O bar do hotel The Carlyle ficou quieto de repente. O sorriso de vitória no rosto de Yusuf mostrava que eu tinha traído alguém, mas o que mais me assustava era a cara de Efe Karaman. Eu tinha feito o que a Máfia queria: dei a senha para eles. Mas o medo misturado com o desejo proibido por Efe me deixava envergonhada. Eu me sentia traída duas vezes, e isso me paralisava. A única coisa que eu podia fazer era seguir o plano dele, mesmo que isso significasse que ele me condenou.
"Você me deu a senha do Efe! Você é nossa! Agora, morra!" Yusuf disse, com a mão no casaco, olhando fixo para mim. Era claro que ele queria me m***r.
Eu não tive tempo para reagir. Efe Karaman foi mais rápido, como um animal caçando. Ele me puxou para um beijo. Não era um beijo de amor; era um beijo de vingança e controle. Frio, possessivo e bem na frente de todo mundo. Ele usou os lábios para me calar e me marcar como se eu fosse dele, mesmo depois de eu tê-lo traído.
"Você não me traiu, Sanem. Você me salvou." Ele sussurrou perto da minha boca, com a voz rouca e urgente, o ar quente. "A senha que você deu para ele liga o Alerta de Traição para a polícia. Cinco minutos. Eu te amo, e é por isso que você vai me salvar."
"Ele não vai te m***r, Sanem. Ele vai ser preso. Você me deu a chance. O Manifesto está sendo mandado para a Polícia de Nova York. Você é a minha heroína."
O sorriso de Yusuf sumiu. Ele olhou para o celular, onde uma contagem de cinco minutos piscava em vermelho, como um aviso de que sua liberdade ia acabar. O som das sirenes da polícia começou a soar, crescendo rápido na rua 57th Street.
"O que você fez, Karaman?! Você chamou a polícia! Você me entregou!"
"Eu te dei a chance de se entregar sozinho." Efe disse, calmo como se estivesse jogando xadrez. "A senha que Sanem te deu era o Alerta de Traição. Você tem cinco minutos para fugir, Yusuf, mas não vai dar certo. Você perdeu, e eu ganhei."
Yusuf ficou louco, a raiva crescendo dentro dele. Ele viu que perdeu o jogo, o Manifesto e o tempo. Ele foi traído por mim e humilhado por Efe.
"Você me traiu, Sanem! Você vai pagar com a vida! Eu vou levar sua cabeça para Istambul!"
Eu olhei para Yusuf, e a raiva me deu forças para gritar. "Eu não sou leal a criminosos, Yusuf. Eu sou leal ao meu filho. Você perdeu! Eu sou a traidora que te enganou!"
Yusuf, desesperado e ouvindo as sirenes da polícia, pegou a arma. O bar virou um caos.
"Se eu não puder ter o Manifesto, eu vou ter a sua morte!" Yusuf gritou, olhando para a porta, onde luzes vermelhas de emergência já piscavam na rua.
Ele atirou.
O barulho do tiro foi alto e c***l, um som seco que quebrou o silêncio do lugar chique. O corpo de Efe Karaman balançou, e ele caiu na mesa de centro, quebrando o vidro. O sangue escuro se espalhou rápido no terno dele, sujando o chão gelado do bar. O rosto dele ficou branco, mas os olhos castanhos estavam fixos em mim, cheios de raiva fria e uma ordem sem palavras. Eu vi o ferimento no ombro direito. A dor dele me atingiu como se fosse minha, mas ele estava me dando tempo para fugir e me salvar.
"Corra, Sanem. se salve, e salve o Leo." Efe tossiu, com sangue nos lábios. Ele m*l conseguia falar, mas era uma ordem, um adeus.
Yusuf, usando o tiro para criar confusão, me pegou pelo braço com força e me arrastou.
"Você vem comigo, Sanem! Eu perdi o Manifesto, mas vou levar a traidora para o Chefe! Você é minha refém agora!"
Fui levada para a noite fria de Manhattan, com o cheiro de pólvora e o sangue de Efe na minha mão, o beijo ainda quente nos meus lábios. Eu era a isca, a refém e a traidora. Olhei para trás e vi Efe cair no chão de mármore do bar luxuoso, o corpo parado.
(Monólogo Interno de Sanem)
{ "Ele levou um tiro por minha causa. O beijo de vingança foi nossa despedida, a última prova de que ele me queria. Mas eu sou mais do que ele acha. Eu tenho o Manifesto original no meu servidor seguro. Eu não o traí de todo, eu o salvei, mesmo sendo levada embora. Eu preciso salvar o Leo. O desejo de que Efe viva é uma dor forte que vou carregar para Istambul. Ele não pode morrer. Eu preciso que ele me salve." }
Yusuf me jogou no banco de trás de um carro preto, que correu para o Aeroporto JFK.
"Para onde estamos indo?" Perguntei, com a voz tremendo, com medo, mas minha mente já planejava o próximo passo.
