Capítulo 4

1639 Words
-Ah não, você de novo. O que quer agora, Zack? -Perguntei. -Por que ainda está aqui fora? A aula já começou. -O que que é, hein? -O encarei. -Depois de todo esse tempo enfim decidiu ser legal comigo? -Eu só estava tentando ser seu amigo. Sorri de um jeito irônico. -Acha mesmo que depois de tudo que você me fez passar, eu vou ser sua amiga? Não é porque eu te protegi do que aconteceu, que eu passei a gostar de você. Eu cansei disso tudo. E não venha falar comigo como se eu tivesse te perdoado, eu continuo te odiando e nada vai mudar isso. Ele negou com um sorriso nos lábios. -Tenho que dizer que estou realmente impressionado com essa mudança de personalidade sua. -Se aproximou mais da mesa em que estou. -E me vejo obrigado a dizer que eu compartilho do mesmo sentimento que você. E já que ambos estamos conscientes de que nos odiamos em consenso, o que acha de me contar mais alguma confissão que eu não saiba? -Muito bem. -Me apoiei na mesa. -Eu te acho um completo b****a, i****a e o principal, um corno assumido. -Sorri. Essa última palavra o fez sorrir levemente. -E o que te leva a pensar que sou eu corno? -Vamos ver, -Fingi estar pensando. -talvez seja pelo simples fato de eu ver quase que diariamente a Clair com outros caras mesmo quando vocês dois estão supostamente juntos. -Bom, isso não é um problema, na verdade. Até porque nós não estamos juntos oficialmente. Nós apenas... -Pareceu estar tentando encontrar as palavras certas. -aproveitamos a maravilhosa presença corporal um do outro. Eca. -Então nós dois podemos ficar com quem quiser. -Ele se aproximou mais um pouco e se sentou de frente para mim. -Só que como eu sou completamente irresistível, ela sempre acaba voltando pra mim. Arqueei uma sobrancelha e me recusei a dizer alguma coisa. -E você? Já ficou com alguém? Permaneci em silêncio. Ele não tem que saber de nada que tenha a ver comigo. -Ou ainda é virgem? Ao perceber que eu não ia o responder, ele sorriu e deitou a cabeça na mesa por um segundo. -Eu não sei por que é que eu ainda pergunto. Mas olha, não precisa se preocupar, eu posso te ajudar quanto a isso. Se quiser, é claro. Garanto que sou um bom professor. -Piscou um olho pra mim. -Prefiro beijar o pé grande à beijar você. -Respondi. -Vai me dizer então que você resiste a mim? -Se inclinou sobre a mesa e se aproximou o suficiente para ficar bem próximo de meu ouvido. -Então se eu simplesmente decidisse te beijar aqui e agora, você não retribuiria? -Sorriu e quase tive vontade de bater em mim mesma por ter me arrepiado. Corpo i****a. -Acho que não preciso fazer mais nada para provar que você também é caidinha por mim. Ele voltou para o seu lugar e deu seu típico sorriso de convencimento. -Está ficando vermelha, quatro olhos. -Riu. -Juro que quando eu via nos livros a autora descrevendo o quanto a personagem ficava vermelha, achava que era exagero. Mas olha só você agora. Ao perceber o que ele acabou de dizer, não consegui esconder o sorriso de vitória em meu rosto. Essa informação vai me ser útil futuramente, tenho quase certeza disso. -Eu não quis dizer que eu leio. -Tentou consertar. -Eu quis dizer que já vi isso em algum vídeo do i********:. -Nem tente consertar. -Sorri mais. -Poupe a mim e a si mesmo de desculpas. Ele ficou em silêncio e pude notar seu maxilar sendo travado. -Ninguém vai acreditar em você. -Falou um tempo depois. -Vai em frente, pode espalhar. Neguei e dessa vez foi eu quem me inclinei um pouco sobre a mesa. -Não, ainda não. Mas eu posso pensar em fazer isso quando você me perturbar mais uma vez. Ele negou com um sorriso no canto dos lábios. -Você não... Sua fala foi cortada quando a voz de Clair ecoou aqui dentro do refeitório. -O que pensa que está fazendo sentado com essa daí? Zack se levantou e se virou na direção dela. -Eu só... eu... -Pigarreou. -eu estava passando por aqui e vi que ela estava sozinha, então vim pedir para ela fazer alguns deveres meus que estão atrasados. Eu sei que isso é apenas uma desculpa para ela não ficar estressada, mas escutar ele falando assim de mim... como se eu servisse apenas para fazer trabalhos alheios... me machucou um pouco. Mas o que eu estava esperando vindo dele? -Entendi. -Ela se aproximou dele. -Agora venha, vamos voltar para a sala. Essa daí não merece a sua presença. Desviei meu olhar deles e respirei fundo. Patético. -Sim, é claro. Levantei um pouco o olhar e pude ver Zack olhando para mim antes de sair andando ao lado de Clair. Ele sorriu levemente e saiu. No que é que eu estou me metendo? (...) Após passarem algumas