Lara
O som do vidro quebrando ainda ecoava na minha mente enquanto Dante me puxava para fora do quarto.
Meu coração batia tão rápido que eu m*l conseguia respirar.
O corredor estava escuro, iluminado apenas pela luz fraca das lâmpadas de emergência.
A mansão inteira parecia prender o ar junto comigo, como se soubesse que algo terrível estava prestes a acontecer.
A mão de Dante era firme, quente, quase dolorosa agarrando a minha. Mas eu não reclamava.
Eu queria aquela firmeza.
Eu precisava dela.
— Mantenha-se atrás de mim — ele repetiu, a voz baixa, tensa, cada palavra revestida de perigo.
Eu concordei com a cabeça, embora ele não tenha olhado para trás.
Dante tinha os olhos fixos no fim do corredor, a postura rígida, cada músculo preparado para atacar.
Ele parecia uma sombra prestes a se mover — silenciosa, letal.
Descemos dois degraus quando outro barulho ecoou do andar de baixo.
Um rangido. Pesado. Lento. Como se alguém estivesse caminhando na sala principal.
Meu estômago se revirou.
— Dante… — sussurrei, agarrando sua camisa sem pensar.
Ele não olhou para mim, mas sua mão deslizou para trás, tocando meus dedos por um segundo , um toque rápido, um lembrete silencioso de que ele estava ali, e não permitiria que nada me acontecesse.
Aquela pequena demonstração de cuidado, naquele momento de pura adrenalina, foi suficiente para me dar forças.
Seguimos pelo corredor até a escada. Dante levantou o braço e fez um sinal para eu parar.
Ele se aproximou do corrimão e olhou para baixo, analisando cada canto do hall de entrada.
A escuridão devorava quase tudo, exceto a luz azulada que vinha da cozinha.
— Está vendo alguém? — perguntei, tentando manter a voz firme.
— Não. Mas sei que tem alguém aqui. — Ele engoliu. — E essa pessoa conhece a casa. Entrou pelo lado mais vulnerável.
Outro arrepio percorreu minha coluna.
Ele começou a descer os degraus devagar, cada passo calculado, silencioso.
Eu o segui, colada atrás dele, como se qualquer centímetro de distância pudesse me arrancar da segurança.
Quando chegamos ao térreo, um estrondo seco ecoou na sala à direita.
Dante me empurrou suavemente para a parede.
— Não sai daqui — ele sussurrou. — Não importa o que aconteça.
Eu queria protestar. Queria dizer que não ia ficar esperando enquanto um estranho ou pior , rondava a casa.
Mas eu via o perigo estampado nos olhos dele. Era grave. Muito mais grave do que eu imaginava.
Por isso, apenas balancei a cabeça.
Dante se afastou, com a arma apontada e os passos tão silenciosos quanto um felino.
Eu o observava pelo canto da parede, o coração martelando tão alto que eu temia que o invasor pudesse ouvir.
Então…
Uma sombra passou rápido demais pela porta da sala. Rápida. Baixa. Como se estivesse correndo.
— Dante! — gritei, sem conseguir controlar.
Ele avançou imediatamente para dentro do cômodo — e foi aí que aconteceu.
Um impacto.
Um corpo colidindo com o dele.
Um grito abafado.
E o som de luta.
— NÃO! — eu me lancei para frente sem pensar, correndo até a entrada da sala.
A escuridão tornou tudo mais assustador.
Vi apenas formas se movendo, golpes, a respiração pesada de Dante e de um estranho.
A luta era brutal, intensa, rápida demais para meus olhos acompanharem.
— Dante! — gritei de novo, tentando chegar perto.
— LARA, PARA! — ele rugiu, e seu tom foi tão feroz, tão desesperado, que minhas pernas congelaram.
Mas o invasor ouviu minha voz.
E isso foi o que o fez tentar escapar.
Ele empurrou Dante contra a parede, derrubando um vaso no processo, e correu em direção à porta dos fundos.
Mas Dante era mais rápido.
Ele disparou atrás dele, ignorando qualquer dor.
Eu corri também, mas muito atrás — até ver o vulto atravessando a porta quebrada e sumindo no jardim.
Dante avançou alguns metros até a varanda, mas parou.
A escuridão lá fora era absoluta, e o invasor parecia já ter desaparecido.
Ele praguejou baixo, furioso, os ombros subindo e descendo com a respiração carregada.
Eu o alcancei, ofegante.
— Dante, você está ferido?
Ele olhou para mim — e eu perdi o ar.
A raiva dominava seus olhos.
Mas havia outra coisa… algo pior.
Medo.
Um medo puro, selvagem.
— Eu disse pra você ficar lá dentro — ele murmurou, a voz baixa, rouca, ainda cheia de adrenalina.
— Eu não ia ficar parada enquanto você lutava sozinho! — respondi, sentindo o peito inflar de indignação e pânico.
O que aconteceu a seguir foi rápido demais para eu me preparar.
Dante me segurou pelos ombros, com força , não o bastante para machucar, mas suficiente para me lembrar do que ele era.
— Não quero ouvir isso de você nunca mais — ele sussurrou, aproximando o rosto do meu.
— Você não se coloca em risco por mim. Nunca. Entendeu?
Meu coração bateu ainda mais rápido.
— Eu… eu não ia deixar você morrer — respondi, sincera, a voz fraca.
Os olhos dele queimaram.
E então algo que eu não esperava aconteceu.
Dante me puxou para perto — tão perto que o calor do corpo dele me envolveu — e encostou a testa na minha.
A respiração dele era irregular. A minha também.
— Você é a única coisa que eu não posso perder, Lara — ele disse, cada palavra carregando uma intensidade quase c***l.
— A única.
Meu peito se apertou.
Minhas pernas tremeram.
— Dante…
Mas eu não consegui terminar a frase.
Ele segurou meu rosto com as duas mãos, como se precisasse confirmar que eu estava inteira, viva, ali.
— Se algo tivesse acontecido com você… — Ele fechou os olhos como se isso o destruísse. — Eu mataria o mundo inteiro.
Aquilo me atingiu como uma onda quente e devastadora.
Antes que eu pudesse responder, passos apressados ecoaram atrás de nós. Seguranças, funcionários, todos despertos pelo caos.
Dante se afastou apenas o suficiente para reassumir o controle.
Mas não antes de roçar o polegar no canto da minha boca , um gesto tão íntimo que fez minha pele arrepiar.
— Vamos para dentro — ele disse.
— E a partir de agora… eu não desgrudo mais de você.
Eu não sabia se era uma promessa, uma ameaça ou as duas coisas.
Mas uma coisa era certa.
A partir daquela noite, nada entre nós — nem fora de nós , seria igual.