04: A Prova de Lealdade e a Faca no Gelo

2045 Words
O calor do corpo de Efe Karaman era um choque elétrico, um curto-circuito na minha mente já exausta. Ele me segurava com força, me encurralando entre a mesa e a fúria dele. O cheiro de seu perfume caro, misturado à ameaça, era inebriante e aterrorizante. O desejo de revidar a humilhação se misturava ao medo de ter sido descoberta. A atração por ele, mesmo sabendo que era um criminoso, me causava uma vergonha profunda e indesejada. "Você achou o Manifesto, Sanem?" Ele sussurrou no meu ouvido. A voz dele era grave e carregada de posse. O pavor me paralisou. "A Máfia te mandou roubar? O Manifesto é o meu seguro. E agora você tem a cópia. Se a Máfia te usar, eu a destruo, e o seu filho também. Saiba disso." Minha voz falhou, mas eu forcei a máscara. Eu tinha que negar. "Eu... eu não sei do que o senhor está falando. Eu estava revisando os contratos de fusão, como o senhor ordenou. Eu não sou uma ladra." Ele me soltou, mas os olhos dele ficaram fixos nos meus. Eram um poço de cinismo e inteligência, perfurando a minha mentira. "O Manifesto é o meu acordo de paz com Aziz Selim. Ele contém a prova de que eu o ajudei a lavar dinheiro. Se esse ficheiro vazar, eu perco a Karaman Global e a minha vida." Ele fez uma pausa dramática. "E você, Sanem, está com a cópia dele no seu celular. Não minta para mim. Eu sei de tudo. Eu sei quem você é e quem te mandou aqui." "Se o senhor sabe, por que me contratou?" A raiva me deu uma dose de coragem. Eu o confrontei. "Por que me deu a chance de te trair?" "Porque eu preciso de uma traidora." Ele sorriu, um sorriso fino e c***l. "E você é perfeita. Você é desesperada, tem um filho para proteger e tem a coragem de me beijar para roubar meus segredos." "Eu não o beijei! E eu não sou sua traidora! Eu só estou aqui pelo meu filho!" Eu me senti humilhada. Ele tinha visto o meu ciúme, a minha atração. Ele estava usando isso contra mim. "O seu ciúme quando a Aslı estava aqui gritou para mim." Ele riu, um som rouco e frio, sem humor. "Você é a única pessoa que se atreve a me roubar e a me confrontar. Isso me interessa. Agora, você tem uma escolha, Sra. Yıldırım. Você trabalha para o Aziz Selim e morre em uma semana, ou você trabalha comigo e sobrevive para criar o seu filho." "Como?" "Você vai dizer ao Yusuf que você não conseguiu o Manifesto. Você vai fingir ser a traidora falha, inútil. E vai me entregar o seu celular. Eu vou formatá-lo, para mostrar a eles que você foi descuidada, que você falhou miseravelmente, mas que você é fiel ao meu sistema de segurança, que você não é uma ameaça real. Eles vão te desprezar." "E qual é a sua jogada?" Efe sorriu, e a frieza deu lugar a uma determinação que me deu arrepios de atração. "Você vai ser o meu escudo, Sanem. O Yusuf virá atrás de você. E quando ele vier, eu estarei lá para usá-lo contra o Aziz Selim." Eu senti o peso da vida do Leo se misturando à minha nova missão. Eu estava no jogo de Efe Karaman. E ele era muito mais perigoso que a Máfia, porque ele tinha charme e poder, e eu o desejava. "Se eu entregar o meu celular, eu perco a única prova que tenho de que sou útil para a Máfia. Eles vão me m***r por falhar. O Yusuf não perdoa." "É a prova de que você falhou, Sanem." Ele se aproximou, me olhando nos olhos. "Yusuf gosta de obedientes, não de falhos ambiciosos. Você vai dizer que a segurança da Karaman Global é intransponível, mas que você é leal ao Aziz Selim. Eu vou te dar um novo celular, criptografado e monitorado, para que você possa se comunicar com ele, e para que eu possa ouvir a conversa." "O