Rafael estava sentado na sala, os pensamentos girando em torno do que poderia dizer para impedir Clara de sair. Ele sabia que algo estava muito errado. Desde o momento em que ela havia saído da cozinha, o silêncio na casa parecia carregar um peso enorme, como se o ar estivesse denso demais para respirar. Ele aguardava, os sentidos em alerta, cada pequeno som amplificado pela escuridão em que vivia. Não demorou muito até que ele escutasse o som de Clara arrastando a mala pela sala. O barulho era inconfundível — o zíper da mala roçando no tecido, o rodar das pequenas rodinhas no chão de madeira. Cada passo dela era como um golpe, e Rafael sentiu seu corpo enrijecer de raiva e frustração. Como ela podia pensar em sair depois de tudo? Como ela podia sequer imaginar que ele a deixaria ir? Co