"Para o aeroporto. Você vai se encontrar com Aziz Selim na Europa. E ele vai te fazer pagar com a vida." O ódio nos olhos de Yusuf era claro.
Eu tinha que usar minha única vantagem para sobreviver a Yusuf e Aziz Selim.
"Yusuf, você falhou, mas eu não." Eu olhei para ele, trocando o medo por determinação. "Eu não dei a senha do meu servidor pessoal. A cópia original do Manifesto está comigo, não com Efe. Eu tenho o poder. Se você me m***r agora, Aziz Selim perde a prova dele contra Efe. Eu sou o último recurso de vocês, e a sua chance de viver."
Yusuf parou para pensar. Ele sabia que sua vida dependia de eu ser útil para o Chefe. Eu pedi o celular seguro para falar com Aziz Selim.
"Ligue para ele. Agora. Diga que eu tenho o Manifesto."
Aziz Selim atendeu a ligação de Yusuf. "Você me traiu, secretária. E atirou no meu sócio? Você está morta." A voz dele era fria, como gelo.
"Não, Sr. Selim. Eu falhei em roubar Efe, mas salvei nossa única chance. Eu tenho a cópia original do Manifesto no meu servidor pessoal. Efe não sabe. Eu sou a sua única forma de destruir Efe Karaman. Eu vou entregar para você pessoalmente. Eu sou a sua traidora leal."
"Onde?"
"Em Istambul. Eu vou te encontrar no Bósforo. Em 24 horas. É um lugar público, seguro para mim, mas bom para a sua vitória."
"Você é ousada." Aziz Selim riu, um som seco e mau. "Eu aceito. Você tem 24 horas. Se falhar, seu filho morre em Nova York. E dessa vez, eu mando o vídeo."
Eu fechei os olhos por um momento, sentindo o peso da ameaça. O carro corria pelas ruas escuras, e o aeroporto se aproximava. Yusuf dirigia em silêncio, mas eu sabia que ele me vigiava. Meu coração batia forte, pensando no Leo, no Efe ferido e no Manifesto que eu guardava como um segredo mortal. Eu era uma agente dupla, jogando dos dois lados, mas agora o risco era maior. Se Aziz descobrisse que eu ainda era leal a Efe, tudo acabaria. Eu precisava chegar a Istambul viva e entregar o que prometi, mas com um plano para virar o jogo. O ar no carro estava pesado, cheirando a suor e medo. Yusuf ligou o rádio, mas as notícias sobre um tiroteio em um bar chique me fizeram gelar. Eles falavam de Efe Karaman, dizendo que ele foi levado para o hospital. Ele estava vivo? Eu esperava que sim. Meu filho dependia disso, e eu também. A viagem para o aeroporto parecia eterna, cada minuto uma contagem para o meu destino em Istambul.
Eu precisava avisar David Kaan, o ajudante de Efe, sobre Istambul. A Máfia achava que me controlava, mas eu ainda jogava pelo lado de Efe.
Eu usei meu celular pessoal, escondido no sapato, e liguei para o número seguro de David Kaan.
"David! Yusuf me pegou! Eles me levam para Istambul! Para o Bósforo!"
David respondeu com voz de pânico e raiva. "Sanem! Efe... ele está muito m*l! A bala pegou no ombro, ele perdeu muito sangue! Está em cirurgia no Mount Sinai! Mas ele vai sobreviver, Sanem! Ele tem que sobreviver!"
"Ele vai sobreviver?" Perguntei, com lágrimas quentes no rosto.
"Ele vai sobreviver. Mas ele deu uma última ordem antes da anestesia: Não confie em ninguém. O Manifesto que você copiou, o original, é nossa única chance. Yusuf tem que achar que você está com a Máfia. Vá para Istambul e lute. É a sua chance."
Eu desliguei. Eu ia para o perigo, para encontrar o chefe da Máfia, e a única pessoa que me ligava à vida estava na cirurgia. Eu não podia confiar em David Kaan. Não podia confiar em Yusuf. Só na minha própria traição.
Enquanto o carro entrava no aeroporto, o celular seguro de Yusuf tocou, vibrando na mão dele. Yusuf olhou para mim, nervoso. Eu peguei o celular por instinto. Era uma mensagem de voz.
Era a voz de Efe Karaman. Rouca, fraca, mas forte, como alguém lutando para respirar.
"Sanem. Você está indo para Istambul. Bom. Você não me traiu, você me deu a chance de pegá-los. O Manifesto é nosso seguro, e você é minha vingança.
Você vai me vingar. Lembre-se, Sanem: eu te amo, e é por isso que te usei. Eu só te amo quando você é minha, e você é minha, não importa quem te leve. Não morra antes de mim. Eu vou te encontrar no Bósforo, e eu vou te salvar."
Eu olhei para Yusuf, que não entendeu a voz rouca . A dúvida ficou: Efe está vivo e me vigiando, mesmo na cirurgia, ou David mentiu sobre o hospital, e essa é a mensagem final dele, me forçando a vingar e me prendendo ao amor dele?