horas de aula, o sinal finalmente tocou e todos saíram da sala. Parei na porta assim que me lembrei de que estou de detenção. -Você não vem? -Perguntou Jake. -Bem que eu queria, mas... -Ah, é mesmo. Tinha me esquecido que você vai ter que ficar aqui por causa de uma mentira sua. -Tá, eu sei que mereço isso. Só que agora não tem mais como eu voltar atrás. -Dei de ombros. -Já contou pro seu pai que vai demorar pra chegar em casa? -Neguei. -Eu passo lá. Mas por favor, não faça nenhuma bobagem. Ele não merece a sua bondade. Sorri para ele e em seguida ele saiu da sala. -Olha, vou te falar uma coisa. -Zack entrou e foi em direção à mesa da professora. Em seguida se sentou e colocou seus pés em cima da mesa. -Aquele seu amigo é realmente insuportável. Como você aguenta tanta melação? -Talvez você não goste dele por não saber a sensação de como é ter alguém ao seu lado de verdade. Vi um sorriso se formando em seus lábios. -Pegou pesado, quatro olhos. -Disse enquanto se levantava da mesa da professora. -Já que você já ficou várias vezes de detenção e eu não faço ideia de como funciona, -Ignorei sua última frase. -o que temos que ficar fazendo? -No geral fica eu e meus amigos, então ficamos aqui até algum professor resolver aparecer. Se isso não acontecer, nós simplesmente... bagunçamos. -Sorriu e se sentou em uma das cadeiras da frente. Fui até ele. -E esses seus "amigos" -Fiz aspas com o dedo. -onde estão? -Acredite se quiser mas eles não fizeram nada digno de detenção, ainda. Respirei fundo e me sentei em uma cadeira à sua frente. -Então temos que esperar? -Perguntei e abri minha mochila. -A ideia é essa. Senti seu olhar sobre mim enquanto pegava meu caderno e um lápis. -O que está fazendo? Olhei em sua direção e fiz um gesto de tipo "é sério que está me perguntando isso?" -Você vai estudar, quatro olhos? -Riu. -Em que mundo você vive? -No mundo onde eu vivo, para conseguir conquistar o que quero, depende de mim. -Abri o caderno e em seguida peguei o livro na mochila. -E o que exatamente você quer conseguir? -Acho que ainda é cedo demais para conversarmos sobre isso. -Sorri sem mostrar os dentes e coloquei na matéria de matemática. -O que acha de aprender um pouco sobre álgebra? -Argh, não mesmo. -Se encostou. -Vou ficar aqui até dar o horário e depois vou me mandar. -Ok. -Falei simplesmente. (...) -Então se passarmos o expoente para cá, obteremos o resultado 195. -Anotei no caderno e ele continuava prestando atenção. Após aquele fala sua, comecei a fazer alguns exercícios e de pouco em pouco percebi que Zack estava observando o que eu estava fazendo. Assim que não entendeu o que eu havia feito, ele simplesmente me perguntou o por que daquela resposta. Fiquei bem surpresa diante de sua pergunta, mas me senti feliz também por ver que ele quer pelo menos tentar aprender. -Espera aí, então é tão fácil assim? Como nunca aprendi isso antes? -Quer mesmo que eu te fale o motivo? -Não, tudo bem. -Sorriu. -Mas e se aqui no lugar do 17 fosse 45? -Aí daria um resultado maior. Você faria do mesmo jeito, só substituiria o valor. Zack coçou a cabeça e ficou um tempo olhando para o caderno. -O resultado seria 2025? -Sim, isso mesmo. -Por que é que o professor nunca explicou dessa forma? Ficaria bem mais fácil de entender. Dei de ombros e me senti vitoriosa por conseguir faze-lo entender pelo menos um pouco da matéria. -Alguém já te falou o quanto seus olhos são lindos? -Perguntou do nada. -Porque eles são. Eu nunca havia percebido. Talvez seja por conta dos óculos, sei lá. -Ahn... -Desviei meu olhar do seu. O rumo da conversa mudou tão rápido. E o que é que deu nele!? -Acho que já podemos ir embora. -Falei assim que olhei para o relógio na parede. Peguei meus materiais e comecei a guarda-los novamente. -Não sabe receber elogios, não é? -Escutei sua risada e o ignorei. -Seus olhos são lindos. -Cala a boca. -Me levantei e coloquei a mochila nas costas. -Não tem que me tratar igual você trata as suas admiradoras. -Ai. -Falou. -Eu só estava tentando ser gentil. -Não, você estava tentando ver como eu reagiria diante de seu "elogio". -Um pouquinho disso também. E você não se saiu como eu esperava. -Eu não estou e nem vou estar afim de você, Zack. Entenda isso. -Caminhei até a porta. -É o que veremos. Saí e não olhei para trás. Não quero mais ter que ver o rosto desse garoto tão cedo. Assim que cheguei em casa, encontrei Alysson sentada no sofá. Quando notou minha presença, se levantou e veio até mim. -O que é que você estava fazendo com o Zack?
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