senhor vai me monitorar?" Eu perguntei, sentindo a humilhação da minha falta de liberdade. "Claro. Você é minha secretária, Sanem. Minha cúmplice. E a minha isca." O tom dele era possessivo, e o desejo de revidar a posse dele era forte. Eu era um objeto para ele. Eu respirei fundo. Eu não tinha escolha. A vida do Leo dependia da minha capacidade de fingir lealdade. Eu entreguei o meu celular. Efe o formatou em segundos, limpando todos os meus rastros. O Manifesto estava seguro, em um servidor que só eu conhecia. "Agora, Sanem. O Yusuf vai te ligar. Você precisa ser a traidora arrependida, a falha patética." O celular de Efe tocou. Era o Yusuf, no número criptografado que Efe tinha me dado. Efe me deu o celular, e eu respirei fundo. A determinação voltou. Eu ia ser a melhor atriz que a Máfia já viu. "Alô?" Minha voz estava trêmula, forçada pelo medo, mas com um toque de súplica. "Sanem! Onde está o Manifesto?!" A voz de Yusuf era pura fúria e decepção, vinda de quilômetros de distância. "Eu... eu não consegui, Yusuf. Eu... eu falhei. A segurança do Efe é insuperável. Ele me pegou tentando acessar o cofre, ele estava me testando! Eu tentei, Yusuf, mas eu não consegui. Eu apaguei tudo, eu me livrei do meu celular para não ser rastreada. Eu entrei em pânico!" "O quê?! Você mentiu! Você é inútil!" O grito dele quase furou o meu tímpano. "Eu sou leal a você! Mas a segurança dele me paralisou. Eu sou só uma secretária, Yusuf! Me perdoe! Me dê outra chance!" "Eu não perdoo falhas." Yusuf riu, um som seco e c***l. "Você tem 24 horas para me entregar o Manifesto, ou eu vou buscar o Leo e a sua mãe na Europa. E eu não vou te avisar. Eu vou apenas mandar as fotos. E você sabe o que isso significa." Ele desligou. Eu entreguei o celular a Efe, o rosto pálido, o medo real agora. "Você foi convincente." Efe disse, com um sorriso de escárnio. Ele se aproximou e secou uma lágrima que escorria pelo meu rosto com o polegar. O toque dele era um arrepio. "Mas eles vão vir atrás de você. Agora, você é a minha isca de luxo. A minha protegida." "Qual é o plano, Efe? Você vai me usar para capturar o Yusuf? E o meu filho?" "Eu vou te usar para desmantelar a rede de Aziz Selim, a Máfia. O Manifesto é o meu seguro, mas o Projeto X é a minha vingança. E você tem o acesso para ele, Sanem. Eu preciso que você me ajude a provar quem o Aziz é." "O Projeto X é a rede de lavagem de dinheiro, certo? Você está envolvido nisso! Você me disse que a sua mãe foi morta por causa disso!" Efe me encarou, e a frieza nos olhos dele era total. O desejo de entendê-lo era forte, mas a raiva da mentira era maior. "Minha mãe morreu por causa da Máfia, Sanem. Eu fingi ser cúmplice do Aziz Selim por anos, ganhando a confiança dele. Eu construí a rede para ele, para conhecê-lo. Eu sou o engenheiro da lavagem de dinheiro. O Projeto X é a prova de que ele é o assassino dela. E eu não vou falhar, e você vai me ajudar a pegá-lo." "Você está me usando!" "Eu estou te salvando. Agora, você vai ligar para o Yusuf e dizer que tem uma informação vital, mas que você está com medo de ir sozinha. Você vai marcar um encontro com ele, em um lugar público, e você vai me levar como seu escudo. Você vai me entregar a ele para provar sua lealdade." "Mas se ele te ver, ele vai te m***r! Ele sabe que você é o banqueiro do Aziz Selim!" "Não. Ele vai me ver como a sua última tentativa de p******o, a sua fraqueza. Ele vai me desprezar, me humilhar, mas não vai me m***r em público, no meio de Manhattan. Ele vai te dar uma última chance para provar sua lealdade à Máfia." "E qual será a minha prova de