Rafael se sentia desmoronar à medida que a noite caía, envolvendo-o em uma escuridão impenetrável. O quarto, uma suíte luxuosa no hospital, estava imerso em um silêncio que parecia quase opressivo. Os únicos sons que preenchiam o ambiente eram os apitos regulares dos monitores que acompanhavam seus sinais vitais e o murmúrio distante da televisão ligada em um canal de notícias, a presença constante de um mundo que ele não podia ver. Ele se sentia preso em um abismo de solidão que o consumia lentamente. “Por que eu voltei para pegar aquela maldita pasta?” pensou, amaldiçoando-se por sua imprudência. A pasta, agora perdida em meio ao caos que se instaurara em sua vida, era uma lembrança amarga de sua imprudência. Ele se lembrava da pressa, do descuido, do jeito como a assistente havia trope

