Capítulo 27 — Malu narrando Deitada na cama, só de calcinha e sutiã, eu ficava olhando o teto como se ele fosse um interrogatório mudo. A luz do quarto estava fraca, as cortinas semiabertas deixavam entrar uma faixa de claridade que cortava o quarto em dois — metade iluminada, metade escura, como se minha cabeça tivesse sido dividida também. Eu pensei na noite passada, nos erros, nas escolhas que iam me puxando para baixo como lama. Eu me envolvi de novo com o Rd. E aquela constatação queimava mais que qualquer coisa. A porta rangeu e minha respiração apertou. — Ei — ouvi a voz, curta. Olhei para a direção e vi Fernanda emoldurada na soleira. A irritação subiu antes mesmo da saudade ou do medo. — Não sabe bater na porta, não? — soltei, num tom que tentava parecer mais forte do que eu me

