Capítulo 25

1070 Words
Lara O som do vidro quebrando ainda ecoava na minha mente enquanto Dante me puxava para fora do quarto. Meu coração batia tão rápido que eu m*l conseguia respirar. O corredor estava escuro, iluminado apenas pela luz fraca das lâmpadas de emergência. A mansão inteira parecia prender o ar junto comigo, como se soubesse que algo terrível estava prestes a acontecer. A mão de Dante era firme, quente, quase dolorosa agarrando a minha. Mas eu não reclamava. Eu queria aquela firmeza. Eu precisava dela. — Mantenha-se atrás de mim — ele repetiu, a voz baixa, tensa, cada palavra revestida de perigo. Eu concordei com a cabeça, embora ele não tenha olhado para trás. Dante tinha os olhos fixos no fim do corredor, a postura rígida, cada músculo preparado para atacar. Ele parecia uma sombra prestes a se mover — silenciosa, letal. Descemos dois degraus quando outro barulho ecoou do andar de baixo. Um rangido. Pesado. Lento. Como se alguém estivesse caminhando na sala principal. Meu estômago se revirou. — Dante… — sussurrei, agarrando sua camisa sem pensar. Ele não olhou para mim, mas sua mão deslizou para trás, tocando meus dedos por um segundo , um toque rápido, um lembrete silencioso de que ele estava ali, e não permitiria que nada me acontecesse. Aquela pequena demonstração de cuidado, naquele momento de pura adrenalina, foi suficiente para me dar forças. Seguimos pelo corredor até a escada. Dante levantou o braço e fez um sinal para eu parar. Ele se aproximou do corrimão e olhou para baixo, analisando cada canto do hall de entrada. A escuridão devorava quase tudo, exceto a luz azulada que vinha da cozinha. — Está vendo alguém? — perguntei, tentando manter a voz firme. — Não. Mas sei que tem alguém aqui. — Ele engoliu. — E essa pessoa conhece a casa. Entrou pelo lado mais vulnerável. Outro arrepio percorreu minha coluna. Ele começou a descer os degraus devagar, cada passo calculado, silencioso. Eu o segui, colada atrás dele, como se qualquer centímetro de distância pudesse me arrancar da segurança. Quando chegamos ao térreo, um estrondo seco ecoou na sala à direita. Dante me empurrou suavemente para a parede. — Não sai daqui — ele sussurrou. — Não importa o que aconteça. Eu queria protestar. Queria dizer que não ia ficar esperando enquanto um estranho ou pior , rondava a casa. Mas eu via o perigo estampado nos olhos dele. Era grave. Muito mais grave do que eu imaginava. Por isso, apenas balancei a cabeça. Dante se afastou, com a arma apontada e os passos tão silenciosos quanto um felino. Eu o observava pelo canto da parede, o coração martelando tão alto que eu temia que o invasor pudesse ouvir. Então… Uma sombra passou rápido demais pela porta da sala. Rápida. Baixa. Como se estivesse correndo. — Dante! — gritei, sem conseguir controlar. Ele avançou imediatamente para dentro do cômodo — e foi aí que aconteceu. Um impacto. Um corpo colidindo com o dele. Um grito abafado. E o som de luta. — NÃO! — eu me lancei para frente sem pensar, correndo até a entrada da sala. A escuridão tornou tudo mais assustador. Vi apenas formas se movendo, golpes, a respiração pesada de Dante e de um estranho. A luta era brutal, intensa, rápida demais para meus olhos acompanharem. — Dante! — gritei de novo, tentando chegar perto. — LARA, PARA! — ele rugiu, e seu tom foi tão feroz, tão desesperado, que minhas pernas congelaram. Mas o invasor ouviu minha voz. E isso foi o que o fez tentar escapar. Ele empurrou Dante contra a parede, derrubando um vaso no processo, e correu em direção à porta dos fundos. Mas Dante era mais rápido. Ele disparou atrás dele, ignorando qualquer dor. Eu corri também, mas muito atrás — até ver o vulto atravessando a porta quebrada e sumindo no jardim. Dante avançou alguns metros até a varanda, mas parou. A escuridão lá fora era absoluta, e o invasor parecia já ter desaparecido. Ele praguejou baixo, furioso, os ombros subindo e descendo com a respiração carregada. Eu o alcancei, ofegante. — Dante, você está ferido? Ele olhou para mim — e eu perdi o ar. A raiva dominava seus olhos. Mas havia outra coisa… algo pior. Medo. Um medo puro, selvagem. — Eu disse pra você ficar lá dentro — ele murmurou, a voz baixa, rouca, ainda cheia de adrenalina. — Eu não ia ficar parada enquanto você lutava sozinho! — respondi, sentindo o peito inflar de indignação e pânico. O que aconteceu a seguir foi rápido demais para eu me preparar. Dante me segurou pelos ombros, com força , não o bastante para machucar, mas suficiente para me lembrar do que ele era. — Não quero ouvir isso de você nunca mais — ele sussurrou, aproximando o rosto do meu. — Você não se coloca em risco por mim. Nunca. Entendeu? Meu coração bateu ainda mais rápido. — Eu… eu não ia deixar você morrer — respondi, sincera, a voz fraca. Os olhos dele queimaram. E então algo que eu não esperava aconteceu. Dante me puxou para perto — tão perto que o calor do corpo dele me envolveu — e encostou a testa na minha. A respiração dele era irregular. A minha também. — Você é a única coisa que eu não posso perder, Lara — ele disse, cada palavra carregando uma intensidade quase c***l. — A única. Meu peito se apertou. Minhas pernas tremeram. — Dante… Mas eu não consegui terminar a frase. Ele segurou meu rosto com as duas mãos, como se precisasse confirmar que eu estava inteira, viva, ali. — Se algo tivesse acontecido com você… — Ele fechou os olhos como se isso o destruísse. — Eu mataria o mundo inteiro. Aquilo me atingiu como uma onda quente e devastadora. Antes que eu pudesse responder, passos apressados ecoaram atrás de nós. Seguranças, funcionários, todos despertos pelo caos. Dante se afastou apenas o suficiente para reassumir o controle. Mas não antes de roçar o polegar no canto da minha boca , um gesto tão íntimo que fez minha pele arrepiar. — Vamos para dentro — ele disse. — E a partir de agora… eu não desgrudo mais de você. Eu não sabia se era uma promessa, uma ameaça ou as duas coisas. Mas uma coisa era certa. A partir daquela noite, nada entre nós — nem fora de nós , seria igual.
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