Elizabeth saiu do consultório médico com uma determinação fria. Sebastián, agindo com uma normalidade ensaiada, anunciou que ia tomar um banho rápido para se livrar do estresse do dia. Deixou o celular no criado-mudo ao lado da cama, um gesto que costumava ser comum, mas que hoje lhe pareceu uma armadilha. No instante em que o som da água corrente no banheiro principal chegou aos seus ouvidos, o telefone vibrou com insistência agressiva. Elizabeth aproximou-se lentamente. O seu coração batia tão forte que lhe doía a garganta. Ela nunca fora uma mulher desconfiada. Nunca havia revistado as roupas ou o celular do marido. Nunca o visitara no tribunal nem o cheirara no escritório, mas sentia-se inquieta. Ao pegar o aparelho para atender o que parecia ser uma ligação urgente, deparou-se com um

