Muitos meses haviam se passado desde que Sebastian entrara pela primeira vez naquela pequena floricultura. O que começara como uma forma de escapar acabara sendo sua salvação. Encontravam-se três vezes por semana em meio ao aroma de eucalipto e às pétalas espalhadas pelo chão. Nessas conversas, Sebastian percebeu que Mia possuía um talento que ninguém mais no seu escritório tinha: ela sabia ouvir sem julgar. Naquela tarde, Sebastian sentou-se no seu banquinho de sempre. Sentia-se muito cansado, com um peso na alma que não o deixava descansar. Contara a ela sobre Victoria, sobre como ela se recusava a deixá-lo ir. — Às vezes me olho no espelho e não sei quem sou, Mia. Confessou, olhando para as mãos, que ostentavam as marcas das unhas. — Me tornei uma figura odiada. Sou o advogado implacá

