(Cenário: Cabine de luxo de um jato particular, sobre o Atlântico. Sanem está acordada, Yusuf está prestes a acordar.)
Eu guardei o celular, fingindo calma. Yusuf me levou para o avião, e eu sentei no assento, olhando pela janela enquanto decolávamos. Nova York sumia embaixo, e Istambul me esperava como uma armadilha. O beijo de Efe ainda queimava, o sangue dele na minha memória. Eu era refém, mas tinha o Manifesto.
Em 24 horas, tudo se resolveria no Bósforo. Eu precisava ser esperta, sobreviver e salvar meu filho. A mensagem de Efe ecoava na minha cabeça, uma mistura de amor e controle. Ele me usava, mas eu o usava também. O voo era longo, tempo para planejar.
Yusuf dormia ao lado, mas eu ficava acordada, pensando em cada detalhe. O ar no avião era frio, como o gelo no bar. Eu sentia falta de Efe, mesmo no caos. Ele sobreviveria? Eu acreditava que sim. E no final, eu seria a vencedora.
Yusuf se mexeu no assento. Ele acordou abruptamente, como quem sai de um pesadelo. Seus olhos duros e sem expressão pousaram em mim, instantaneamente retomando a postura de Raptor.
“Você está acordada?” (A voz dele era rouca, cheia de nojo e desconfiança.)
“É difícil dormir quando a sua vida e a vida do seu filho estão sendo negociadas com o Chefe da Máfia.”
Respondi, mantendo a voz estável.
“Não tente ser esperta, Sanem. Você falhou. Você nos traiu com o Efe Karaman. Você quase acabou com a nossa operação. Se eu não tivesse agido, a polícia estaria agora na sua cola, e o Aziz Selim estaria furioso.”
“Você está errado. Eu não traí. Eu falhei em roubar o Efe, mas eu me salvei. E salvei você. Se eu não tivesse ligado para o Sr. Selim, você estaria fugindo como um rato sem ter nada para entregar. Eu tenho o Manifesto. Você não.”
“Onde está o Manifesto? O original.”
(O tom dele era tão arrogante quanto o de Efe. Usei isso contra ele. )
“Em um servidor que só eu conheço. E que só eu posso acessar.”
“Você está blefando.”
“Você quer arriscar? Se eu sumir, o Manifesto some. E o Sr. Selim não vai perdoar você por ter deixado o seguro dele escapar. Você precisa de mim para sobreviver tanto quanto eu preciso de você para chegar em Istambul. Somos parceiros nisso, Yusuf. Parceiros no fracasso.”
Yusuf inclinou a cabeça, os olhos fixos. A raiva dele começou a se misturar com uma ponta de respeito.
“Você aprendeu rápido a falar a nossa língua. Foi o Karaman que te ensinou?”
“Foi o meu desespero. E o seu.”
Minha resposta foi imediata.
« O Início do Interrogatório»
Yusuf se ajeitou no assento, abrindo uma garrafa de água. A cabine estava silenciosa, apenas o zumbido dos motores preenchia o espaço.
“Vamos falar sobre o Karaman. Você estava disposta a dormir com ele para roubar o Manifesto?”
“Não é da sua conta.”
Respondi, desviando o olhar. A pergunta me atingiu como um soco.
“É claro que é da minha conta. O Sr. Selim vai querer saber. Você se deitou com o inimigo. É traição.”
“Eu fiz o que foi preciso. Se o Sr. Selim quisesse que eu fosse para a cama com ele, eu iria. A minha lealdade é para salvar o meu filho, não para você. E o Karaman...”
Olhei para ele, sentindo a raiva me dar força.
“Ele é um homem doente, cheio de vingança. Ele usaria qualquer um.”
“E você? Você o usou?”
“Eu o usei para chegar ao Manifesto. Quando ele percebeu o meu jogo, eu o usei para me salvar. Ele é um criminoso arrogante.”
“Ele te beijou. No meio do caos, ele te beijou. Por quê?”
“Por possessividade.” (Menti, endurecendo a voz.) “Ele achou que eu era dele. Ele acha que é o dono de tudo. Foi uma marca, Yusuf. Ele quis me humilhar na frente do bar.”
Yusuf riu, um som seco.“Você está mentindo. Eu vi o olhar dele quando ele caiu. Não era de ódio. Era de... de posse. E talvez, desejo.”
“Ele é o nosso inimigo. E eu o usei. Isso é tudo.”
“Ele te mandou aquela mensagem. Eu ouvi. ‘Eu te amo. E você é minha.’ ”
“É a última manipulação dele. Ele está morrendo e quer que eu o vingue. Ele quer controlar a minha fúria. E eu não vou cair nessa.”
Monólogo Interno: Onde está a verdade? Eu o odeio ou o amo? Eu sou a isca, e ele está me usando mesmo à beira da morte.
O diálogo ficou mais tenso. Yusuf parou de questionar meu relacionamento com Efe e foi direto ao ponto. Ele queria saber o que eu tinha para oferecer ao Aziz Selim.
“Qual é o seu plano, Sanem? Você acha que o Sr. Selim vai te perdoar por um Manifesto copiado?”
