Na portaria do luxuoso edifício onde Rafael morava, o porteiro, um homem de meia-idade com um semblante gentil, estava ao telefone organizando um táxi para Clara. Ela se apoiava no balcão, tentando manter a compostura, mas seu coração pulsava de ansiedade. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto ela observava as luzes da cidade piscando do lado de fora, em contraste com o peso de seus pensamentos sombrios. Quando o táxi finalmente chegou, Clara respirou fundo e se virou para o motorista. "Para o endereço que foi enviado pelo Douglas, por favor," disse ela, sua voz mais firme do que se sentia por dentro. Mesmo sabendo que era inocente e que nunca havia roubado nada em toda a sua vida, nem mesmo quando passou fome, a sensação de angústia a envolvia como um manto pesado. As palavras fri

