O relógio do celular marcava 19h08 quando Hariel girou a chave no portão de casa. O corpo inteiro parecia pesar mais do que a mochila nas costas: a tarde tinha sido uma maratona de relatórios, revisão de posts e uma reunião interminável que poderia ter sido um e-mail. Mas bastou atravessar a porta da sala e sentir o cheiro de comida no ar, arroz, alho refogado, e aquele fundo doce de suco de laranja fresco, para o cansaço se embaralhar com outra sensação: preocupação. — Liz? — chamou, largando a mochila no canto. Não houve resposta imediata, só o barulho distante de um copo sendo colocado na pia. Ele foi até o quarto e a encontrou deitada, o cabelo preso num coque bagunçado, olhos semicerrados, o cobertor até a cintura. — Ei... — se aproximou devagar, sentando na beira do colchão. — T

