O amanhecer riscou de cinza o céu de São Paulo. O relógio marcava cinco e vinte da manhã quando Mateo Bianchi se levantou. A claridade ainda não havia vencido a penumbra do apartamento, mas ele não esperou pelo sol. Dormir era inútil. O corpo estava em movimento automático, guiado por uma força interna que não reconhecia cansaço, apenas propósito. A imagem da ultrassonografia estava ali, sobre a mesa. Papel simples, mas de impacto devastador. Mateo a observou em silêncio, os olhos fixos na silhueta tênue e preciosa do bebê que crescia dentro de Alice. Tocou a borda da imagem com a ponta dos dedos, como se pudesse alcançar o que lhe fora temporariamente negado. Sentou-se no sofá com o papel entre as mãos. Passou os dedos pelas linhas do bebê impresso, tentando imaginar o tom da pele, o fo

