Lara
Nos aproximamos do prédio principal.
Era uma fachada discreta, elegante demais para chamar atenção.
Mas eu sabia que dentro dela estava o coração do perigo.
O Consórcio nunca falha em criar uma armadilha para os que se acham espertos demais.
E nós estávamos prestes a provar isso.
Dante tirou do bolso um dispositivo que parecia simples, mas sabia que ele podia abrir qualquer porta eletrônica que tentasse nos impedir.
— Vamos, princesa — disse ele, sorrindo apenas de lado.
— Você consegue entrar sem ser vista?
Eu engoli seco.
— Eu consigo — respondi. — Preciso de foco.
Dante assentiu, mas não se afastou.
Ele precisava estar perto, e eu precisava sentir que ele estava.
O mundo lá fora não podia me tocar, mas ele sim.
Respirei fundo, e entrei.
O ar dentro do prédio tinha cheiro de metal, computadores e café velho o tipo de cheiro que você sente antes de descobrir algo que vai mudar sua vida.
Cada corredor era silencioso demais.
Cada sombra parecia se mover com vida própria.
Meu coração disparou, mas meu corpo continuou firme.
Cada passo era calculado, cada respiração controlada.
Finalmente, chegamos a uma sala isolada.
Eu observei computadores, arquivos, telas com códigos que eu não entendia completamente mas sabia que cada bit de informação ali era vital.
Dante me aproximou de uma mesa.
— Lara — disse baixinho
— você consegue extrair alguma pista da rede deles?
Eu olhei para os códigos.
Não entendia tudo.
Mas reconheci padrões.
Associações de nomes, transações suspeitas, horários de viagens, pequenas falhas que eles cometem quando acreditam estar seguros.
— Aqui! — sussurrei, apontando para a tela.
— Vejo um padrão de movimentação de Rafael.
Ele está planejando algo grande. Algo que envolve mais do que o torneio.
Dante olhou para mim com aquela mistura de orgulho e perigo que sempre me deixa sem fôlego.
— Bom trabalho, princesa. — Ele passou a mão pelos meus cabelos levemente.
— Vamos pegar isso e usar contra eles.
Meu corpo respondeu antes do cérebro.
O toque dele me deixou inquieta, ardente, alerta.
Mas eu não podia perder o foco.
Não podia deixar que o desejo me traísse agora.
Pegamos as informações e saímos do prédio tão silenciosos quanto entramos.
Mas ao chegar do lado de fora, percebi algo: sombras se movendo.
Alguém nos observava.
— Dante… — murmurei, apontando.
— Eles sabem que estivemos lá.
Ele franziu o cenho, puxando meu corpo para trás.
— Rápido. Cada passo agora conta. Não podemos ser pegos.
O perigo se aproximava.
O Consórcio estava em alerta.
E, naquele momento, eu percebi algo, cada decisão nossa era um jogo de pôquer.
Cada passo podia significar vitória ou queda.
Mas eu tinha Dante.
E, pela primeira vez na vida, não estava sozinha.
Não importava quão escuro fosse o jogo, quão poderoso fosse o inimigo.
Enquanto estivéssemos juntos, éramos imparáveis.
*******
Dante
O vento frio da noite batia em meu rosto quando empurrei Lara para trás de um carro estacionado.
Os passos apressados ecoavam na rua estreita, misturados a risadas curtas e frias.
Não era só Rafael.
Não era só o tio dela.
Era todo o Consórcio em alerta.
— Lara, atrás de mim! — gritei, firme.
Ela não hesitou.
Seguiu cada movimento, cada instinto meu.
Porque me conhece.
E porque confiava.
Do outro lado da rua, sombras se aproximavam.
Eu contei rapidamente: três homens com armas, um veículo pronto para bloquear nossa saída, e câmeras que nos rastreavam.
Não havia escolha. Só ação.
Puxei Lara comigo.
— Não olhe para trás — ordenei.
Ela respirou fundo, correndo ao meu lado, passo a passo.
Seus olhos brilhavam com adrenalina, com medo e com fogo.
Entramos em um beco lateral.
Eu senti cada músculo do meu corpo pronto para reagir.
Não íamos apenas escapar — íamos lutar se necessário.
— Dante… — sussurrou ela, quase sem fôlego. — Eles vão nos pegar!
— Não vão — respondi, mantendo a voz firme. — Eu não deixo. Nunca.
Um dos homens tentou nos interceptar.
Eu avancei primeiro.
Peguei o braço dele, torci e empurrei contra a parede.
O som do impacto ecoou, mas não houve tempo para pensar.
Outro se aproximava.
Minha mão fechou um punho, mas antes de qualquer golpe.
Lara soltou um grito, distraindo o inimigo.
— Bom reflexo — murmurei, passando por ela e abrindo caminho.
Nosso objetivo era simples, sair da rua, entrar em um local seguro, e analisar rapidamente as informações que havíamos obtido.
Mas o Consórcio não facilita.
Eles queriam nos testar, nos provocar.
Eles queriam medo.
Mas eu não tenho medo.
Não deixo que sintam que Lara é vulnerável.
Nos escondemos atrás de um portão de ferro, sem nenhuma saída visível.
Respirando rápido, meus olhos varreram a área.
— Precisamos de cobertura — disse, franzindo o cenho.
— E de um plano para voltar a agir — completou Lara, firme, mesmo ofegante.
Olhei para ela.
A tensão no corpo dela. A determinação nos olhos dela.
O fogo sóque só aumenta quando se sabe que a vida dela está em jogo.
— Você está comigo — disse, quase sussurrando, aproximando a testa dela.
— E eu nunca vou deixar ninguém tocar em você.
Ela respirou fundo, segurando meu olhar.
— Eu sei — respondeu, firme.
— Mas não é só sobre mim. É sobre eles.
— Exato — assenti. — E vamos derrubar cada um.
Em um movimento rápido, empurrei o portão para abrir passagem e saquei meu celular.
Chamei Matteo, que nos guiou pelo caminho seguro até um antigo armazém abandonado.
Lara me seguiu de perto, corpo colado ao meu sem perceber, mesmo que fosse apenas por instinto de sobrevivência.
Assim que entramos, travei a porta atrás de nós.
O silêncio caiu como uma manta pesada.
Eu respirei fundo e olhei para Lara.
Ela me encarou, olhos brilhando de tensão, adrenalina e algo mais , algo que eu senti pulsar entre nós desde aquele toque na sala de Adrien.
— Dante… — ela começou, hesitante.
— O que vamos fazer agora?
Segurei o rosto dela com firmeza.
Olhei em seus olhos, cada emoção refletida ali.
— Agora, princesa… — disse, voz baixa, rouca nós planejamos o próximo movimento.
— Rafael, seu tio, o Consórcio inteiro — continuei, passando o dedo pelo queixo dela eles vão perceber que subestimaram a gente.
Ela sorriu, mas não era um sorriso inocente.
Era o sorriso de quem aprendeu rápido, que perigo e prazer podem andar lado a lado, e que a confiança que temos um no outro é mais mortal que qualquer arma.
— Vamos virar o jogo — ela disse, voz firme.
— Juntos — completei, segurando sua mão.
E naquele instante, eu sabia que qualquer inimigo que ousasse tocar nela iria sentir a fúria de Dante Moretti e a força de Lara Cardoso.