CAPÍTULO 37

650 Words
Dante A fábrica estava mergulhada em sombras que pareciam vivas. Cada ruído metálico ecoava como uma sentença. Eu estava alerta, cada músculo tenso, cada sentido ampliado. Lara estava ao meu lado, firme, respirando rápido, mas sem hesitar. A visão dela me dava força e, ao mesmo tempo, me tornava vulnerável. Vulnerável porque eu não podia falhar quando ela estava ali, arriscando cada segundo comigo. — Lara, fica atrás de mim — murmurei, baixinho, segurando minha arma e controlando a respiração. Ela assentiu, olhos brilhando de determinação. — Estou pronta, Dante. Avançamos pelo corredor, passos silenciosos. As sombras dançavam nas paredes. E então os vimos, dois homens armados, bloqueando a porta que dava acesso ao escritório principal do tio dela. — Temos companhia — sussurrei, ajustando a mira. — Eles não vão nos parar — respondeu Lara, apertando minha mão como se dissesse: Eu estou com você. Avancei primeiro, rápido. O primeiro caiu antes mesmo de reagir, incapacitado por um golpe preciso. O segundo disparou, mas Lara estava pronta. Ela desviou, saltando para o lado, a adrenalina queimando cada movimento. — Bom reflexo! — murmurei, e ela sorriu, apenas por um instante, antes de seguir adiante. Entramos no escritório principal. O tio dela estava lá. Sentado atrás de uma grande mesa de mogno, olhos frios, calculistas. E havia alguém mais. Alguém que não esperávamos. — Dante — disse o homem misterioso, voz calma, mas carregada de ameaça. — Finalmente nos encontramos. Meus olhos estreitaram. Eu reconheci imediatamente: a carta que Lara encontrou o nome riscado. Ele estava ali. Vivo. É mais perigoso do que eu imaginava. — Então você é o famoso Dante Moretti — disse ele, levantando-se devagar. — Eu esperava mais tensão. Senti o sangue ferver. — Você matou pessoas. Mentiu. Manipulou. — Minha voz era firme, mas carregada de ódio. — E agora acha que pode me enfrentar aqui? — Não estou aqui para enfrentar — respondeu ele, sorriso frio. — Estou aqui para oferecer uma escolha. Lara deu um passo à frente, firme. — Escolha? Que escolha? — sua voz cortava o ar como lâmina. — A vida deles ou a sua — respondeu ele, apontando para documentos sobre a mesa. — O Consórcio quer que ela jogue sozinha. Que você saia. Meu olhar se cruzou com o de Lara. — Não existe “sozinha” — disse, voz baixa, rouca. — Nós dois jogamos. Sempre. Ela respirou fundo, tremendo de tensão, mas segurando meu olhar. — Dante… — sussurrou, apenas meu nome, e eu senti tudo. Raiva, desejo, necessidade de proteção. O inimigo deu um passo à frente. — Então escolhem a guerra. Eu avancei. Lara veio comigo. Em sincronia, como se fôssemos um só corpo, uma só mente. O primeiro disparo ecoou. Eu bloqueei com o corpo, Lara se atirou para o lado . O segundo tiro passou raspando. Respirei fundo, mantendo a calma, enquanto avançava em direção ao líder. — Dante! — ela gritou, mas não com medo com confiança. E aquilo me deu força. Cheguei até ele. O combate corpo a corpo foi rápido, brutal. Ele tentou me empurrar, me golpear, mas cada movimento meu era calculado. Cada golpe, cada defesa, era para mantê-la segura. Ela entrou ao meu lado, rápida, forte. O inimigo tropeçou com nossa investida conjunta, e conseguiu ser imobilizá-lo no chão. — Nunca mais subestime Lara Cardoso — disse, respirando pesado, voz rouca. — E nunca mais subestime Dante Moretti. Lara ficou ao meu lado, corpo colado ao meu, mãos firmes segurando a dele. — Nós juntos — murmurou. — Sempre — respondi, sentindo a adrenalina misturar-se com desejo, intensidade e uma necessidade silenciosa de protegê-la para sempre. Ao nosso redor, a fábrica ainda era uma armadilha, o perigo ainda rondava. Mas, por alguns segundos, estávamos invencíveis. Juntos. E cada batida do coração, cada respiração compartilhada, era a promessa silenciosa de que ninguém ousaria tocar nela enquanto eu respirasse.
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