Rafael se dedicava aos exercícios com uma intensidade quase feroz, algo que João percebeu de imediato. A mudança no comportamento de Rafael era palpável. Aquele homem que, há pouco tempo, se afundava em autopiedade, agora exalava uma energia diferente — uma que claramente demonstrava que ele não devia ser provocado. Cada movimento que ele fazia nos aparelhos de musculação era preciso, concentrado. Rafael podia estar cego, mas sua determinação havia voltado com força total. João, que observava a sessão de exercícios, sentiu uma ponta de frustração misturada com um toque de admiração. Ele sabia que essa nova postura significava que a recuperação de Rafael seria mais rápida do que o previsto. E isso, para ele, era um problema. João gostava da ideia de voltar frequentemente àquela casa, e não

