Depois de alguns minutos de calmaria, Rafael, como quem não queria nada, falou: “Clara...” Ele fez uma pausa, levando a xícara aos lábios antes de continuar. “Ontem, enquanto trabalhava, algo me veio à cabeça, e me dei conta de que nunca te perguntei diretamente.” Clara parou de cortar o pedaço de pão que segurava e levantou os olhos. A calma da manhã deu lugar a um leve incômodo. Ela conhecia o tom casual demais de Rafael. Sempre significava que algo sério estava por vir. O estômago dela revirou, e uma pontada de ansiedade percorreu sua espinha. “Sobre o que você está falando?” perguntou, tentando manter a voz neutra, embora o aperto no peito denunciasse seu nervosismo. Rafael repousou a xícara sobre o pires, cruzando os braços enquanto a encarava com aquele olhar penetrante que parec

