai ser testada. E o seu primeiro teste de lealdade é...” Yusuf engoliu em seco, olhando para a minha mão, que ainda guardava a cópia do Manifesto. “Você vai ter que entregar o acesso ao Manifesto ao seu novo guardião. E ele não será o Sr. Selim.” A porta do avião abriu, revelando a frieza da noite turca. Eram dois homens altos e armados esperando na pista. O líder deles se aproximou. Era O ...
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