LARA O abrigo cheirava a concreto antigo e silêncio forçado. Não era um lugar feito para conforto, mas para resistir. Paredes grossas, Portas de aço, Câmeras desligadas por padrão. Um espaço criado por alguém que sempre soube que o mundo podia virar inimigo a qualquer momento. Por Dante. E, ainda assim, era ali que eu finalmente me sentia, desperta. — Você não dormiu — ele observou, encostado na parede, braços cruzados. — Nem você — respondi. A luz fria deixava sombras duras no rosto dele. Cansaço, Tensão, Culpa, Dante carregava tudo isso em silêncio, como se fosse obrigação. Aproximei-me da mesa improvisada onde mapas, telas e relatórios estavam espalhados. — Ele nos empurrou para cá de propósito — falei. — Valença queria nos tirar do tabuleiro visível. — Para agir sem te

