Rafael Di Angelo estava sentado no sofá da sala, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas sob o queixo. O relógio na parede marcava quase meia-noite, mas ele não tinha pressa em se recolher. A casa estava em silêncio, exceto pelo som suave da respiração de Clara, que dormia no quarto ao lado. Nos últimos dias, ele havia se tornado um observador constante das noites tranquilas dela, algo que ele jamais pensou que faria. Seu peito subia e descia em um ritmo inquieto, enquanto seus olhos, que sempre exalavam frieza e controle, agora carregavam algo mais profundo: um misto de vulnerabilidade e medo. Medo de um sentimento que ele não podia mais ignorar. Ele amava Clara. Amava como nunca pensou ser capaz de amar alguém. A cada sorriso dela, cada pequeno gesto de carinho, ele se