“Eu tenho o Manifesto completo. E, mais importante, eu tenho a prova de que Efe Karaman estava sabotando a rede de lavagem dele. O Efe não é só um sócio; ele é um traidor. Eu sou a única que pode dar ao Sr. Selim o acesso para destruir a Karaman Global de dentro para fora.”
“O que você sabe sobre a rede?”
“Eu sei que o Projeto X não é apenas o Manifesto. É uma rede de ativos da Máfia que o Efe construiu e estava usando para se vingar. Ele estava movendo o dinheiro para offshores inacessíveis. Eu posso reverter isso.
Mas só se eu estiver viva e o meu filho estiver seguro.”
“Você quer a cabeça do Karaman?”
“Eu quero a segurança do Leo. Se o Sr. Selim me der a garantia, eu entrego o Manifesto e o acesso para destruir a vingança do Karaman. Ele vai odiar ter sido vencido por uma ‘secretária’.”
Yusuf respirou fundo. Ele olhou para mim com uma nova avaliação. Monólogo Interno: Estou plantando a ideia de que sou mais valiosa viva do que morta.
“Por que você faria isso? Por que se expor a nós?”
“Porque a vingança do Karaman não teria fim. Ele usou a morte da mãe para justificar tudo. Ele ia me destruir depois de me usar. Eu estou sendo leal ao Sr. Selim porque ele pode me dar o que eu quero: paz e o meu filho.”
“O Sr. Selim quer garantias. Ele não confia em você.”
“E eu não confio nele. Eu só entrego o Manifesto depois que o Leo for liberado e estiver fora do alcance de vocês. Vocês o soltam, e eu dou o acesso.”
“Você está sendo ingênua. Não funciona assim.”
“Não funciona do seu jeito, Yusuf. Se o Sr. Selim quer destruir o Efe antes que a polícia pegue o resto da rede dele, ele precisa de mim. Ele precisa de tempo. E a única que pode dar isso sou eu.”
O Segredo do Yusuf e o Medo do Chefe
O silêncio voltou. O avião tremia suavemente. Yusuf parecia estar considerando o peso das minhas palavras, mas eu precisava de mais. Eu precisava saber o ponto fraco de Aziz Selim.
“E por que você está tão tenso, Yusuf?” (Perguntei, mantendo o tom suave, mas inquisitivo.)
“Eu? Eu sou leal. Eu não traio.”
“Não é isso. Você está com medo. O Sr. Selim não é um homem que perdoa falhas. Você falhou em me vigiar em Nova York. Você permitiu a fuga do Manifesto.”
Yusuf cerrou os dentes. A máscara dele se quebrou por um instante. “Eu fiz o que foi preciso. Eu trouxe você.”
“E isso não é suficiente. O Sr. Selim é um homem de controle absoluto. Ele não tolera que ninguém, exceto ele, tenha o poder. Você está arriscando tudo. O Karaman, mesmo ferido, ainda é um problema.”
“O Karaman está no hospital. E o Manifesto está com você. Você é o problema.”
“Não, Yusuf. O problema é o Medo. O Sr. Selim tem medo de que, se o Karaman morrer antes de entregar a rede, o dinheiro dele suma para sempre. Ele quer que o Karaman sofra, mas ele quer o dinheiro de volta. É por isso que ele precisa de mim.”
(Olhei para ele, desafiando-o a me corrigir.)
“Você está falando demais.”
“Eu estou falando a verdade. Se o Sr. Selim soubesse que você me deixou viva, ele ficaria furioso. Mas se eu entregar o acesso, ele vai te perdoar. Eu sou a sua única salvação, Yusuf. E você é a minha garantia de vida até Istambul. Não me subestime.”
(Yusuf suspirou, apoiando-se no assento. A derrota em sua voz era palpável.)
“Se você for mesmo capaz de fazer isso, você não é uma secretária. Você é um demônio.”
“Eu sou mãe, Yusuf. É quase a mesma coisa.”
«A Chegada e a Ordem Final»
O avião começou a descer, e as luzes de Istambul apareceram no horizonte. A cidade era uma tapeçaria de ouro e sombras, o Bósforo esperando como um abismo. A tensão na cabine era insuportável.
Yusuf pegou o celular criptografado. Era uma mensagem de Aziz Selim. Ele leu a mensagem, e seu rosto ficou pálido, mais pálido do que quando Efe levou o tiro.
“O que foi?” (Perguntei, sentindo um frio na espinha.)
Yusuf levantou a cabeça. Seu olhar não era mais de raiva, mas de pena e medo.
“O Sr. Selim mudou o plano.”
“Mudar o plano? O Leo?”
“O Leo está seguro... por enquanto. Mas o Sr. Selim não vai te encontrar no Bósforo.”
“Onde?”
“Ele vai te levar para o Palácio dele. Você não vai negociar, Sanem. Você vai ser testada. E o seu primeiro teste de lealdade é...”
Yusuf engoliu em seco, olhando para a minha mão, que ainda guardava a cópia do Manifesto.
“Você vai ter que entregar o acesso ao Manifesto ao seu novo guardião. E ele não será o Sr. Selim.”
A porta do avião abriu, revelando a frieza da noite turca. Eram dois homens altos e armados esperando na pista. O líder deles se aproximou. Era O ...