lealdade?" "Você vai ter que me trair na frente dele. Você vai ter que me fazer parecer vulnerável e ingênuo, um empresário arrogante que não sabe o que está fazendo. Eu vou te dar uma informação vital, e você vai entregá-la a ele, provando que você é a traidora perfeita, a agente dupla." "E o que você vai me dar?" "A senha do meu server secundário. O local onde eu guardo as minhas informações mais valiosas. Você vai entregar isso a ele. E você vai garantir que ele pense que você me destruiu, que você o fez vencer." "E se ele me m***r depois de vencer?" "Eu estarei lá. Eu prometo. Eu sou o seu escudo, Sanem." O olhar dele era de posse. O desejo de que ele não estivesse mentindo era imenso, o único fio de esperança. Eu saí da cobertura de Efe, sentindo-me a pior pessoa do mundo. Eu era a traidora dele, a cúmplice dele, e a sua isca. O meu coração estava dividido entre a repulsa pelo criminoso e o desejo inegável pelo homem que estava arriscando a vida para me salvar. Eu liguei para o Yusuf, usando o celular monitorado. "Yusuf! Eu tenho a informação! Mas eu estou com medo! Eu quero me encontrar com você! Eu preciso de uma prova de que não sou inútil!" A voz de Yusuf era desconfiada, cheia de veneno. "Onde? Não vou arriscar a segurança do Aziz Selim por você, Sanem." "No The Carlyle. Amanhã à noite. No bar do lobby. O meu chefe, Efe Karaman, vai estar lá. Eu vou levá-lo para provar que eu estou te traindo, que ele está completamente alheio ao que está acontecendo. Eu vou te dar a prova de que ele não desconfia de nada." "Se for uma armadilha, Sanem, você e o seu filho morrem. Eu juro pelo nome do Aziz Selim." "Não é uma armadilha. É a minha única chance de sobreviver. É a minha prova final." Eu desliguei e voltei para o meu apartamento no Queens. Eu tinha que me preparar. Eu tinha que salvar o Leo, mesmo que isso custasse o Efe. No dia seguinte, eu estava no The Carlyle. Um hotel de luxo, perfeito para um encontro de Máfia, onde a discrição era a maior arma. Efe estava lá, impecável, sentado no bar. Ele me olhou, e a frieza nos olhos dele era a sua armadura, o sinal para o meu desempenho. "Lembre-se, Sanem. Não hesite. Você vai me trair, e eu vou te salvar. Aja com nojo de mim." Eu me sentei ao lado dele no bar, pedindo uma água. O Yusuf chegou. Ele era alto, forte, com um terno barato e m*l ajustado, e os olhos dele eram puros veneno, fixos em mim. "Então você trouxe o seu chefe como escudo? Que patético, Sanem." Yusuf olhou para mim, com nojo. "Eu trouxe a prova de que sou leal a você, Yusuf. Efe Karaman é um t**o arrogante. Eu me virei para Efe, o beijei na bochecha, uma traição íntima que me rasgou por dentro. "Me perdoe, Efe. Eu te traí. Você não sabe com quem está lidando." Eu entreguei o celular com a senha para o Yusuf. Ele a digitou rapidamente, os olhos fixos na tela. O sorriso de vitória dele era total, a prova de que ele tinha vencido o banqueiro do Aziz Selim. No momento em que Yusuf digitou a senha, o celular de Efe que estava na minha mão piscou uma mensagem de alerta. O celular de Efe acionou uma contagem regressiva de cinco minutos no seu server secundário. "Você me deu a senha do Efe! Você é a nossa! Agora, morra!" Yusuf se levantou, sorrindo, a mão enfiada no paletó, buscando uma arma. Efe, com a calma de um gênio, sorriu para mim. "Ele não vai te m***r, Sanem. Ele vai ser preso. Você me deu a chance. A senha que você deu é a senha para o server que está enviando o Manifesto para a Polícia de Nova Iorque e para a Interpol. O Yusuf acabou de se incriminar."
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